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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

[Com a palavra: o autor] Um conto de Natal de Cesar Ferraz

Jake Bell

Foto por Jack Berry, sob licença creative commons.

Jake Bell nunca se conformou em ter um sino em seu sobrenome. Motivo de chacotas e brincadeiras sem graça na escola, Jake ficava irritadíssimo quando o Natal chegava. Era toca o sino aqui , bate o sino ali, sempre envolvendo brincadeiras que deixavam o garoto num estado de bullying constante. 

- Mas que droga de Natal! Odeio esta época do ano. Se pudesse, eu desejaria que o Natal nunca existisse com todas as minhas forças! - praguejava ele com intensidade. 

Era manhã, início da semana de Natal em Nova Iorque. Jake já tinha fechado as notas da maioria das matérias e naquele dia ele saíra duas aulas mais cedo da escola Townsend Harris High School onde estudava. Não esperaria Jimmy sair, seu irmão menor. Demoraria muito e ele tinha mais o que fazer. Iria deixar esta tarefa para Lucy, sua mãe. 

Jake saía sem pressa, pelo portão da escola afora digitando uma mensagem SMS no seu celular para sua mãe quando Dean, um colega mais velho de que Jake não gostava muito, o interrompeu: 

- Hey o que foi Dean? Nos vemos no apartamento do Sean às três horas Jake. Não esquece de levar sua parte meu chapa. 

- Chapa? Ah tudo bem, eu estarei lá... chapa. 

Eles se despediram com um toque de mãos. O garoto estranhou aquele convite inesperado pois não se lembrava de ser amigo de Dean quanto menos de Sean, o anfitrião. Mais estranho ainda foi não ter sido alvo de brincadeiras com sinos por ele e por nenhum dos seus outros conhecidos que estavam ali, como sempre faziam na saída da escola nesta época do ano. Deixaram-no simplesmente sair caminhando em paz. Assim que os primeiros flocos de neve caíram em seu rosto gelando seu nariz, Jake enrolou o cachecol verde-musgo em volta de seu pescoço dando um sorriso gostoso de alívio e comemoração. Em seguida terminou de enviar seu SMS: 

- MÃE, SAÍ MAIS CEDO NÃO VOU ESPERAR O JIMMY. PODE PASSAR PARA PEGÁ-LO? VOU VOLTAR CAMINHANDO PRA CASA. ATÉ MAIS TARDE. 

“Enviar”. 
Então ele saiu caminhando pelas calçadas do Queens rumo ao Parque Corona. Jake morava do outro lado do parque, bem entre os lagos Meadow e Willow. Ele não pode deixar de notar uma sensação estranha. Que dia atípico era aquele! Pela primeira vez em muito tempo ninguém vinha com graça pro lado dele. 

Embaixo da fina camada de neve que caía, Jake passava entre os vários transeuntes. Estavam todos apressados, esbarrando ora em um ora em outro. Parecia que aquele clima de Natal tinha sumido. 

- O que está acontecendo hoje hein? Mas que dia! Ninguém olha por onde anda! O mundo todo acordou virado para a lua? 

Ele percebera que as pessoas estavam apáticas e caminhavam feitas robozinhos programados para atingir seus destinos. 

- Aww!! - gritara ao esbarrar numa pesada bolsa Victor Hugo de uma senhora toda produzida que nem ao menos virou-se para se desculpar do garoto.

- Hey senhora, é Natal afinal não é? Mais atenção com o próximo por favor! Não acredito no que vou falar, mas já começo a sentir falta do espírito natalino! - complementou em pensamentos. Mas ninguém prestava atenção em Jake. Era como se ele não existisse. Nem mesmo sua mãe respondera seu SMS.

Ao lado da escola ficava o cemitério Hebron onde seu avô, Jacob, estava enterrado. Jake resolveu dar uma passada para uma breve conversa com o avô. Caminhou até o lado oeste do cemitério onde se encontrava a lápide de Jacob Francis Bell. Ela, assim como todas as outras, estavam visivelmente abandonadas. Sujas, com a grama mal cortada, enfeitadas de flores mortas e ressecadas. Quase como que esquecidas pelas pessoas.

- Eu não acredito vô, que deixaram esse lugar nesse estado. Ah se o senhor ainda estivesse vivo seria o primeiro a cuidar disso aqui. Talvez eu volte amanhã e dou um jeito de melhorar as aparências tudo bem? O senhor não merece esse descaso todo. Não tem nem um mês que passei por aqui e estava tudo tão diferente! O Que será que aconteceu? O dia está todo esquisito vô. Me conte por favor o que está acontecendo que eu mesmo não faço ideia.

- Hey garoto! - disse em voz alta o zelador do cemitério que caminhava na direção de Jake. Garoto, o que está fazendo aqui? Visitando o meu avô oras! E posso saber por quê? Esse lugar não recebe visitas há séculos!

Jake olhou ao seu redor numa mirada de 360 graus e realmente não viu vivalma.

- Ora senhor, simplesmente porque é meu avô e já que estamos quase no Natal vim ter uma conversa franca com ele. Poderia me deixar a sós?

- Você veio para o Natal? Mas o que é Natal?

- Como assim o que é Natal! Você também está louco? Até você? Vai pra casa garoto! É perigoso ficar aqui sozinho e eu não posso ficar cuidando de você. Já tenho que ir para a ala leste. Anda tendo muitos assaltos nas redondezas e...

- Vô eu preciso ir agora - disse Jake em pensamento.

Ele saiu sem dizer uma só palavra ao zelador. Estava mais confuso agora do que quando entrou naquele lugar. Começava a realmente se preocupar. Aquilo parecia tão irreal...

Saindo do cemitério, mais um susto tomou quando chegou ao parque e percebera que toda a decoração de Natal tinha desaparecido. O lugar estava morto, vazio e solitário. Esbranquiçado com a neve e gelado com o dia frio que fazia.

“Onde estaria a gigante árvore de Natal que colocaram lá há algumas semanas atrás?“ Se perguntava Jake que passava por ali todos os dias.

Beep! Beep! ... Beep! Beep! Era seu celular. Finalmente minha mãe respondeu! Ao pegar para ler a mensagem, Jake se decepcionara mais uma vez.
- JAKE VOLTE E PEGUE SEU IRMÃO. QUE FILHO PREGUIÇOSO EU TENHO!

Sua mãe não costumava falar assim com ele. O que estava acontecendo com as pessoas? E então sua própria voz começou a ecoar em sua cabeça com suas últimas frases na escola: “Se pudesse, eu desejaria que o Natal nunca existisse... Se pudesse, eu desejaria que o Natal nunca existisse...”

Jake sentou no gramado extenso do parque Corona e começou a pensar no que estava errado. Não pode ser, não pode ser! - exclamava angustiado.

- Que seja para eu aprender a valorizar mais esta época do ano. Eu nunca me importei, sempre preocupado com as brincadeiras que faziam comigo, com o sino que eu carregava em meu nome. Mas realmente, as pessoas nesta época eram mais felizes, mais sorridentes, mais caridosas. Pode ser uma pura besteira e invenção capitalista, mas o sentimento das pessoas era real. Era a época em que o ser humano era mais humano, em que as pessoas se olhavam nos olhos e que tudo parecia mais fácil de perdoar, de reconsiderar, de olhar com outros olhos. É isso! - pensou exaltado - Eu perdoo a todos aqueles que me zombaram. Página virada, vida nova!

BLÉM BLÉM BLÉM!!! Jake começara a escutar alguns sinos mas não havia nenhuma igreja ali por perto. BLÉM BLÉM BLÉM!!! O barulho foi ficando cada vez mais audível até que a voz de Dean ecoou em sua cabeça: Toca o sino, pequenino...

- HAHAHAHAHA

- Jake acorde!!! Acorde Jake!

Assim, Jake percebera que tudo era um sonho e seus colegas estavam ali tirando sarro dele como sempre faziam e tocando um sino emprestado da professora próximo à sua orelha. Dean badalava o sino freneticamente enquanto Jake pulava de susto desperto e confuso. Enquanto isso, a Srta. Keity Simmons, professora de literatura, repreendia Dean por tocar seu sino na sala de aula sem autorização e Jake por estar dormindo.

- Vocês dois, pra diretoria agora!

Jake olhou pra ela sorridente e disse:
- Feliz Natal pra você também professora! E pra você também Dean! - dizia aliviado ao voltar para a realidade enquanto dava um tapa na cabeça de Dean e saía correndo pelo corredor da escola rumo à sala da Sra. Memphis, diretora da escola.

A professora não entendeu nada e Dean fez uma cara de reprovação. Logo depois saiu correndo atrás dele:

- Volte aqui moleque! Garoto estranho! - dizia Sean ao observar os dois saindo da sala.

Daquele dia em diante, Jake se tornara um rapaz mais vivo e sorridente. Se deu melhor com seus amigos pois também passou a levar tudo menos a sério, mais na brincadeira. A vida tornou-se mais leve para Jake quando começou a acreditar mais no espírito natalino. Naquele momento, desejava que flocos de neve caíssem novamente em sua face e,  por que não, com ao fundo de Jingle Bells...

Sobre o Autor:
Cesar Ferraz é cientista, ator, viajante e peregrino. Apaixonado por games e tecnologia. Mora em São Paulo, mas está sempre em algum canto do mundo. Leitor e escritor, é apaixonado por literatura fantástica e infanto-juvenil, universo este que o inspirou a escrever sua primeira obra: Noah Stalder.

domingo, 24 de agosto de 2014

Nosso Clube do Livro apresenta a Bienal de SP para vocês

Oi pessoal!
Tudo certinho?!

Aqui é a Fê. Vim fazer um relato breve do que foram estes dois dias de Bienal do Internacional do Livro de São Paulo. O primeiro dia (22/08) estava vazio e extremamente gostoso. Dava para andar calmamente, conversar com os profissionais nos estandes, bater aquele papo gostoso com os autores e com outros leitores. Hoje (23/08), entretanto, estava super hiper mega lotado mesmo! Em alguns momentos me senti como se estivesse na Sé às 6 da tarde (quem é de São Paulo sabe bem sobre o aperto a que me refiro!). Em alguns momentos, as editoras se viram obrigadas a controlar a entrada do público nos estandes, para que não houvesse confusão. Então, a primeira dica é: se você quer aproveitar com calma, vá durante a semana. Se só puder ir no próximo e último fim de semana, vista roupas e sapatos confortáveis e seja muito, mas muito paciente.

Transporte

A chegada até o Anhembi foi tranquila. Escolhi como trajeto pegar o metrô e descer na estação Portuguesa-Tietê (Linha 1 - Azul). Desde a saída dos vagões há plaquinhas que indicam a localização do ponto em que se pega o ônibus gratuito para a Bienal, além disso há vários funcionários na estação que pode dar uma orientação. 
Os ônibus são muitos, mas - dependendo do horário que você chegar lá - pode demorar. Hoje esperei cerca de 40 minutos até conseguir embarcar. A distância é curta, então isso ajuda muito. Os ônibus são confortáveis e têm ar condicionado. 
Vale lembrar que também há transporte gratuito que sai da / volta para a estação Palmeiras Barra-Funda (linha 3 - Vermelha).

Estrutura e Alimentação

Praça de Alimentação. 
O lugar é bem grande, mas tem dois problemas básicos: 1. É muito, muito, muito quente lá dentro. Seria ótimo se tivesse um ar condicionado, como acontece na Bienal carioca. 2. Não tem wi-fi. Na verdade, se você depender do 3G da Tim ou da Vivo, esquece. O 4G da Tim funciona - uma menina da fila de autógrafos me mostrou. Não sei quanto às outras operadoras, mas a reclamação era geral. O sinal é tão ruim naquela região, que hoje o ele caiu para as maquininhas do cartão e os caixas de vários estandes tiveram problemas com isto (fiquei quase 40 minutos em um caixa, porque a tal máquina não tinha sinal).

Quanto à alimentação, há opções de restaurantes mais conhecidos: Bob's, Casa do Pão de Queijo e Black Dog estão por lá. O que me chamou a atenção foi o preço: uma água de coco a 9 reais, um milkshake de ovomaltine pequeno a 10 reais e uma garrafa de água a 4 reais.

O lado bom é que reservaram vários pontos de descanso tanto com tapetes no chão, quanto com pufs. Dá para reunir os amigos, sentar para organizar as sacolas e, claro, ler.

Editora parceira: Novo Conceito

Acho que a Novo Conceito tem o espaço mais bonito da bienal. Além da decoração linda linda, o espaço foi montado de forma funcional: com corredores largos (lendo, isto pode parecer besteira, mas quando há muita gente e você está com muitas sacolas, isto é uma benção divina!). O palco/área de entrevista ficou em uma área visível para quem está dentro e fora do estande, o que ajudou muito para quem queria saber o que estava acontecendo, mas não queria ficar no meio da muvuca. 

Somado a tudo isto, uma equipe super querida estava lá para atender todo mundo. Na estrutura do estande havia tomadas para que os parceiros pudessem carregar os celulares. Tudo pensado com muito carinho para que todos os presentes tenham o máximo de conforto possível.




Nosso recado no mural de parceiros da Novo Conceito.

Visão geral dos parceiros 2014.



Se eu ficar já está na lista dos mais vendidos.
Lucinda Riley, autora de As Sete Irmãs, conversando com o público no estande da Novo Conceito.

No próximo post, falarei mais sobre os autores com quem conversei!
Para conferir todas as fotos, acesse o nosso álbum no facebook.

sexta-feira, 29 de março de 2013

#TeoremaJohnGreen - Don't Forget to be awesome!

 

Essa semana foi loucura, mas valeu a pena! Adorei falar com vocês sobre o John, sobre os livros, sobre a nerdfighteria - que se quiser conhecer mais, vai lá nos blogs NUPE, Literalmente Falando e Who's Thanny).

Eu entrei na Nerdfighteria ano passado, logo depois do especial A Culpa é das Estrelas, e nunca fui tão bem recebida por um fandom, o pessoal da comunidade são muito legais e divertidos, e descobri até alguns NFs aqui na minha cidade! Contagiei alguns amigos, que hoje são tão fãs do John Green como eu sou. Para ser um nerdfighter não precisa de pré-requisitos, nem de processo seletivo, você só precisa querer fazer parte, só precisa querer ver um mundo com menos sucks e mais awesome, então se você se encaixa nisso, JOIN US! 

Então, é isso gente!

Aaah! Já ia esquecendo: O resultado da promoção está lá no Este Já li! Parabéns ao Fellipe Ramos por ganhar a promoção!!! o/


   

 Até a próxima e DON'T FORGET TO BE AWESOME!

Quebrando a cabeça com as capas - 8ª capa

 

Gostaria de agradecer profundamente a todos que participaram, ficamos felizes não apenas com o sucesso da promoção, mas com o sucesso da Semana John Green. Acho que o foco principal foi atingindo: fazerem vocês amarem mais ou começarem a amar o John. Como eu disse no twitter essa será a nossa última capa! E mais tarde vamos divulgar o resultado! E como sei que vocês estão MUITO ansiosos, lá vai a última capa da promo-gincana xD 

 Não esqueçam de enviar o país que ela pertence, ok?

 A capa é essa:


 



provided by flash-gear.com

quinta-feira, 28 de março de 2013

Vamos falar de A Culpa é das Estrelas?

"A culpa, meu caro Brutus, não está nas estrelas, mas sim em nós mesmo"


A Culpa é das Estrelas é o novo romance do John Green, e foi lançado no Brasil em 2011, através da editora Intrínseca, nele somos apresentados a Hazel Grace e Augustus Waters, dois jovens cientes do que são e do que o futuro reserva.
 

A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.

Mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de tanta leitura e releitura, não consigo fazer um post decente sobre o livro. Pensei em citar as minhas partes favoritas, mas são tantas que nem caberiam em apenas um post, pensei em dizer o quanto eu amo o Augustus Waters por ele ser um cara fantástico, e confesso que se pudesse dizer alguma coisa para ele hoje, seria: “EI CARA! VOCÊ DEIXOU UMA FUCKING MARCA NO MEU MUNDO”. Pensei também em falar do quando a Hazel é lutadora e de como sua luta me inspira diariamente. Hazel, sinceramente? Eu teria entregado os pontos no primeiro momento, mas você não! Você foi até o fim, e céus como eu gostaria de ser a sua melhor amiga. Pensei em escrever uma resenha e colocar TUDO que eu não tinha colocado na outra, mas é difícil falar de um livro que te marca tanto. O que tenho a dizer sobre A Culpa das Estrelas é: Eu não gosto de viver em mundo sem Hazel, sem Augustus, sem a cura do câncer, sem hamartia, sem Uma Aflição Imperial, sem um infinito de possibilidades...

Ok?.

Ok.  

Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam. E aí tem livros como Uma Aflição Imperial, do qual você não consegue falar – livros tão especiais e ratos e seus que fazer propaganda da sua adoração por eles parece traição. Não era nem pelo fato de o livro ser bom nem nada; era só porque o autor, Peter Van Houten, parecia me entender dos modos mais estranhos e improváveis. Uma aflição imperial era o meu livro, do mesmo jeito que meu corpo era meu corpo e meus pensamentos eram meus pensamentos.

 

quarta-feira, 27 de março de 2013

#TeoremaJohnGreen - Let's talk about Green!

Você sabia que o John tem uma camisa da seleção brasileira autografada pelo Pelé?





 



Pois é, em 2011 a Nerdfighteria Brasileira (we're awesome) se mobilizou para entregar alguns presentinhos para o John durante a Leaky Con – (1) GRANDE convenção de fãs de Harry Potter, (2) E sim, o John e o Hank são fãs de Harry Potter (tem como não amar?) – entre os presentes estavam um livro “Quem é você, Alasca” assinado, rabiscado e cheio de coisas dos fãs e uma camisa autografada pelo Pelé! E o melhor de tudo, foi o que aconteceu depois! O John ficou tão feliz com os presentes que simplesmente, entrou no grupo da Nerdfighteria Brasil no facebook e deixou um recado MUITO fofo para TODOS nós! 




“Olá! Eu só queria agradecer por serem uma comunidade tão vibrante e unida. É muito bom ver a nerdfighteria brasileira crescendo, e não sei como dizer o quão grato sou por esse livro com tanta anotações e cartas lindas – e pela camisa, que irei usar em meu vídeo hoje! DFTBA!"


Isso não é AWESOME?! Pois, eu também achei e isso só fez crescer o carinho ENORME que tenho por esse autor que já é um dos meus autores favoritos xD 





Quabrando a cabeça com as capas - 5ª capa

 


Olá! 

Devo dizer que minha caixa de e-mail está frenética esses dias, e a culpa é toda de vocês! Estou feliz que estejam gostando da nossa promo-gincana! Sem muita enrolação vamos ao que interessa? 

Mas, primeiro: 

Quando enviarem o print com a capa NÃO ESQUEÇAM de enviar de qual país aquela capa pertece, para os seus pontos serem validados. Não esqueçam ok? Os e-mails que vierem apenas com o print serão automaticamente desclassificados. Ficamos claros? 

Ok?

Ok. 

 A capa de hoje:

  

Que comecem os trabalhos!!





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terça-feira, 26 de março de 2013

[Resenha] Teorema Katherine, de John Green

"É possível amar muito alguém, mas o tamanho do seu amor nunca vai ser páreo para o tamanho da saudade que você vai sentir por ela."  (Teorema Katherine, pg 141)

Teorema Katherine (An abundance of Katherines - 2006) é o segundo livro da carreira do autor norte-americano, John Green, e também o segundo lançado no Brasil pela editora Intrínseca, e conta a história de Collin Singleton, um ex-prodígio, anagramista de primeira classe de 17 anos. O cara que consegue decorar o nome de todos os presidentes dos Estados Unidos e expert em levar fora de todas as suas namoradas que, por incrível que pareça, chamam-se Katherines. 

... nem Kats, nem Kitties, nem Cathys, nem Rynns, nem Trinas, nem Kays, nem Kats, nem – Deus o livre – Catherines. K-A-T-H-E-R-I-N-E-S. Já teve dezenove. Todas chamadas Katherines. E todas elas – cada uma individualmente falando – terminaram com ele...  

Diante de mais um término de namoro (o 19º para ser exata), Collin e seu amigo Hassan resolvem cair na estrada sem rumo. É nessa viagem que o garoto ex-prodígio terá o seu momento “eureka” e irá trabalhar no Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, porém, durante essa road trip, Collin irá descobrir bem mais do que um simples teorema. 

Uma das coisas que sempre me chamou atenção no John Green foi a sua narrativa, e em Teorema Katherine não é diferente, o livro é narrado em terceira pessoa, porém tudo gira em torno de Collin, que por sinal lembra muito Augustus Waters de A Culpa é das Estrelas. A narrativa deste livro é bem mais leve, mais divertida, mas não menos carregada do que as outras. John Green tem um talento em contar histórias que poderiam ser facilmente confundidas com a de qualquer pessoa ou até mesmo, a nossa. A construção das personagens é incrível, e mais uma vez, ponto para o autor que sabe como fazer a coisa. 

Collin é o tipo de cara que você pode facilmente amar e odiar ao mesmo tempo; algumas de suas atitudes são egoístas demais, porém esse egoísmo pode ser justificado por ele ser prodígio. O fato de ele ser suficientemente nerd o afasta de muita coisa, ele tenta ter uma rotina normal, uma vida normal, porém não consegue com tanta facilidade. É complicado ter amigos quando se tem uma explicação lógica para tudo, já que muitas vezes, isso não interessante. 

Seu melhor amigo Hassan é o mais próximo do cara muito legal da escola, e ele é muito awesome (até por que aturar o Collin, às vezes, você tem está em um nível muito elevado de awesoness). Ele é, basicamente, o alívio cômico da obra e é uma personagem completamente amável, desde as primeiras linhas até as últimas; e tem a Lindsey, que é uma fofa, e que vai ajudar bastante Collin na criação de seu teorema. Lindsey é apaixonante, e eu me identifiquei muito com ela, pois ela é a personagem mais próxima da realidade; é confusa, é apaixonada, brincalhona, é uma típica adolescente popular, mas legal que todo mundo faria questão de ser amigo. 

Teorema de Katherine é um livro muito gostoso de ler, diferente de ‘A Culpa é das Estrelas’ e de ‘Quem é você, Alasca?’. Porém muito parecido na essência da narrativa do autor. Claro que, não dá para fazer uma comparação entre as obras, já que, Katherine é o segundo livro da carreira de John Green, e ACEDE o último. Porém muitas características podem ser notadas, exemplo as personagens e a sua maturidade excessiva; os adolescentes de John Green são pessoas conscientes do mundo a sua volta. 

Quando eu disse que Collin lembrava muito Augustus Waters, falei sério! É bem notória a semelhança, não digo física, mas “intelectualmente” falando. Augustus e Collin têm uma necessidade que é “A” necessidade: deixar uma marca no mundo, porém uma marca expressiva, não qualquer uma. Eles não querem apenas passar pelo mundo, eles querem passar pelo mundo mostrando para quê vieram. Acredito que isso reflete o sentimento de muita gente, principalmente dos jovens. 

Quem não quer deixar sua marca no mundo? Seja você um (ex) prodígio ou um garoto com câncer, todos nós temos o desejo de passar por aqui e deixar algo feito para que as pessoas olhem e digam: “EI, eu sei quem fez isso!”, e é isso que amo no John Green! Mesmo com um livro tão diferente, ele nos leva a pensar em coisas que, de alguma forma, passam a fazer sentido. 

Em Teorema Katherine, John Green nos apresenta outra vertente sua não muito conhecida entre seus novos fãs – confesso que quando comecei a ler achei que iria encontrar outro ‘A Culpa é das Estrelas’ ou 'Quem é você, Alasca?' e já estava preparando os lenços – porém tão boa e melancólica quanto as outras. 

Eu serei esquecido, mas as histórias ficarão. Então, nós todos somos importantes – talvez menos do que muito, mas sempre mais do que nada. – Pg 283
 


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Especial João Cabral de Melo Neto: Morte e Vida Severina

Morte e vida severina foi publicado pela primeira vez em 1955 como parte do livro Duas Águas. No poema épico que narra a travessia de Severino do sertão ao litoral, temos presente a morte como tema constante na vida do narrador. O poema é de extrema relevância para a literatura brasileira, uma vez que tem um estilo próprio, presente na composição forte, de versos curtos e de sintaxe viva. 

Em 1966, a obra ganhou uma versão teatral, que faz parte da história nacional, ao ganhar a trilha sonora composta por nada mais, nada menos que Chico Buarque. De lá para cá a peça rodou várias partes do Brasil e do mundo, consolidando a nossa literatura ao redor do globo.

Abaixo, segue uma animação baseada em Morte e Vida Severina feita a partir dos quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão.

Especial João Cabral de Melo Neto

Se estivesse vivo, hoje o poeta João Cabral de Melo Neto estaria completando mais um ano de vida. Por isso, fazemos algumas postagens em homenagem ao autor ao longo do dia. :)

Para começar, segue um vídeo do programa Entrelinhas, que foi ao ar no dia 05 de outubro de 2009, por ocasião do 10º aniversário de morte do escritor. Vale muito a pena conferir, porque 
O programa conversou com três poetas Micheliny Verunschk, Frederico Barbosa e João Bandeira; eles falam da importância do autor de A Educação pela Pedra e Morte e Vida Severina (cuja obra encerra o ciclo modernista), desfazem mitos (como o caráter exclusivamente cerebral e antimusical da poesia cabralina) e comentam sua influência sobre nossa literatura contemporânea (especialmente como precursor da poesia metalinguística dos concretos).

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Especial Carlos Drummond de Andrade: Recordar é viver

Para fechar o nosso especial - e já que recordar é viver -, deixamos um pequeno índice de outras postagens interessantíssimas que já fizemos aqui no blog até hoje, sobre o nosso gênio mineiro!



Feliz dia D! 
Feliz dia de Carlos Drummond de Andrade!

Especial Carlos Drummond de Andrade: Alguma poesia


Mais uma postagem do nosso especial! 
Agora, temos um vídeo na FLIP, em que autores e críticos falam sobre a obra drummondiana e leem alguns poemas.

Indicações da Semana #20 - Especial Carlos Drummond de Andrade

Hoje as nossas indicações da semana são de três edições esplêndidas de Carlos Drummond de Andrade, feitas pelo Instituto Moreira Salles, que todo o amante de Literatura Brasileira deveria conhecer. O motivo? Além dos comentários, análises e notas, temos a caligrafia do Drummond nelas!


Livro: Alguma Poesia - o livro em seu tempo
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Editora: Instituto Moreira Salles
Sinopse: Alguma poesia – O livro em seu tempo é a edição especial com textos, críticas e anotações que comemora os 80 anos de Alguma poesia, livro de estreia do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Organizada por Eucanaã Ferraz – responsável pela programação literária do IMS –, a publicação traz um fac-símile do volume que pertenceu ao próprio Drummond, com anotações manuscritas de mudanças que o poeta incorporaria nas edições seguintes. Além disso, reúne cartas de amigos e críticos acusando o recebimento do livro, bem como uma rica amostra das resenhas e artigos publicados no calor da hora pelos jornais de 1930 e 1931. Um texto de apresentação, assinado pelo organizador, traça o percurso de Drummond de 1924 até maio de 1930 e mostra que, desde as primeiras semanas em que começou a circular, Alguma poesia já se afirmava como peça central da poesia brasileira, objeto de elogios e de polêmicas e críticas. Para a edição do IMS, foi imprescindível a colaboração dos netos de Drummond, Pedro Augusto e Luis Mauricio Graña Drummond, e da Fundação Casa de Rui Barbosa – especificamente do seu Arquivo Museu de Literatura Brasileira, onde estão depositados os recortes, fotos e cartas que ilustram a edição.

Livro: Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Editora: Instituto Moreira Salles
Sinopse: Para marcar os 40 anos do poema “No meio do caminho”, Carlos Drummond de Andrade publicou, em 1967, o livro Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema, no qual reuniu uma ampla seleção com o que foi dito sobre os famosos versos. O Instituto Moreira Salles lança uma nova edição do livro concebido pelo próprio Drummond, ampliada pelo também poeta Eucanaã Ferraz. Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema traz todo o conteúdo de sua versão original: texto de apresentação de Arnaldo Saraiva e fortuna crítica do poema mais discutido do modernismo literário brasileiro, publicado pela primeira vez na Revista de Antropofagia, em 1928. A publicação do IMS traz também duas seções inéditas: “Ainda a pedra”, que complementa a seleção feita por Drummond com textos, charges e ilustrações sobre o poema posteriores a 1967; e “Biografia da biografia”, que reúne resenhas e comentários sobre o livro desde seu lançamento. Segundo Eucanaã Ferraz, a primeira edição de Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema foi uma espécie de resposta de Carlos Drummond de Andrade à dura crítica recebida pelo “poeminha da pedra”. “Houve o tempo em que um trabalho miúdo e constante de difamação do modernismo tomava como exemplo da pior literatura o poema ‘No meio do caminho’”, explica Eucanaã em seu texto de apresentação desta nova edição. Os insultos ao poema transformaram o próprio texto em obstáculo ao escritor, como a pedra criada pelos seus versos. Drummond, com ironia, resolveu então publicar todas as críticas sobre seu poema e devolveu aos seus leitores o documentário produzido ao longo de 40 anos.

Livro: Versos de circunstância
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Editora: Instituto Moreira Salles
Sinopse: Versos de circunstância reúne poemas de ocasião escritos por Carlos Drummond de Andrade. Dos 295 poemas, datados entre 1951 e 1968, 229 são inéditos. Com organização do poeta e consultor de literatura do IMS Eucanaã Ferraz e texto de abertura do professor Marcos Antonio de Moraes, o livro publica, além dos versos transcritos, todos os poemas em fac-símile, nos quais é possível acompanhar, na caligrafia fluente de Drummond, o envio das dedicatórias, homenagens, votos de boas-festas e outros textos movidos pelo momento. Versos de circunstância foi o nome dado pelo próprio Drummond aos três pequenos cadernos da marca De Luxe nos quais o autor anotou as dedicatórias que escrevia antes de enviá-las a familiares e amigos – muitos deles nomes importantes da vida pública brasileira, como Otto Maria Carpeaux, Lygia Fagundes Telles, José Olympio, Cleonice Berardinelli. Desses cadernos, que são conservados no Arquivo-Museu da Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa, saltam nomes, datas, acontecimentos, conversas, segredos e declarações. Para Eucanaã Ferraz, “o registro desses versos circunstanciais teve em sua origem, necessariamente, a consciência aguda do desaparecimento, da dispersão, mas também o sentimento de que a escrita pode ultrapassar a morte”. Plenos de amor, intimidade, jogos onomásticos e experimentações sonoras, os poemas são também testemunhos das relações intelectuais e afetivas que traçaram redes de sociabilidade no campo literário em torno do maior poeta brasileiro.

Especial Carlos Drummond de Andrade

Olá pessoal!

Enquanto muita gente está preocupada com as festas e as histórias de terror, em comemoração ao Dia das Bruxas; nós, da equipe do Nosso Clube do Livro, resolvemos fazer uma série especial de postagens em comemoração ao 110º aniversário de nascimento de um dos maiores poetas da literatura brasileira, o nosso queridíssimo Carlos Drummond de Andrade!


Ao longo do dia, vocês poderão curtir variadas vertentes do nosso "Poeta de sete faces". 
Fiquem ligados!

Equipe Nosso Clube do Livro

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Especial Machado de Assis: Um Apólogo


Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora?  A senhora não é alfinete, é agulha.  Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa!  Porque coso.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você?  Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.  Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?  Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...

A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:

— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?  Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: 

— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:

— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

_______________________
ASSIS, Machado. Um Apólogo. In: Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos. São Paulo: Ática, 1984.  Página 59.

Especial Machado de Assis: Uma criatura

(por Machado de Assis)

Sei de uma criatura antiga e formidável, 
Que a si mesma devora os membros e as entranhas
Com a sofreguidão da fome insaciável.

Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira de abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.

Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e de egoísmo.

Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta de colibri, como gosta de verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.

Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto areal um vasto paquiderme.

Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra, 
Depois a flor, depois o suspirado pomo.

Pois essa criatura está em toda a obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto;
E é nesse destruir que as suas forças dobra.

Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida,
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida. 


O Almada & outros poemas 
Machado de Assis – São Paulo: Globo, 1997, - (obras completas de Machado de Assis) página.126.

Especial Machado de Assis: ontem, hoje e sempre

Há 173 anos nascia, no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, o maior ícone da literatura brasileira: Joaquim Maria Machado de Assis. Fundador da Academia Brasileira de Letras, órfão muito cedo, mulato, gago, além de sofrer de epilepsia e compleição nervosa, fatores que o levou a adotar uma postura taciturna, refletida em personagens como Bentinho, o nosso Dom Casmurro.

Embora sua obra faça parte de nosso cânone, Machado de Assis pouco frequentou o ensino regular. Após ser alfabetizado em uma escola pública, aprendeu francês e latim com Silveira Sarmento, um padre amigo da família. Os outros conhecimentos construídos ao longo da vida foram obtidos de forma completamente autodidata. Ao completar quinze anos, teve o seu primeiro poema publicado no Periódico dos Pobres, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”. Aos dezesseis, começou a trabalhar como tipógrafo aprendiz na Imprensa Nacional, local em que conheceu Manuel Antônio de Almeida. Passado algum tempo, passou a trabalhar na redação do Correio Mercantil.

Carolina, mulher do autor
Durante a década de 1860, escreveu para o teatro. Suas peças, no entanto, eram, nas palavras de Quintino Bocaiuva, “para serem lidas e não representadas”. Também nesta época, escreveu os versos de Crisálida. Já em 1869, casou-se com uma irmã de seu amigo, Carolina Augusta Xavier de Novais, com quem viveu até o fim de sua vida e lhe serviu de inspiração para a personagem Dona Carmo, de Memorial de Aires.

Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Da mesma época, datam Contos Fluminenses (1870), Histórias da Meia-Noite (1973), A mão e a luva (1974), Helena (1976), Iaiá Garcia (1978). Também intensificou a produção de contos, crônicas e poesias, que foram publicadas como forma de colaborar nas publicações O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira. Estes trabalhos são tidos da fase romântica, para muitos literários, por apresentarem características mais próximas ao Romantismo.

Compilado os folhetins publicados na Revista Brasileira entre 15 de março a 15 de dezembro de 1880; nasce, em 1881, o romance que leva Machado de Assis a exprimir sua maturidade de escritor e ir ao encontro com uma literatura realista: Memórias Póstumas de Brás Cubas. Sobre o romance, Alfredo Bosi¹ afirma que:
“A revolução dessa obra, que parece cavar um fosso entre dois mundos, foi uma revolução ideológica e formal: aprofundando o desprezo às idealizações românticas e ferindo no cerne o mito do narrador onisciente, que tudo vê e tudo julga, deixou emergir a consciência nua do indivíduo, fraco e incoerente. O que restou foram as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas”.
Depois de Memórias Póstumas, vieram outras obras de igual importância, que confirmaram a grandeza do autor. São elas: Histórias sem data (1884), Quincas Borbas (1892), Várias histórias (1896), Páginas recolhidas (1899), Dom Casmurro (1990), Esaú e Jacó (1904), Relíquias da casa velha (1906) e seu último romance, Memorial de Aires (1908).

Do círculo de intelectuais que frequentavam a redação da Revista Brasileira – dentre eles: José Veríssimo, Graça Aranha, Joaquim Nabuco e Visconde de Taunay – fomentou-se a ideia da criação da Academia Brasileira de Letras, fundada em 28 de janeiro de 1897. Machado de Assis foi o primeiro presidente, fundando a cadeira de nº 23 e tendo José de Alencar como seu patrono.


Em 29 de setembro de 1908, Machado de Assis faleceu, na cidade do Rio de Janeiro, devido a uma úlcera cancerosa. As homenagens fúnebres a ele feitas na Academia Brasileira de Letras tiveram como porta-voz Rui Barbosa.

Com sua literatura, que ultrapassa as fronteiras de quaisquer escolas literárias, pode-se afirmar que os escritos machadianos ganharam o peso de obra-prima, fazendo dele um dos maiores escritores em Língua Portuguesa, ontem, hoje e sempre!





___________________
¹Alfredo Bosi é professor universitário, crítico, historiador de literatura brasileira e membro da Academia Brasileira de Letras. Sua citação apresentada no texto está publicada na seguinte bibliografia: BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2006. Página 187.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Especial "Dia dos Namorados"




Em comemoração ao Dia dos Namorados, a equipe do Nosso Clube do Livro separou alguns casais memoráveis, em nossa opinião.

  Mona Mayfair (A Fazenda Blackwood - Anne Rice) 
Um amor verdadeiro entre uma bruxa e um vampiro, que superou a doença e a morte.

Aragorn e Arwen (Senhor dos Anéis - J.R.R Tolkein) 
Todos os problemas com o mal tentando dominar a Terra Média, ele um humano e ela uma elfa com tudo para dar errado, eles contavam com o amor para continuar em frente.

Ronny Weasley e Hermione Granger (Harry Potter - J.K. Rowling)
Tá aí mais um casal que mostra que os opostos se atraem, em sete livros e todos querendo saber o que aconteceria com os dois e mais uma vez as expectativas foram ótimas.

Romeu e Julieta (Romeu e Julieta - Shakespeare)
Um dos casais, senão o casal mais lembrado de todos os tempos. O relacionamento amoroso proibido e trágico entre os dois tem inspirando muita gente.

Elizabeth e Mr Darcy (Orgulho e Preconceito – Jane Austen)
Quem não gostaria de um namorado educado como o Mr Darcy? Uma das histórias de amor mais famosas entre as leitoras. 

Margaret Hale e John Thornton (Norte e Sul - Elizabeth Gaskell)
Casal similar à Elisabeth e Mr Darcy. Assim que se conheceram rolou uma faísca, mas ao contrário do esperado, a faísca foi de desprezo e implicância. Com o tempo essa implicância se tornou uma bela história de amor.

Susannah e Jesse (A Mediadora – Meg Cabot)
Ela é humana e ele um fantasma, quem diria que essa mistura iria dar certo? Foram seis livros de ansiedade e torcida. Claro que no final houve um final feliz!

Holly e Gerry (P.S. Eu Te Amo – Cecelia Ahern)
A história deles dois desde o começo é linda, mesmo com o câncer que acaba os separando. Com uma série de cartas deixadas por Gerry, Holly aprende a viver e superar a perda do seu grande amor.

Emma e Jack (O Segredo de Emma Corrigan – Sophie Kinsella)
No meio de uma turbulência, Emma acaba contando todos seus segredos para o passageiro do lado. O que ela não esperava era que ele, Jack, é o dono da empresa onde ela trabalha. No meio de confusões e vários acontecimentos eles acabam se envolvendo e o resto é história.

E você, gosta de algum deles? Conhece algum casal fofo no mundo da literatura? Conte-nos! 

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