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quinta-feira, 6 de março de 2014

Lançamento UNESP - A ameaça do fantástico, de David Roas.

Primeira obra de David Roas publicada no Brasil, este livro reúne seis ensaios escritos por ele entre 2001 e 2011, que apresentam sua própria concepção acerca do fantástico. Escritor alinhado ao gênero, Roas exerce aqui o papel de crítico, para o qual o fantástico, mais que um gênero, é uma categoria estética, pois transborda da literatura para as artes em geral – cinema, teatro, quadrinhos, games e demais formas que espelhem o conflito entre o real e o impossível, característico do fantástico. 

De acordo com Roas, o fantástico dependerá sempre do que seja considerado real e o real, do conhecido, pois o leitor precisa contrastar o fenômeno sobrenatural com a concepção de realidade. Em meados do século 18, quando despontou na literatura, o gênero representaria uma espécie de contraponto ao racionalismo iluminista: o culto à razão desbanca a fé no sobrenatural e o torna inofensivo, algo com que se pode “brincar literariamente”. Hoje, segundo o autor, os artistas encontram inspiração nas ciências, que desvendam fenômenos diversos para teóricos, escritores, leitores, possibilitando novas abordagens do real e do fantástico. 

Roas reconstrói e analisa a trajetória do gênero, conceituando-o e delimitando-o, além de tratar de questões teóricas sobre sua definição. Ele percorre outros autores clássicos que também debateram o tema, como Todorov e Irène Bessière, e apresenta como exemplos de suas revisões e indagações teóricas, obras de auto­res contemporâneos, como Borges, Cortázar e Poe, abrindo caminhos para uma discussão mais ampla e densa sobre o fantástico.

Sobre o autor 

David Roas nasceu em Barcelona, Espa­nha, em 1965. Escritor e crítico literário, é professor de Teoria Literária e Literatura Comparada na Universidade Autônoma de Barcelona. Mundialmente reconhecido como especialista em literatura fantásti­ca, escreveu livros de ficção como Celu­loide sangriento (1996) e La estrategia del koala (2013). Na esfera ensaística, publi­cou Teorías de lo fantástico (2001), De la maravilla al horror: los orígenes de lo fantástico en la cultura española – 1750- 1860 (2006), entre outros.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Poesia concreta

No vídeo abaixo, o poeta Décio Pignatari explica a origem do Concretismo de forma simples e prática! Confira!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Mia Couto, no Roda Viva

Nesta semana o Roda Viva recebeu o escritor moçambicano Mia Couto, em uma entrevista incrível! Para quem viu, vale a pena rever. Quem não viu, abaixo segue a chance! ;)

"A fabulação é uma maneira de pensar".
 (Mia Couto)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Especial Machado de Assis: ontem, hoje e sempre

Há 173 anos nascia, no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, o maior ícone da literatura brasileira: Joaquim Maria Machado de Assis. Fundador da Academia Brasileira de Letras, órfão muito cedo, mulato, gago, além de sofrer de epilepsia e compleição nervosa, fatores que o levou a adotar uma postura taciturna, refletida em personagens como Bentinho, o nosso Dom Casmurro.

Embora sua obra faça parte de nosso cânone, Machado de Assis pouco frequentou o ensino regular. Após ser alfabetizado em uma escola pública, aprendeu francês e latim com Silveira Sarmento, um padre amigo da família. Os outros conhecimentos construídos ao longo da vida foram obtidos de forma completamente autodidata. Ao completar quinze anos, teve o seu primeiro poema publicado no Periódico dos Pobres, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”. Aos dezesseis, começou a trabalhar como tipógrafo aprendiz na Imprensa Nacional, local em que conheceu Manuel Antônio de Almeida. Passado algum tempo, passou a trabalhar na redação do Correio Mercantil.

Carolina, mulher do autor
Durante a década de 1860, escreveu para o teatro. Suas peças, no entanto, eram, nas palavras de Quintino Bocaiuva, “para serem lidas e não representadas”. Também nesta época, escreveu os versos de Crisálida. Já em 1869, casou-se com uma irmã de seu amigo, Carolina Augusta Xavier de Novais, com quem viveu até o fim de sua vida e lhe serviu de inspiração para a personagem Dona Carmo, de Memorial de Aires.

Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Da mesma época, datam Contos Fluminenses (1870), Histórias da Meia-Noite (1973), A mão e a luva (1974), Helena (1976), Iaiá Garcia (1978). Também intensificou a produção de contos, crônicas e poesias, que foram publicadas como forma de colaborar nas publicações O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira. Estes trabalhos são tidos da fase romântica, para muitos literários, por apresentarem características mais próximas ao Romantismo.

Compilado os folhetins publicados na Revista Brasileira entre 15 de março a 15 de dezembro de 1880; nasce, em 1881, o romance que leva Machado de Assis a exprimir sua maturidade de escritor e ir ao encontro com uma literatura realista: Memórias Póstumas de Brás Cubas. Sobre o romance, Alfredo Bosi¹ afirma que:
“A revolução dessa obra, que parece cavar um fosso entre dois mundos, foi uma revolução ideológica e formal: aprofundando o desprezo às idealizações românticas e ferindo no cerne o mito do narrador onisciente, que tudo vê e tudo julga, deixou emergir a consciência nua do indivíduo, fraco e incoerente. O que restou foram as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas”.
Depois de Memórias Póstumas, vieram outras obras de igual importância, que confirmaram a grandeza do autor. São elas: Histórias sem data (1884), Quincas Borbas (1892), Várias histórias (1896), Páginas recolhidas (1899), Dom Casmurro (1990), Esaú e Jacó (1904), Relíquias da casa velha (1906) e seu último romance, Memorial de Aires (1908).

Do círculo de intelectuais que frequentavam a redação da Revista Brasileira – dentre eles: José Veríssimo, Graça Aranha, Joaquim Nabuco e Visconde de Taunay – fomentou-se a ideia da criação da Academia Brasileira de Letras, fundada em 28 de janeiro de 1897. Machado de Assis foi o primeiro presidente, fundando a cadeira de nº 23 e tendo José de Alencar como seu patrono.


Em 29 de setembro de 1908, Machado de Assis faleceu, na cidade do Rio de Janeiro, devido a uma úlcera cancerosa. As homenagens fúnebres a ele feitas na Academia Brasileira de Letras tiveram como porta-voz Rui Barbosa.

Com sua literatura, que ultrapassa as fronteiras de quaisquer escolas literárias, pode-se afirmar que os escritos machadianos ganharam o peso de obra-prima, fazendo dele um dos maiores escritores em Língua Portuguesa, ontem, hoje e sempre!





___________________
¹Alfredo Bosi é professor universitário, crítico, historiador de literatura brasileira e membro da Academia Brasileira de Letras. Sua citação apresentada no texto está publicada na seguinte bibliografia: BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2006. Página 187.

domingo, 13 de maio de 2012

Manuscritos de Olavo Bilac

Quem acompanha o Nosso Clube do Livro desde o começo sabe o quanto eu gosto do blog Questões Manuscritas, escrito por Pedro Corrêa do Lago, que integra o site da Revista Piauí. Desta vez, quero destacar aqui os dados apresentado por Corrêa do Lago no post A carta apaixonada de Olavo Bilac, de 08 de maio deste ano.

A postagem traz a transcrição e a reprodução de uma carta que Olavo Bilac - notável poeta parnasiano - escreveu para Luiz de Oliveira, irmão de sua noiva Amélia de Oliveira, que disponibilizamos abaixo:


“Meu querido Luiz 
Cheguei ontem do Rio, onde fui passar oito dias. Cá estou de novo n’esta medonha Paulicéa. Que inferno!
Participo-te que sexta-feira passada, 11 de Novembro de 87, ás 2 horas e 35 minutos da tarde, ficou sendo minha noiva tua irmã Amélia. Minha noiva, leste bem? Minha noiva! É a primeira vez que escrevo estas duas palavras. Minha noiva! Como estou feliz! Como é bom viver! Como é bom amar e ser amado! 
Manda-me dizer se ficas satisfeito com a notícia, e se ainda és meu amigo, Luiz. Escreve-me, assim que receberes esta carta, para o Diário Mercantil, S. Paulo. Fico ansioso pela tua resposta. Tenho lido a Vida Literária. Estás um poeta de mão cheia. Abraço-te. Escreve-me, escreve-me, escreve-me. Não te mando dizer se tenho feito versos porque não estou agora para tratar d’essas coisas. Qual poesia, nem qual nada! Não há nada como o amor! Não há nada como amar e ser amado como amo e sou amado! Estou com vontade de sair para a rua e de abraçar toda gente, amigos e inimigos, monarquistas e republicanos, Deus e o Diabo! Tal é a minha alegria. 
Escreve-me. Abraça-te, o teu amigo leal
Olavo Bilac”
Adoro ver os manuscritos dos grandes autores, e vocês?!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Análise de "A terra dos meninos pelados"


Clique aqui para ler o conto A terra dos meninos pelados, de Graciliano Ramos.


(Análise literária feita por de Fernanda Rodrigues)

Em 1939, Graciliano Ramos publicou A Terra dos Meninos Pelados, livro que inovou a literatura infantil e juvenil. Com sua linguagem baseada nos novos valores literários, o texto apresenta o predomínio do mundo fantástico, onde nada é impossível. 

A narrativa mostra inovação desde o seu princípio, quando apresenta Raimundo: um protagonista descrito como um menino diferente – tem o olho direito preto, o esquerdo azul e a cabeça pelada – que é chacoteado pelas outras crianças. Ou seja, o autor principia o texto mostrando uma personagem que não pertence a um grupo social dominante e que sofre da exclusão sobre a qual é vítima. 

Para aproximar o leitor do texto, Graciliano constrói a narrativa utilizando linguagem coloquial, como podemos ver no trecho em que os garotos zombam de Raimundo: “Como botaram os olhos de duas criaturas numa cara?” 

Ao trabalhar o universo imaginário, o autor cria personagens antropomorfizadas. Em Tatipirun – a terra onde todos têm os olhos de duas cores e a cabeça pelada – os carros falam, riem, piscam e voam (“Mas o automóvel piscou o olho preto e animou-o com um riso grosso de buzina: - Deixa de besteira, Raimundo. Em Taipirun, nós não atropelamos ninguém”.), a “laranjeira que estava no meio da estrada afastou-se para deixar a passagem livre” e depois conversou com o menino. Além destes exemplos, pode-se citar ainda: o troco, a aranha (representante da indústria têxtil), a cigarra (que representa os artistas), a rã, as cobras corais e o vaga-lume – todos eles falantes. 

Ainda para compor este mundo de fantasia, Graciliano Ramos trabalha a linguagem fazendo uso de neologismos. Nomes como o do lugar onde todos são iguais ao protagonista (Tatipirun), o sítio de onde veio a personagem principal (Cambacará) a serra que Raimundo atravessa para chegar à terra dos meninos pelados (serra de Taquaritu), os personagens humanos (Caralâmpia, Pirenco, Talima, Sira, Pirundo) e palavras que aparecem ao longo do texto - como “princesência” -, foram criadas para reforçar a magia e a perfeição vividas na terra de Tatipirun. Além deste recurso, o autor emprega ainda um estrangeirismo dito pela rã (“Parece até um meeting, disse a rã que pulou na beira do rio”.) e abusa das metáforas, como pode-se constatar no trecho a seguir: “ – E boa, interrompeu um menino sardento. Meio desparafusada, mas um coraçãozinho de açúcar. Aquela é Sira”, criando uma sensação de que tudo o que acontece no principado é real, pois cada ser tem sentimentos, nomes e pensamentos próprios. 

O autor sabia da importância fundamental que a fantasia tem na vida das crianças. Ao criar a terra dos meninos pelados, Graciliano cria uma terra democrática, totalmente inversa a Cambacará – lugar de origem do Raimundo – onde há injustiças. Ao mesmo tempo, Tatipirun dá a força necessária ao pequeno menino pelado retornar ao seu lar se aceitando como ele é e não como os outros querem que ele seja. Por meio deste universo mágico os pequenos leitores podem ter como exemplo a personagem principal para enfrentar problemas do dia-a-dia (como o preconceito por ser gordinho, por usar óculos, por ser muito mais alto ou muito mais baixo que as outras crianças na escola, por exemplo). 

Por fim, deve-se ressaltar que o texto apresenta uma intertextualidade com outra narrativa infantil clássica: Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll. Ambas as obras retratam de forma surreal a aventura de suas personagens principais em uma terra de fantasia, em um mundo encantado.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Apadrinhamos #1: Dor ou Amor (4 de 5)


Os versos que compõe Dor ou Amor fazem seus leitores quererem entender esta dualidade, ao passo que nos mostram o quanto ela está presente em nossa vida. Embora escrita por vários autores, a coletânea consegue manter esta linearidade dual até sua última página.

Cada autor expressa seus sentimentos de uma forma única. A riqueza da sonora das rimas nos faz crer que a poesia não fora esquecida pelos brasileiros e que temos ótimos representantes na produção contemporânea - independentemente da falta de popularidade do gênero entre grande parte dos leitores. 

E, se assim desejar, 
Que desistamos de ensaiar!
e caminhemos de volta.

E, se a plateia nos vaiar, 
Serei eu o primeiro a gritar:
"Pois a mim não me importa!"

segunda-feira, 5 de março de 2012

Apadrinhamos #1: Dor ou Amor (2 de 5)

O post de hoje é para falarmos sobre algo muito importante em um livro - seja ele físico ou eletrônico - a capa. 

A obra Dor ou Amor, traz em sua capa o vermelho e o preto que, em contraste, chamam a atenção para o espetáculo do gênero que recheia o livro: a poesia. 

A imagem símbolo do teatro lembra-nos que a poética faz parte do eterno espetáculo do viver. O amar e o sofrer é intrínseco nos enredos trágicos e cômicos e têm, muitas vezes, relação com com as pequenas coisas do cotidiano.

O palco, com apenas um foco de luz, gera expectativas sobre quem é o grande ator: os autores que ali escrevem ou os leitores que se debruçarão sobre seus versos?!

Por fim, a tipografia nos remete ao nome da editora organizadora da coletânea, uma vez que as letras em amarelo compõem a palavra Mor. Ademais, surge a ânsia por descobrir: quem é maior, a dor ou o amor?!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Amizade modernista: Anita Malfati e Mário de Andrade

O programa Entrelinhas, da TV Cultura, produziu um vídeo que nos apresenta a amizade entre dois grandes nomes do modernismo brasileiro: a pintora Anita Malfatti e o poeta Mário de Andrade.


No vídeo é citado o livro Cartas a Anita Malfatti, veja abaixo os dados da obra: 

Livro: Cartas a Anita Malfatti
Autor: Mário de Andrade
Organização: Marta Rossetti Batista
Editora: Forense Universitária

Sinopse: As cartas inéditas de Mário de Andrade a Anita Malfatti, ora reunidas graças a um admirável esforço de pesquisa e organização editorial desenvolvido pela professora Marta Rossetti Batista, constituem mais uma faceta deste amplo mosaico da história da cultura brasileira e de nosso modernismo literário, plástico e musical que vem se delineando através da publicação da correspondência do extraordinário escritor paulista.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Entrevista com Jennifer Egan

Olá, companheiros do Nosso Clube do Livro!

Aproveitando que estou lendo A visita cruel do tempo, e que Jennifer Egan participará da Flip 2012, que tal conhecermos melhor esta autora?! Na entrevista abaixo, ela nos conta um pouco sobre a minha atual leitura.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Bate-papo: Erico Verissimo e Incidente em Antares


O vídeo abaixo é a íntegra do bate-papo que o Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro realizou no dia 26 de janeiro de 2012: “Erico Verissimo e Incidente em Antares”, com participação dos jornalistas e escritores Luis Fernando Verissimo – filho de Erico – e Sérgio Rodrigues. 

Escrito e publicado em 1971, Incidente em Antares foi criado a partir da ideia que Erico Veríssimo (1905-1975) teve ao ver a foto de uma greve de coveiros nos Estados Unidos. Nesse romance, a matriarca Quitéria Campolargo acorda em seu caixão numa sexta-feira 13, em dezembro de 1963, esperando estar frente a frente com o Criador. Mas percebe que está do lado de fora do cemitério da cidade de Antares, junto com outros seis cadáveres, também mortos-vivos. Uma greve geral na cidade, à qual até os coveiros aderiram, impediu o enterro dos falecidos. Os defuntos, já em estado de putrefação, resolvem reivindicar o direito de serem sepultados – caso contrário, assombrariam a cidade. Seguem pelas ruas e casas de Antares, descobrindo vilanias e denunciando mazelas. 

Clique aqui para conhecer o Acervo Literário de Erico Verissimo, sob a guarda do IMS deste 2009. 
Clique aqui para ver, na íntegra, a edição dos Cadernos de Literatura Brasileira dedicada a Erico Verissimo.




Bate-papo: Erico Verissimo e Incidente em Antares from IMS - Instituto Moreira Salles on Vimeo.

sábado, 14 de janeiro de 2012

História em quadrinhos é literatura?

Já pensou em ler quadrinhos?! Acha que isso é coisa de criança? 

Valentina, de Guido Crepax

Bem, já falamos aqui sobre o que é a Literatura. Agora, aproveitamos a reportagem do programa Entrelinhas - da TV Cultura -, para mostrar esclarecer: História em quadrinhos é literatura? 





Gostou do vídeo? Curte quadrinhos?
Comente dizendo a sua opinião. ;)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mas afinal, o que é literatura?

Segundo o dicionário Houaiss, a palavra Literatura (do latim: lat. litteratúra,ae 'id.', com o sentido de “letra do alfabeto, caráter da escrita”) apareceu pela primeira vez na Língua Portuguesa no ano de 1728 e designa, entre outras coisas, 
1. uso estético da linguagem escrita; arte literária; 2. conjunto de obras literárias de reconhecido valor estético, pertencentes a um país, época, gênero etc. 
A Wikipédia, por sua vez, define a Literatura como “a arte de criar e recriar textos, de compor ou estudar escritos artísticos; o exercício da eloquência e da poesia; o conjunto de produções literárias de um país ou de uma época; a carreira das letras”.


As duas acepções vêem a Literatura como Arte, e é assim que gosto de defini-la. É claro que cada pessoa tem a sua própria definição que lhe agrade mais, que lhe deixe mais confortável – que pode ou não ser parecida com as que citei acima. Para mim, Literatura é arte palpável a todos os gostos, todos os públicos (mais democrática que ela, só a música, talvez). 

E por que a Literatura é tão palpável assim?! Tudo deve ao fato de as letras – aqui, no sentido de língua, de palavras – não dependerem de dinheiro, de classe social... A língua é um domínio de todos, todos podem contar histórias se quiserem. 

Pesquisando na Internet, encontrei outra definição que vem de encontro ao que defendo: 
É o conjunto das produções do intelecto humano, falada ou escrita, que despertam o sentimento do belo pela perfeição da forma e pela excelência das idéias. (não é a obra literária em toda a sua extensão, mas só a que é capaz de provocar uma emoção)
Literatura é, portanto, uma forma artística de expressar as ideias por meio de palavras (prosa ou verso falado ou escrito). Além disso, a Literatura é mágica uma vez que permite que as pessoas que estão em contato com ela (autores e leitores) ampliem seus horizontes: a interação com todas as histórias faz com que não precisemos viver aquela experiência para conhecê-la. Falando de forma simplória, não precisamos ir a Paris para conhecer a Cidade Luz se lermos um bom livro que seja ambientado lá, por exemplo. 

E como diferenciar o texto literário do não literário (seja ele oral ou escrito)? 

Tudo vai depender do uso das palavras, da forma como o autor comunica suas ideias, seus sentimentos. O famoso poema de Gonçalves Dias exemplifica bem o que quero dizer. Ele, que sentia saudades do Brasil durante o tempo em que viveu em Portugal, poderia ter expressado este sentimento por meio de frases como: sinto falta de minha pátria ou tenho saudades do meu país. Estas sentenças, embora claras e objetivas, não fazem o uso artístico das palavras, tampouco buscam provocar um sentimento de comoção em quem as ouvem, efeito contrário de sua poesia, a célebre “Canção do Exílio”: 

Minha terra tem palmeiras, 
Foto: Palmeiras, por José Luís Mendes
Onde canta o Sabiá; 
As aves que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá. 

Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossas flores têm mais vida,
Nossa vida mais amores. 

 Em cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 

Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar - sozinho, à noite - 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 

Não permita Deus que eu morra 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu'inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 

Embora as pessoas mais comuns se sintam amedrontadas diante da palavra Arte, estabelecer um contato com a Literatura – seja como autor ou leitor – não é tão difícil quanto parece, ao contrário, é um exercício extremamente prazeroso. Que tal se permitir, se aventurar?!

_________ 
Referências: 

DANZIGER, Marlies K. e JOHNSON W. Stacy. Introdução ao estudo crítico da literatura. Trad. Álvaro Cabral, com a colaboração de Catarina T. Feldmann. São Paulo: Cultrix, 1974. Páginas: 9-14, 18-21 e 25-26. 

DIAS, Gonçalves. Canção do Exílio. Disponível em: http://www.ufrgs.br/proin/versao_1/exilio/index01.html. Acessado em 28 de dezembro de 2011, às 22h59. 

MELLO, Sebastião de. Breve definição de Literatura. Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/1802767. Acessado em 28 de dezembro de 2011, às 22h05. 

Houaiss Eletrônico. Literatura. Instituto Houaiss. Editora Objetiva. 2009. 

Folhetim. Literatura. Disponível em: http://folhetim.tripod.com/literaturatermo.html. Acessado em 28 de dezembro de 2011, às 22h15.
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