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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

[Resenha] Os gatos nunca mentem sobre o amor, de Jayne Dillon

Em Os gatos nunca mente sobre o amor, a inglesa Janye Dillon nos conta a história de seu filho Lorcan e de como a vida de sua família mudou com a chegada de Jessi-cat, a gatinha birmanesa que não mente sobre o amor.

Jayne tem três filhos. O mais velho deles, Adam, é portador da Síndrome de Aspenger, considerada um nível leve de autismo. O diagnóstico tardio fez com que Adam sofresse para entender todo o conteúdo escolar e para que a família compreendesse seu comportamento - às vezes alheio em relação aos outros. O filho do meio, Luke, sempre foi considerado uma criança normal, por não ter a síndrome; então, quando Lorcan  - o filho mais novo - começou a crescer, Jayne e David Dillon começaram a notar algumas características que já haviam visto em Adam. Foi neste momento que a luta começou.

A obra nos mostra a batalha dos Dillons para conseguir que o sistema público de saúde inglês atendesse e se esforçasse minimamente para dar um diagnóstico preciso sobre o estado de Lorcan. O problema maior é que o menino sofre de um transtorno de ansiedade denominado Mutismo Seletivo, que o impossibilita de falar em situações de estresse (como quando vai a um médico, visitar parentes mais distantes, ou durante as aulas na escola), o que tornava qualquer conversa com médicos, professores e psicólogos praticamente impossível.

É justamente quando tudo estava extremamente complicado que a família decide adotar uma gata birmanesa, a Jessi. O amor de Lorcan pela gata e da gata por ele é algo extremamente extraordinário. É com Jessi que Lorcan começa a vencer as barreiras da fala. É com ela que ele expressa o seu amor. É a partir desta relação de cuidado e zelo que um tem pelo outro que Lorcan se desenvolve.

A autora, por ser uma das testemunhas oculares deste processo, descreve toda a vivência com uma delicadeza e profundidade que é impossível não se consternar com a vida da família. De um modo geral, ela também é muito didática ao apresentar o autismo e o mutismo seletivo ao seus leitores. Ao mesmo tempo em que ela diz o que são, não fica presa aos jargões médicos. Além disso, é interessante conhecer as estratégias que escola e família usam para o desenvolvimento de Lorcan.

Embora o foco de Os gatos nunca mentem sobre o amor esteja no diagnóstico e tratamento do menino, também conta as peripécias de Jessi-cat. Afinal, a gata participou de alguns concursos, ganhou fama e foi parar na tv e no rádio - sempre com Lorcan ao seu lado.

Este livro é um livro sobre o amor. A perseverança dos pais, a abnegação dos irmãos, o trabalho dos professores, a doação da gata. Tudo gira em torno do amor sentido por Lorcan. E é isso que faz da narrativa tão bela.

Livro: Os gatos nunca mentem sobre o amor
Título original: Jessi-cat
Autor: Jayne Dillon
Tradução: Cristina Calderini Tognelli
Páginas: 216
Sinopse: Lorcan Dillon tinha sete anos quando sua mãe, Jayne, o ouviu dizer “eu te amo” pela primeira vez. As palavras não foram dirigidas a ela, mas à Jessi, seu bichinho de estimação. Lorcan é autista e sofre de mutismo seletivo, uma condição que o impossibilita de falar em determinadas situações, tornando-o incapaz de expressar emoções ou desfrutar do carinho de seus familiares. Ele nunca disse que amava alguém, mas tudo isso começou a mudar com a chegada de uma gatinha filhote chamada Jessi. Os gatos nunca mentem sobre o amor é a história tocante de como o afeto e a atenção de uma companheira amorosa possibilitou que um menininho começasse a se comunicar com o mundo que o cerca. Lorcan passa horas brincando, fazendo carinho e dizendo o quanto a ama. Ele também passou a se abrir mais para os outros, fazendo amizades na escola e progredindo constantemente. Jessi deu provas de ser tão inspiradora que recebeu os títulos de Melhor Amigo e Gato Nacional do Ano de 2012 pela Cats Protection Awards. Este livro é o relato emocionante de uma grande amizade e de como o amor entre um garotinho e seu animal de estimação mudou a vida de uma família para sempre.
Livro no skoob.

Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

[Resenha] Eu sou Malala, de Malala Yousafzai com Christina Lamb

É impossível querer conhecer e entender a história de quem e a “garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã” sem passar por outros momentos que precedem o seu nascimento. A vida da Malala que emocionou o mundo começa muito antes, com o surgimento de seu país, com a luta de seu pai numa tentativa de abrir as portas educacionais às crianças paquistanesas. Logo, Eu sou Malala é um livro que intrinsecamente narra estas três histórias: a da formação do Paquistão, a da formação da família Yousafzai e a da própria Malala e seu atentado.

Logo no prólogo, temos uma breve descrição de como foi o momento em que Malala foi baleada e desde já, somos levados a várias reflexões. Dentre elas, nos perguntamos: de que vale a violência gratuita?

A obra é dividida em 5 partes. Na primeira, há uma descrição de como a família Yousafzai se constituiu e de como era a vida antes da chegada do Talibã ao vale do Swat. Esta parte é fundamental, pois ela apresenta ao leitor as crenças, os costumes, o modo de vida da comunidade do vale, além de ser uma justificativa das convicções de Malala. A menina cresceu vendo a luta de seu pai para ter e manter suas escolas abertas, além disso, sempre gostou de ouvir as conversas dos mais velhos sobre política.

A segunda parte retrata a chegada do Talibã ao vale, a destruição do patrimônio histórico-cultural da região, a resistência de Malala e seu pai à pressão sofrida para o fechamento da escola de meninas. A violência presente no dia a dia das pessoas passa a ser cada vez mais presente e intensa. Até que culmina no que vem descrito na parte três: o atentado sofrido pela Malala – não mais por ela frequentar a escola, mas sim por ela o fazer e discursar contra as ideias radicais e extremistas dos talibãs.

Até este ponto da leitura, o livro me deixou muito dividida: se por um lado eu admiro a força e a determinação de Malala e sua família, na luta pelos direitos básicos das pessoas do Swat (seja na questão educacional, seja dividindo a própria comida com quem não tinha um grão de arroz para se alimentar); por outro, a crueldade a troco de nada, a violência, a privação e a busca desenfreada por poder só me deixou abalada. Ver os rumos da nossa humanidade assusta em certos aspectos e Eu sou Malala nos mostra uma realidade tão cruel que é impossível não se sensibilizar e não temer tudo isso.

No meio do livro há fotos dos momentos mais marcantes da vida da Malala.
A quarta parte é que relata os momentos de desespero em que os pais da Malala não sabiam ao certo a gravidade de seu acidente. Nela vemos também como a falta de infraestrutura pode ser fator determinante para o fracasso de um tratamento médico – o que me fez traçar um paralelo e pensar na realidade brasileira e no quanto as pessoas pobres sofrem com isso. É nesta parte também que vemos com detalhes como a Malala viaja até a Inglaterra, para – na quinta e última parte – entendermos como ela e sua família se estabelecem em Birmingham.

A obra termina com um prólogo em que Malala faz um relato de como é a sua vida atualmente. Percebe-se então a importância da liberdade em nossas vidas. Uma coisa é mudarmos de país por opção própria; outra é ser forçado a fazê-lo da noite para o dia, sem ter uma perspectiva de retorno. Ainda que Malala viva em pleno conforto – e possa estudar em liberdade – seu maior desejo é ver as árvores do Swat novamente, fato que não há perspectiva de acontecer tão cedo.

Eu sou Malala é um livro simples e ao mesmo tempo profundo. Sua leitura é fácil; seus fatos complexos; suas palavras tocantes e transformadoras, capazes de mudar uma vida inteira. Não há como terminar esta leitura sendo a mesma pessoa que a iniciou. Malala é exemplo, é perseverança, é vida - mesmo com o mundo dizendo para que ela fosse contra a todos os seus princípios. 

“‘Que possamos pegar nossos livros e canetas’, eu disse. ‘São as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo’”. (Eu sou Malala, Malala Yousafzai – página 324).

Capa.
Livro: Eu sou Malala
Subtítulo: A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã
Autor: Malala Yousafzai - com Chirstina Lamb
Tradução: Caroline Chang, Denise Bottman, George Schlesinger, Luciano Vieira Machado
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 360
Sinopse: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. “Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo.

Clique aqui para ler o trecho disponibilizado pela editora.
Veja aqui o livro no skoob.

PS: No livro a Malala cita um documentário que o jornal The New York Times fez sobre ela e a violência no Vale do Swat, chamado Class Dismissed in Swat Valley. Como o vídeo está disponível no youtube, segue abaixo. Ele é em inglês, mas mesmo quem não sabe o idioma consegue ter a dimensão da crueldade por todos vivida. Só em ver as imagens também dá para perceber o quanto a Malala foi corajosa em discursar tantas vezes contra o Talibã.



Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no designdiPoesia

domingo, 22 de setembro de 2013

[Mercado Editorial] Intrínseca lançará biografia de Salinger

Famoso por seu livro O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger será tema de biografia 
publicada pela editora intrínseca em janeiro de 2014. Leia abaixo as informações divulgadas pela editora:

Enquanto muitos autores buscam os holofotes, J.D. Salinger fugiu deles após o estrondoso sucesso que seu livro O apanhador no campo de centeio fez a partir do lançamento em 1951. O diretor e roteirista Shane Salerno (Selvagens) passou os últimos nove anos coletando informações sobre a vida do autor recluso e acaba de lançar nos Estados Unidos o documentário Salinger, juntamente com o livro de mesmo título escrito em coautoria com David Shields. 
Entre as revelações da biografia — negociada pela Agência Riff e que a Intrínseca publicará em janeiro de 2014 — está um cronograma de novos trabalhos do autor que trarão ao público personagens conhecidos como Holden Caulfield e a família Glass, além de materiais inéditos. 
Abaixo, trailer do documentário (sem previsão de estreia no Brasil):

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Chega às livrarias Lincoln

Hoje chega às livrarias a biografia que baseou a pesquisa para a produção do filme Lincoln. A obra é publicada no Brasil pela Editora Record. Veja a capa abaixo: 


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Nova biografia de Michael Jackson diz que o cantor morreu virgem

Depois de uma morte polêmica, uma nova biografia sobre o rei da música pop surge para gerar controvérsias. Em Untouchables, Randall Sullivan apresenta sua opinião sobre a vida sexual de Michael Jackson.

Embora não prove o que afirma na obra, Sullivan baseia-se nas falas de Tom Mesereau, advogado que defendeu o cantor das acusações de abuso sexual de crianças, de que o mais famoso dos Jacksons faleceu virgem.

Alguns trechos da obra foram divulgados nesta segunda-feira, 12 de novembro, no jornal americano The New York Times. Em um deles, o autor afirma que
"De todas as respostas que alguém pode dar sobre a pergunta central envolvendo a memória de Michael Jackson, a que tem mais apoio das evidências é a de que ele morreu como um virgem de 50 anos, tendo nunca feito sexo com nenhum homem, mulher ou criança, em um estado especial de solidão que é responsável em grande parte por ele ter se tornasse único enquanto artista e tão infeliz enquanto ser humano".
Será que Sullivan é mais um autor tentando se aproveitar da fama de Michael Jackson ou ele tem razão no que escreveu? A resenha apresentada pelo periódico americano critica a obra por não trazer nenhum fato inovador - além da virgindade em questão -, inferindo que o livro foca apenas nos pontos já apresentados por todos que já falaram do astro da música. O texto termina afirmando de forma categórica:
"Os fãs do talento do Jackson (e até aqueles leitores que apenas são curiosos sobre o fenômeno que ele foi nos palcos) poderiam saber mais da vida do cantor assistindo a um documentário - ou vídeos de seus shows no YouTube - do que lendo este livro cheio de besteiras e completamente dispensável".

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Especial Carlos Drummond de Andrade: Vida e Obra

Para abrirmos o nosso especial do aniversário de 100 anos de Carlos Drummond de Andrade, que tal conhecermos um pouco de sua vida e obra - que muitas vezes se confundem?


Abaixo, trazemos um pequeno documentário feito pela TV Cultura, sobre o nosso aniversariante. Para quem já o conhece bem, uma chance de se deleitar; para quem não o conhece... senhoras e senhores, o Poeta de Sete Faces!


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Indicações da Semana #16 - Especial Amy Winehouse

Olá amigos do Nosso Clube do Livro!
Como hoje faz um ano da partida de Amy Winehouse - um ano de muita falta no mundo da música - fizemos uma pequena lista de indicações de livros sobre a cantora. 

Livro: Amy, Amy, Amy
Subtítulo: A história de Amy Winehouse
Autor: Chas Newkey-Burden
Editora: Madras
Páginas: 152
Ano: 2010
Sinopse: Este livro percorre toda a jornada errática de Amy Winehouse para a fama, desde sua infância em uma família judaica de North London, até sua subida meteórica ao estrelato e os dois álbuns que a elevaram para o topo. Nick Johnstone desvenda a vida e a carreira de uma das estrelas britânicas mais brilhantes e problemáticas. Seus problemas bastante divulgados com álcool e drogas, anorexia, bulimia e suspeita de autoflagelo a mantêm nas manchetes e ameaçam obscurecer seu talento como cantora. Amy, Amy, Amy reestabelece o equilíbrio, atribuindo a medida real ao talento de Winehouse enquanto oferece um relato honesto de suas múltiplas crises pessoais.


Livro: Amy Winehouse
Subtítulo: Biografia
Autor: Nick Johnstone
Editora: Gobo
Páginas: 200
Ano: 2008
Sinopse: Amy Winehouse foi uma das artistas mais contundentes e polêmicas da atualidade. Mesmo após a morte prematura, a cantora e compositora inglesa ainda ocupa posição de destaque no ranking das poucas unanimidades de público e crítica na história da música. Numa carreira meteórica - interrompida em 23 de Julho de 2011, quando foi encontrada morta em sua casa em Camdem Town (Londres) -, produziu dois álbuns extremamente sofisticados - Frank e Back to Black. No primeiro, lançado em 2003, a predominância da sonoridade jazzística faz jus ao título em homenagem a Frank Sinatra. Já no segundo, de 2007, o jazz mistura-se ao soul e recebeu vários prêmios, entre eles o BRIT, Modo (Music of Black Origin), Vodafone Live Award, Q Awards e cinco categorias do Grammy 2008. Além de ter fascinado os intelectuais da mídia especializada com seu estilo clássico, Amy vendeu milhões de discos e estreou na cobiçada lista da Bilboard em 7º lugar entre 200 sucessos.

Apesar da voz impressionante e da musicalidade de altíssimo nível, a qualidade artística de Amy foi ofuscada por problemas pessoais. Escândalos, drogas, depressão e bulimia começaram a prejudicar sua performance nos palcos e despertaram o interesse das mídias sobre celebridades. A biografia, escrita pelo jornalista britânico Chas Newkey-Burden, nos conta não só dos "pé na jaca" da cantora, mas também da época de anonimato, das influências, das escolas artísticas que a formaram, além de críticas dos jornais mais prestigiados do mundo.

Amy Winehouse - Biografia começa a traçar a história da compositora de "Rehab" a partir de sua família. Seus tios tinham banda de jazz e seu pai adorava Frank Sinatra, Thelonious Monk e Ella Fitzgerald. "Aprendi a cantar ouvindo Ella", diz Amy num trecho da biografia. Com 14 anos, a inglesinha ganhou sua primeira guitarra - uma Fender Stratocaster. Desde então, começou a tocar, compor e cantar. Nesta época, ganhou uma bolsa de estudos na Sylvia Young Theatre School, mas foi convidada a sair por mau comportamento. Mais tarde, ingressou na BRIT Performing Arts & Technology School, mas também não durou muito. Com a gravação do segundo disco, a fama caótica tem início. Um escândalo por dia, magreza, overdose. E quase esquecem de sua música, uma arte que nunca foi menos do que fantástica. Esta edição aborda fatos da trajetória da cantora até 2008.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Especial Machado de Assis: ontem, hoje e sempre

Há 173 anos nascia, no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, o maior ícone da literatura brasileira: Joaquim Maria Machado de Assis. Fundador da Academia Brasileira de Letras, órfão muito cedo, mulato, gago, além de sofrer de epilepsia e compleição nervosa, fatores que o levou a adotar uma postura taciturna, refletida em personagens como Bentinho, o nosso Dom Casmurro.

Embora sua obra faça parte de nosso cânone, Machado de Assis pouco frequentou o ensino regular. Após ser alfabetizado em uma escola pública, aprendeu francês e latim com Silveira Sarmento, um padre amigo da família. Os outros conhecimentos construídos ao longo da vida foram obtidos de forma completamente autodidata. Ao completar quinze anos, teve o seu primeiro poema publicado no Periódico dos Pobres, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”. Aos dezesseis, começou a trabalhar como tipógrafo aprendiz na Imprensa Nacional, local em que conheceu Manuel Antônio de Almeida. Passado algum tempo, passou a trabalhar na redação do Correio Mercantil.

Carolina, mulher do autor
Durante a década de 1860, escreveu para o teatro. Suas peças, no entanto, eram, nas palavras de Quintino Bocaiuva, “para serem lidas e não representadas”. Também nesta época, escreveu os versos de Crisálida. Já em 1869, casou-se com uma irmã de seu amigo, Carolina Augusta Xavier de Novais, com quem viveu até o fim de sua vida e lhe serviu de inspiração para a personagem Dona Carmo, de Memorial de Aires.

Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Da mesma época, datam Contos Fluminenses (1870), Histórias da Meia-Noite (1973), A mão e a luva (1974), Helena (1976), Iaiá Garcia (1978). Também intensificou a produção de contos, crônicas e poesias, que foram publicadas como forma de colaborar nas publicações O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira. Estes trabalhos são tidos da fase romântica, para muitos literários, por apresentarem características mais próximas ao Romantismo.

Compilado os folhetins publicados na Revista Brasileira entre 15 de março a 15 de dezembro de 1880; nasce, em 1881, o romance que leva Machado de Assis a exprimir sua maturidade de escritor e ir ao encontro com uma literatura realista: Memórias Póstumas de Brás Cubas. Sobre o romance, Alfredo Bosi¹ afirma que:
“A revolução dessa obra, que parece cavar um fosso entre dois mundos, foi uma revolução ideológica e formal: aprofundando o desprezo às idealizações românticas e ferindo no cerne o mito do narrador onisciente, que tudo vê e tudo julga, deixou emergir a consciência nua do indivíduo, fraco e incoerente. O que restou foram as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas”.
Depois de Memórias Póstumas, vieram outras obras de igual importância, que confirmaram a grandeza do autor. São elas: Histórias sem data (1884), Quincas Borbas (1892), Várias histórias (1896), Páginas recolhidas (1899), Dom Casmurro (1990), Esaú e Jacó (1904), Relíquias da casa velha (1906) e seu último romance, Memorial de Aires (1908).

Do círculo de intelectuais que frequentavam a redação da Revista Brasileira – dentre eles: José Veríssimo, Graça Aranha, Joaquim Nabuco e Visconde de Taunay – fomentou-se a ideia da criação da Academia Brasileira de Letras, fundada em 28 de janeiro de 1897. Machado de Assis foi o primeiro presidente, fundando a cadeira de nº 23 e tendo José de Alencar como seu patrono.


Em 29 de setembro de 1908, Machado de Assis faleceu, na cidade do Rio de Janeiro, devido a uma úlcera cancerosa. As homenagens fúnebres a ele feitas na Academia Brasileira de Letras tiveram como porta-voz Rui Barbosa.

Com sua literatura, que ultrapassa as fronteiras de quaisquer escolas literárias, pode-se afirmar que os escritos machadianos ganharam o peso de obra-prima, fazendo dele um dos maiores escritores em Língua Portuguesa, ontem, hoje e sempre!





___________________
¹Alfredo Bosi é professor universitário, crítico, historiador de literatura brasileira e membro da Academia Brasileira de Letras. Sua citação apresentada no texto está publicada na seguinte bibliografia: BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2006. Página 187.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Companhia das Letras prepara biografia de ex-presidente

Presidente Getúlio Vargas, em 14 de outubro de 1951.
O jornalista Lira Neto irá publicar, por meio da Editora Companhia das Letras, uma biografia sobre Getúlio Vargas. Dividida em três partes, a história de nosso ex-presidente será divida em 3 volumes, com cerca de 500 páginas cada um. O lançamento do primeiro livro está previsto para o início de 2012. 


Além de Presidente da República, Vargas também atuou como deputado estadual, ministro da fazenda, governador e comandante da Revolução de 1930. Foi presidente por duas vezes, sendo que a crise política de seu segundo mandato o levou ao suicídio, na madrugada de 24 de agosto de 1954. 

Para nos prepararmos para o que vem por aí, segue abaixo o texto integral da carta-testamento escrita por Getúlio Vargas, encontrada no dia de seu suicídio: 

"Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. 

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. 

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. 

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. 

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História". 

Getúlio Vargas

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