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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

[Resenha] A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro

Sempre ouvi muito a respeito de A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro. Uns falavam bem, outros mal, a maioria focava na sacanagem em questão. Por isso resolvi aproveitar as férias para tirar a prova dos nove com os meus próprios olhos. 

Fernanda Torres, na adaptação teatral de A casa dos budas ditosos.
A obra começa com uma nota do autor dizendo que recebeu os relatos de CDL gravados em fita. A baiana de 68 anos resolve rasgar o verbo sobre a sua vida e pede para que o autor publique sua história. Distante dos fatos, o escritor menciona que apenas transcreveu o texto, que se transformaria no volume sobre a luxúria, da série Plenos Pecados, publicada pela editora Objetiva.

De fato, a vida de CDL é pautada em seu pleno apetite sexual, já quem ela mesma, em um momento epistemológico, diz que q vida ser resume a foder. Contudo, ao contrário de muitos livros sobre a lascívia, A casa dos budas ditosos traz uma reflexão intensa sobre a forma como a sociedade vê não apenas o sexo em si, mas a ética e o papel das mulheres no cotidiano.

CDL defende que todas as pessoas são seduzíveis. Partindo deste princípio, nossa narradora mostra como é capaz de corromper outra pessoa (homem ou mulher) por meio da oferta do prazer. É assim que ela consegue notas enquanto cursa Direito na universidade. É assim que - por meio de uma barganha nunca cumprida - cursa a pós-graduação no exterior. Também é assim que consegue drogas, quando passa a consumi-las. Entretanto, ela não usa o sexo como um negócio apenas, já que nossa narradora realmente sente prazer não apenas em conhecer o próprio corpo, mas também em explorar os corpos das pessoas com quem se relaciona.

João Ubaldo Ribeiro é um escritor visionário neste sentido. Em vários momentos ele - por meio de sua narradora - defende que as mulheres tenham a mesma liberdade que os homens ao se relacionar. Além disso, em vários trechos, sua obra condena a visão que muitos homens têm que relaciona a experiência sexual feminina a algo vulgar. CDL relata que muitas vezes teve que fingir que não sabia o que fazer na hora da transa para conseguir que seu parceiro relaxasse e aproveitasse o momento. Ela diz que se fizesse de cara o que pretendia - e acabava fazendo quando o homem se sentisse mais à vontade e seguro, normalmente não na primeira saída -, o parceiro a julgaria e perderia o tesão por ela. 

A obra defende a todo o instante a liberdade feminina, entretanto, condena a visão estereotipada que muitos têm sobre o feminismo. Nossa protagonista diz - e com razão - que ser feminista não é querer ver os homens numa posição inferior a das mulheres, mas sim ter os direitos de igualdade, de liberdade de fazer o que quiser com o seu corpo sem ser julgada, de trabalhar e ocupar os espaços sem ter alguém olhando torto, de agir conforme a própria vontade e não como a sociedade acha melhor. Se hoje podemos discutir sobre esta maneira de pensar mais aberta e facilmente - internet, sua linda! - em 1999 (ano de publicação da primeira edição do livro) a coisa não era tão fácil quanto parece. Só pela coragem em trazer esta questão à roda, Ubaldo Ribeiro merece o destaque tão merecido que o livro teve.

Embora tenha esta carga reflexiva e algumas intertextualidades - CDL é uma pessoa que, por ser estudada, conhece e cita outros escritores e filósofos ao longo de suas digressões -, a narrativa é de fácil entendimento. A narradora fala como se estivesse conversando diretamente com o seu leitor, contando os fatos como lhes vem a mente. As vezes, eles podem chocar os leitores menos abertos ao amor livre (como quando conta dos relacionamentos com o irmão, com o tio e com algumas mulheres a quem amou), mas tudo é contado com sentimento e sinceridade. Aliás, a sinceridade é um dos ingredientes que prendem o leitor para querer saber que fim, afinal, a história terá.

Que A Casa dos Budas Ditosos é uma obra extremamente bem feita é inegável. Polêmica? Talvez. Mas, sem dúvida, uma leitura que vale a pena ser feita.

Livro: A Casa dos Budas Ditosos
Autor: João Ubaldo Ribeiro
Páginas: 164
Editora: Objetiva
Sinopse: Quando vários jornais anunciaram que João Ubaldo Ribeiro estava escrevendo um romance sobre a luxúria, para a coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, o escritor foi surpreendido com um misterioso pacote em sua portaria. Eram os originais de A Casa dos Budas Ditosos. Depois da gula (Luis Fernando Verissimo), da ira (por José Roberto Torero) e da inveja (por Zuenir Ventura), chega agora a vez de João Ubaldo escrever sobre a luxúria na coleção Plenos Pecados. O livro traz a história de CLB, uma mulher de 68 anos, nascida na Bahia e residente no Rio de Janeiro, que jamais se furtou a viver - com todo o prazer e sem respingos de culpa - as infinitas possibilidades do sexo. Seriam as memórias desta senhora devassa e libertina um relato verídico? Ou tudo não passa de uma brincadeira do autor? Nunca saberemos. Importa é que ninguém conseguirá ficar indiferente à franqueza rara deste relato e a seu humor corrosivo.
Livro no skoob.

Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

sábado, 10 de janeiro de 2015

[Resenha] O irmão alemão, de Chico Buarque


O mais novo livro do Chico Buarque, O irmão alemão, é simplesmente genial. Astuto como é, o autor misturou fatos da sua vida real com a ficção para compor uma história que envolve e comove o seu leitor.

Narrado em primeira pessoa, Francisco de Hollander, o Ciccio, nos apresenta a sua vida – desde a adolescência até a fase adulta – e sua busca pelo (meio) irmão alemão, que ele descobre, por acaso, ser filho de um breve relacionamento que o pai teve enquanto morou na Germânia, antes da Segunda Guerra Mundial. No entanto, ao longo da narrativa, nota-se que esta busca não é apenas a de um reencontro com um desconhecido com o mesmo sangue, é uma busca pela própria identidade e pelos laços familiares.

Por ser testemunha ocular do período da ditadura militar, Chico Buarque consegue inserir seu personagem com maestria no período. Para quem conhece bem São Paulo (principalmente a região central, entre a República e as Avenidas Paulista e Teodoro Sampaio), fica impossível não se ver andando com Ciccio e não se transformar em testemunha ocular de todas as suas peripécias.  Com ele vamos em busca de Anne Ernest, ex-namorada de seu pai, e seu filho, Sergio Ernest, o tal irmão alemão. 

Sergio de Hollander, o pai dos irmãos em questão, é intelectual consagrado. Então, a história, de certa maneira, não deixa de ser uma ode de amor aos livros. Definitivamente, os amantes de bibliotecas desejarão viver na casa dos Hollander, já que ela tem suas paredes revestidas de livros raros – que Ciccio faz questão de exibir na universidade enquanto cursa Letras. Além disso, para dar cada vez mais um tom verossímil à narrativa, ao longo do livro há cópias escaneadas de documentos reais que comprovam a existência do irmão alemão.

Um dos documentos que faz parte do acervo da família Buarque de Holanda

Após muita pesquisa, Chico Buarque conseguiu traçar um roteiro belo e intenso, que culmina com um final poético a um fato histórico-literário de seu passado em que afeto e autoconhecimento se tornam um sentimento só.

Livro: O irmão alemão
Autor: Chico Buarque
Páginas: 240
Sinopse: Sergio Buarque de Holanda morou em Berlim entre 1929 e 1930, como correspondente de O Jornal, órgão dos Diários Associados. Na cidade travou contato com nomes relevantes da intelligentsia local, como Thomas Mann - a quem entrevistou nos elegantes salões do Hotel Adlon, no bulevar Unter den Linden - e o historiador Friedrich Meinecke - a cujas aulas assistiu. Essa Berlim brechtiana foi também cenário de uma aventura amorosa entre o brasileiro e certa Anne Ernst, da qual resultou um filho, Sergio Ernst, que o pai jamais conheceu. De volta ao Brasil, Sergio Buarque daria largos passos rumo ao ensaísmo acadêmico, se tornaria professor universitário e diretor de museu, logo um dos maiores intelectuais do país. Casou-se, teve sete filhos, entre os quais Chico Buarque. Seu “mau passo juvenil” não era exatamente um tabu, porém estava longe de ser assunto na família. Chico só soube da história em 1967, aos 22 anos. Estava na casa de Manuel Bandeira em companhia de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, e o poeta pernambucano deixou escapar algo sobre aquele “filho alemão do seu pai”. Quando se preparava para escrever um novo romance, o autor pediu a Luiz Schwarcz - como costuma fazer ao fim dos períodos de entressafra literária - que lhe enviasse livros de que gostara nos últimos tempos. No pacote foram Austerlitz, de W. G. Sebald, cruciante investigação ficcional da memória e da história pessoal, e Paris, a festa continuou, de Alan Riding, uma história narrativa das manifestações culturais na Paris ocupada pelos nazistas (a bem da verdade um relato da acomodação de grande parte dos artistas e empresários da cultura franceses às forças de ocupação). A leitura de Austerlitz despertou em Chico Buarque a angústia pelo destino incerto desse irmão que jamais conhecera - e que bem poderia ter sucumbido aos anos de terror numa “cidade bombardeada e partida ao meio”, ou mesmo cerrado fileiras com a juventude hitlerista. Transcorridas quase cinco décadas, decidiu então tomar o assunto como matéria para um novo livro. Logo assomou a necessidade de saber o que se passara com Sergio Ernst, por motivos afetivos mas agora também literários. Afinal, como desatar os nós da narrativa sem conhecer o fim da história real? Por sua vez, um pianista salvo do nazismo pelo mítico benemérito americano Varian Fry, citado em Paris, a festa continuou, evocou lembranças da infância paulistana do autor -, e deu-lhe o mote para uma figura central do romance. Começava-se assim a desenrolar o novelo. Chico Buarque já enfrentava as primeiras páginas quando tomou conhecimento de uma correspondência - preservada por sua mãe, Maria Amelia Buarque de Holanda - entre autoridades do governo alemão e seu pai, ali chamado de Sergio de Hollander. Já no poder, os nazistas queriam se certificar de que a criança, então sob a guarda do Estado, não tinha antepassados judeus, a fim de liberá-la para adoção. Ao tomar ciência do teor dos documentos, Chico deu início a uma pesquisa exaustiva sobre a vida e o paradeiro do garoto. Por intermédio do historiador brasileiro Sidney Chalhoub, acionado pela editora enquanto passava um período acadêmico em Berlim, os pesquisadores João Klug (historiador) e Dieter Lange (museólogo) embarcaram num trabalho verdadeiramente detetivesco, conseguindo afinal traçar o destino do “irmão alemão”, com descobertas surpreendentes. O irmão alemão reproduz ficcionalmente essa pesquisa real, mas não é um relato histórico. O autor usa a realidade como fonte da ficção. A narrativa se estrutura numa constante tensão entre o que de fato aconteceu, o que poderia ter sido e a mais pura imaginação. Na São Paulo dos anos 1960, o adolescente Francisco de Hollander, ou Ciccio, encontra uma carta em alemão dentro de um volume na vasta biblioteca paterna, a segunda maior da cidade. Em meio a porres, roubos recreativos de carros e jornadas nem sempre lícitas a livros empoeirados, surgem pistas que detonam uma missão de vida inteira. Ao tentar traçar o destino de seu irmão alemão, parece também estar em jogo para o narrador ganhar o respeito do pai, que, apesar dos arroubos intelectuais de Ciccio, tem mais afinidade com Domingos, ou Mimmo, seu outro filho, galanteador contumaz, leitor da Playboy e da Luluzinha, e sempre a par das novas sobre Brigitte Bardot. A despeito das tentativas de mediação da mãe, Assunta - italiana doce e enérgica, justa e com todos compreensiva -, a relação dos irmãos é quase feita só de silêncio, competição e ressentimento. Num decurso temporal que chega à Berlim dos dias presentes, e que tem no horror da ditadura militar brasileira e nos ecos do Holocausto seus centros de força, O irmão alemão conduz o leitor por caminhos vertiginosos através dessa busca pela verdade e pelos afetos.


Veja o autor lendo trechos da obra:




segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Gleice Couto e Victor Almeida lançam conto de Natal

Onde encontrei meu lar foi escrito pelos autores Gleice Couto e Victor Almeida e conta a história de Nathan e Manu, dois melhores amigos tentando mudar memórias e construir algumas novas em plena época de Natal.

O conto pode ser lido gratuitamente via Wattpad e pode ser comprado na loja da Amazon. Ele também estará disponível em breve na loja da Kobo.





"Meu coração ficou pequeno e se perdeu em algum lugar dentro do meu peito. Era para Nathan estar ali. Ele sempre sabia como encontrá-lo." 


Ela não queria suas memórias.
Ele queria reconstruí-las. Mas, juntos, poderiam criar uma nova.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

[Com a palavra: o autor] Um conto de Natal de Cesar Ferraz

Jake Bell

Foto por Jack Berry, sob licença creative commons.

Jake Bell nunca se conformou em ter um sino em seu sobrenome. Motivo de chacotas e brincadeiras sem graça na escola, Jake ficava irritadíssimo quando o Natal chegava. Era toca o sino aqui , bate o sino ali, sempre envolvendo brincadeiras que deixavam o garoto num estado de bullying constante. 

- Mas que droga de Natal! Odeio esta época do ano. Se pudesse, eu desejaria que o Natal nunca existisse com todas as minhas forças! - praguejava ele com intensidade. 

Era manhã, início da semana de Natal em Nova Iorque. Jake já tinha fechado as notas da maioria das matérias e naquele dia ele saíra duas aulas mais cedo da escola Townsend Harris High School onde estudava. Não esperaria Jimmy sair, seu irmão menor. Demoraria muito e ele tinha mais o que fazer. Iria deixar esta tarefa para Lucy, sua mãe. 

Jake saía sem pressa, pelo portão da escola afora digitando uma mensagem SMS no seu celular para sua mãe quando Dean, um colega mais velho de que Jake não gostava muito, o interrompeu: 

- Hey o que foi Dean? Nos vemos no apartamento do Sean às três horas Jake. Não esquece de levar sua parte meu chapa. 

- Chapa? Ah tudo bem, eu estarei lá... chapa. 

Eles se despediram com um toque de mãos. O garoto estranhou aquele convite inesperado pois não se lembrava de ser amigo de Dean quanto menos de Sean, o anfitrião. Mais estranho ainda foi não ter sido alvo de brincadeiras com sinos por ele e por nenhum dos seus outros conhecidos que estavam ali, como sempre faziam na saída da escola nesta época do ano. Deixaram-no simplesmente sair caminhando em paz. Assim que os primeiros flocos de neve caíram em seu rosto gelando seu nariz, Jake enrolou o cachecol verde-musgo em volta de seu pescoço dando um sorriso gostoso de alívio e comemoração. Em seguida terminou de enviar seu SMS: 

- MÃE, SAÍ MAIS CEDO NÃO VOU ESPERAR O JIMMY. PODE PASSAR PARA PEGÁ-LO? VOU VOLTAR CAMINHANDO PRA CASA. ATÉ MAIS TARDE. 

“Enviar”. 
Então ele saiu caminhando pelas calçadas do Queens rumo ao Parque Corona. Jake morava do outro lado do parque, bem entre os lagos Meadow e Willow. Ele não pode deixar de notar uma sensação estranha. Que dia atípico era aquele! Pela primeira vez em muito tempo ninguém vinha com graça pro lado dele. 

Embaixo da fina camada de neve que caía, Jake passava entre os vários transeuntes. Estavam todos apressados, esbarrando ora em um ora em outro. Parecia que aquele clima de Natal tinha sumido. 

- O que está acontecendo hoje hein? Mas que dia! Ninguém olha por onde anda! O mundo todo acordou virado para a lua? 

Ele percebera que as pessoas estavam apáticas e caminhavam feitas robozinhos programados para atingir seus destinos. 

- Aww!! - gritara ao esbarrar numa pesada bolsa Victor Hugo de uma senhora toda produzida que nem ao menos virou-se para se desculpar do garoto.

- Hey senhora, é Natal afinal não é? Mais atenção com o próximo por favor! Não acredito no que vou falar, mas já começo a sentir falta do espírito natalino! - complementou em pensamentos. Mas ninguém prestava atenção em Jake. Era como se ele não existisse. Nem mesmo sua mãe respondera seu SMS.

Ao lado da escola ficava o cemitério Hebron onde seu avô, Jacob, estava enterrado. Jake resolveu dar uma passada para uma breve conversa com o avô. Caminhou até o lado oeste do cemitério onde se encontrava a lápide de Jacob Francis Bell. Ela, assim como todas as outras, estavam visivelmente abandonadas. Sujas, com a grama mal cortada, enfeitadas de flores mortas e ressecadas. Quase como que esquecidas pelas pessoas.

- Eu não acredito vô, que deixaram esse lugar nesse estado. Ah se o senhor ainda estivesse vivo seria o primeiro a cuidar disso aqui. Talvez eu volte amanhã e dou um jeito de melhorar as aparências tudo bem? O senhor não merece esse descaso todo. Não tem nem um mês que passei por aqui e estava tudo tão diferente! O Que será que aconteceu? O dia está todo esquisito vô. Me conte por favor o que está acontecendo que eu mesmo não faço ideia.

- Hey garoto! - disse em voz alta o zelador do cemitério que caminhava na direção de Jake. Garoto, o que está fazendo aqui? Visitando o meu avô oras! E posso saber por quê? Esse lugar não recebe visitas há séculos!

Jake olhou ao seu redor numa mirada de 360 graus e realmente não viu vivalma.

- Ora senhor, simplesmente porque é meu avô e já que estamos quase no Natal vim ter uma conversa franca com ele. Poderia me deixar a sós?

- Você veio para o Natal? Mas o que é Natal?

- Como assim o que é Natal! Você também está louco? Até você? Vai pra casa garoto! É perigoso ficar aqui sozinho e eu não posso ficar cuidando de você. Já tenho que ir para a ala leste. Anda tendo muitos assaltos nas redondezas e...

- Vô eu preciso ir agora - disse Jake em pensamento.

Ele saiu sem dizer uma só palavra ao zelador. Estava mais confuso agora do que quando entrou naquele lugar. Começava a realmente se preocupar. Aquilo parecia tão irreal...

Saindo do cemitério, mais um susto tomou quando chegou ao parque e percebera que toda a decoração de Natal tinha desaparecido. O lugar estava morto, vazio e solitário. Esbranquiçado com a neve e gelado com o dia frio que fazia.

“Onde estaria a gigante árvore de Natal que colocaram lá há algumas semanas atrás?“ Se perguntava Jake que passava por ali todos os dias.

Beep! Beep! ... Beep! Beep! Era seu celular. Finalmente minha mãe respondeu! Ao pegar para ler a mensagem, Jake se decepcionara mais uma vez.
- JAKE VOLTE E PEGUE SEU IRMÃO. QUE FILHO PREGUIÇOSO EU TENHO!

Sua mãe não costumava falar assim com ele. O que estava acontecendo com as pessoas? E então sua própria voz começou a ecoar em sua cabeça com suas últimas frases na escola: “Se pudesse, eu desejaria que o Natal nunca existisse... Se pudesse, eu desejaria que o Natal nunca existisse...”

Jake sentou no gramado extenso do parque Corona e começou a pensar no que estava errado. Não pode ser, não pode ser! - exclamava angustiado.

- Que seja para eu aprender a valorizar mais esta época do ano. Eu nunca me importei, sempre preocupado com as brincadeiras que faziam comigo, com o sino que eu carregava em meu nome. Mas realmente, as pessoas nesta época eram mais felizes, mais sorridentes, mais caridosas. Pode ser uma pura besteira e invenção capitalista, mas o sentimento das pessoas era real. Era a época em que o ser humano era mais humano, em que as pessoas se olhavam nos olhos e que tudo parecia mais fácil de perdoar, de reconsiderar, de olhar com outros olhos. É isso! - pensou exaltado - Eu perdoo a todos aqueles que me zombaram. Página virada, vida nova!

BLÉM BLÉM BLÉM!!! Jake começara a escutar alguns sinos mas não havia nenhuma igreja ali por perto. BLÉM BLÉM BLÉM!!! O barulho foi ficando cada vez mais audível até que a voz de Dean ecoou em sua cabeça: Toca o sino, pequenino...

- HAHAHAHAHA

- Jake acorde!!! Acorde Jake!

Assim, Jake percebera que tudo era um sonho e seus colegas estavam ali tirando sarro dele como sempre faziam e tocando um sino emprestado da professora próximo à sua orelha. Dean badalava o sino freneticamente enquanto Jake pulava de susto desperto e confuso. Enquanto isso, a Srta. Keity Simmons, professora de literatura, repreendia Dean por tocar seu sino na sala de aula sem autorização e Jake por estar dormindo.

- Vocês dois, pra diretoria agora!

Jake olhou pra ela sorridente e disse:
- Feliz Natal pra você também professora! E pra você também Dean! - dizia aliviado ao voltar para a realidade enquanto dava um tapa na cabeça de Dean e saía correndo pelo corredor da escola rumo à sala da Sra. Memphis, diretora da escola.

A professora não entendeu nada e Dean fez uma cara de reprovação. Logo depois saiu correndo atrás dele:

- Volte aqui moleque! Garoto estranho! - dizia Sean ao observar os dois saindo da sala.

Daquele dia em diante, Jake se tornara um rapaz mais vivo e sorridente. Se deu melhor com seus amigos pois também passou a levar tudo menos a sério, mais na brincadeira. A vida tornou-se mais leve para Jake quando começou a acreditar mais no espírito natalino. Naquele momento, desejava que flocos de neve caíssem novamente em sua face e,  por que não, com ao fundo de Jingle Bells...

Sobre o Autor:
Cesar Ferraz é cientista, ator, viajante e peregrino. Apaixonado por games e tecnologia. Mora em São Paulo, mas está sempre em algum canto do mundo. Leitor e escritor, é apaixonado por literatura fantástica e infanto-juvenil, universo este que o inspirou a escrever sua primeira obra: Noah Stalder.

domingo, 30 de novembro de 2014

[Resenha] Segundos Depois, de Vinícius Márquez

Página 55 de Segundos Depois.

Poeticamente visceral, assim é a escrita de Vinícius Márquez em Segundos Depois, uma publicação da Livros Ilimitados. Composto por crônicas que abordam temas triviais da vida em grandes cidades, Márquez leva o seu leitor à uma reflexão profunda sobre a busca pelo amor, sobre a relação em sociedade, sobre o desejo (de amar e de transar), sobre quem afinal é Deus, sobre a verdade e a mentira, sobre o erro e o acerto, sobre o modo e o por que de agirmos como agimos. Tido por alguns como poeta maldito - e o "maldito" é aqui empregado com o sentido mais digno que esta palavra pode ter - o autor rasga o verbo, expondo a sua alma e - de certo modo - levando a nós, leitores, para o olho do furacão sentimental que é viver.

"Eu nunca mais te vi, te amei, abandonei, admirei, abominei, senti falta, quis, tirei a roupa, me decepcionei, despachei, alucinei, pedi perdão, voltei, vi o mar, a pauta, a tinta, o coração que batia em minhas mãos... ainda em lugar comum. Fui em festas esquizofrênicas". 
(Vinícius Márquez, in: Segundos Depois - página 112)

Em tom confessional, Márquez conversa com o seus leitores. Isso faz com que a leitura flua de uma maneira que parece que o autor está ali, frente a frente, olhando nos olhos de quem o lê. Por ser claro a ponto de não fazer reservas a uso de palavrões, percebe-se que parte dos seus textos ganham um cunho poético, de quem está desesperadamente precisando colocar os sentimentos para fora. Esta necessidade transforma as palavras em belos textos.

A introspecção que se transforma em poesia é um tanto filosófica. O autor que, sozinho se perde em tantas vozes e gentes, ecoa verdades que levam aos leitores refletirem sobre trivialidades importantes que passam despercebidas (como o nascer e o por do Sol?). Erros e acertos que nos elevam e nos faz querer que a obra não se finde, para que a conversa com Márquez seja infinita, mesmo que seja sentimental, banal ou teatral.

"Eu fui implorar fui por baixo, joguei fora, e me senti o último. Vou procurar terapia. Alguém calmo e centrado, com família, problemas organizados, filhos... para me falar onde eu erro. Eu sei onde. Qualquer idiota alemão, desses que sambam o "tico-tico no fubá", diria que o problema está no desejo. (...) Eu queria dar, comer, queria amar, sumir, morrer... tudo ontem. Estou tão humilhado pela noite não ter sido, ter saído, bebido, por estar menstruado numa lua cheia que truqueira, minguava. Mapa errado. Sou daquele décimo terceiro signo, o tal que o buraco negro chupou, que entrou pelo cano cósmico: o serpentário. Liguei para a ex-namorada... Humilhação derradeira, que se é pra errar erra inteiro".
(Vinícius Márquez, in: Segundos Depois - página 65)

Além do talento do autor, o projeto gráfico do livro é simplesmente impecável. Desde a capa - passando pelo prefácio escrito por Caio Sóh - já somos preparados para a magnificência dos textos que o compõe. A cada etapa, páginas inteiras dão destaques à trechos das crônicas - o que faz com que o leitor se delicie ainda mais em meio ao banquete de caos que é oferecido nos textos. Tudo para que queiramos mais e mais.

"É difícil desejar demasiadamente uma coisa sabendo que a diferença entre correr atrás e ficar lendo um livro, é mínima". 
(Vinícius Márquez, in: Segundos Depois - página 20)

Livro: Segundos Depois
Autor: Vinícius Márquez
Páginas: 140
Editora: Livros Ilimitados
Selo: AB Books
Sinopse: Após seu último e bem sucedido lançamento, o livro de fantasia e ficção científica Os Arqueiros do Rio Vermelho, Vinícius Márquez retorna ao estilo que o consagrou na cultuada obra Amor em 79:05, em mais um lançamento pelo selo AB Books. Em Segundos Depois, o autor solta o verbo e extravasa, divagando sem autoproteções e meias palavras sobre assuntos como amor e relações em geral, religião, passado, presente e futuro. Num mundo onde as pessoas estão cada vez mais contidas e buscam a proteção da internet para conseguir mostrar sua real natureza e propagar suas opiniões, Vinícius Márquez é uma exceção. Ele “dá a cara à tapa”. Com seu estilo próprio, o autor consegue fazer o leitor pensar ao mesmo tempo que o entretém, mesmo quando o assunto é tristeza, pois o transporta de forma direta para suas sensações, percepções e sentimentos. Segundos Depois é uma obra embriagante, perfeita para ficar na cabeceira ou no bar e ser consultada periodicamente, como um Salmo, porém às avessas. Não espere da obra uma ajuda para elucidar seus problemas financeiros ou emocionais, nem conselhos para simplificar sua vida, pelo contrário, você verá que a vida é muito mais caótica do que você jamais acreditou, mas que o caos pode ser muito divertido.
Livro no Skoob.

Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

[Lançamentos] Gutenberg lança livro do blogueiro Ique Carvalho


A editora Gutenberg lança o livro do blogueiro Ique de Carvalho, intitulado Faça amor, não faça jogo.  A obra reúne textos publicados no blog The Love Code e crônicas inéditas. Abaixo segue a sinopse: 

Viver a plenitude do amor é o desejo senão de todas, ao menos da maioria das pessoas. Amar e ser amado incondicionalmente, contar com o apoio de alguém para as horas difíceis e para os momentos alegres, e saber que independentemente do que fazemos, alguém estará ao nosso lado simplesmente pelo que somos é o ideal de vida de muitos. Viver esse amor na prática, no entanto, nem sempre é fácil. E é exatamente sobre felicidade, vida e amor que Ique Carvalho fala neste livro. O autor, que começou escrevendo em seu blog e já tocou o coração de milhares de pessoas que se envolveram e se emocionaram com suas palavras, descreve com perfeição o amor que muitos procuram e poucos realmente encontram. E ele fala do amor em todas as suas expressões: desde o romântico entre duas pessoas até o mais puro e verdadeiro dos laços familiares, que ele tem com seu pai e mentor. Como as relações humanas são frágeis e complicadas, os relacionamentos tornam-se difíceis, o que nos faz buscar a felicidade nos lugares ou nas pessoas erradas. Mas o autor nos faz enxergar a vida de forma diferente. Faça amor, não faça jogo é um lembrete de que, no jogo do amor, não é necessário haver ganhadores ou perdedores. Basta olhar e aceitar novos paradigmas e acreditar no que diz seu coração. E vivenciar isso de verdade.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

[Evento] Jairo Sarfati na I Jornada Literária Infanto-Juvenil UFC


O escritor Jairo Sarfati estará na I jornada literária da Universidade Federal do Ceará, em que falará sobre literatura com os participantes. O evento acontecerá no campus Benfica, no dia 28 de outubro, às 10h, e será aberto ao público gratuitamente.

Para os estudantes de Letras que quiserem obter horas de atividade extracurricular, o evento vale 15 horas, a inscrição é feita no C.A. de Letras da UFC, campus Benfica, no valor de R$ 5,00. Também haverá a venda do livro do autor, Diário Póstumo de Charlotte, publicado pela editora Novo Século.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

[Resenha] Sobre o amor e dias de sol, de Veronica Fantoni

Sabe quando você lê um livro e fica com vontade de se sentar com a autora, para tomar uma água de coco à beira mar e conversar em uma tarde de verão? É justamente esta a sensação que tenho ao finalizar a leitura de Sobre o amor e dias de sol, da carioca Veronica Fantoni. 

A obra, publicada pela editora Livros Ilimitados, reúne 25 crônicas e um conto, todos sobre o amor. A descrição de tal sentimento é feita de maneira tão gostosa, tão simples, tão tocante e real, que é genial como a autora foge dos clichês vistos muitas vezes por aí. 

Fantoni mostra as diversas faces do amor, o que faz da obra um verdadeiro dia de sol para os leitores. Mesmo nos desencontros e nas desilusões, podemos ver que há algo belo. A poesia e a (re)descoberta de si são presentes ao longo dos textos, de modo que o amor aparece intrinsecamente aliado à esperança. 

As expectativas, o processo criativo e o sorriso acalentam o coração dos leitores. As referências à bossa nova, a vontade de continuar sonhando e o desejo de ser feliz acaba fazendo com que os não desgrudemos das páginas até que o livro se finde. É impossível não se ver em pelo menos um dos textos ali descritos. A ficção é visceralmente real, docemente bela. 

Sobre o amor e dias de sol é uma obra que nos faz querer viver a beleza da primavera e o aconchego do verão. Ela também nos prova que há sim, escritores contemporâneos cheios de qualidade no Brasil. Ainda bem!

Livro: Sobre o amor e dias de sol
Autor: Veronica Fantoni
Páginas: 76
Editora: Livros Ilimitados
Selo: Eu amo escrever
Sinopse: Mais um título do Selo EU AMO ESCREVER, fruto de uma parceria entre Cantão e Livros Ilimitados.
Os textos desse livro de contos e crônicas trazem um olhar delicado sobre histórias de amor, quaisquer que sejam elas: breves, maravilhosas, loucas, improváveis.
Veronica Fantoni, escritora carioca, conduz com muita delicadeza a essência dos personagens, sejam eles leves ou intensos, com ou sem conflitos, a autora teve como inspiração o amor cotidiano e seus desdobramentos.

Livro no skoob.

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Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

[Lançamento] Tico Santa Cruz lança Pólvora



Conhecido por ser vocalista da banda Detonautas Rock Club e pelo sucesso das obras Clube da Insônia e Tesão, Tico Santa Cruz acaba de lançar o seu primeiro romance policial - intitulado Pólvora. 

O livro, que fora publicado originalmente via web, se torou sucesso com mais de 100 mil downloads e narra o assalto de dois protagonistas - uma mulher linda, provocante e misteriosa e um ex-bancário cansado de sua rotina de burocrata - a uma transportadora. A maneira como eles caem no mundo sem regras ou leis é descrita com muito sangue, erotismo, suspense e diversas críticas sociais – estas últimas tipicas dos textos do autor.

Ao longo da narrativa, Tico faz um flashback de seus personagens a fim de detalhar melhor o perfil de cada um e explicar como eles se tornaram quem são. A dupla passa a ser trio, uma vez que Milene, uma jovem de 24 anos que não trabalha, nem estuda e que acaba de passar por uma frustração amorosa e familiar aparece na história. 

Segundo o próprio Tico, “Pólvora é uma ironia e uma crítica a várias questões no Brasil. Os personagens vão passeando por cenários que misturam ficção e realidades sociais, religiosas, políticas, porém ilustrados de uma forma intensa, divertida e perigosa”. 

Para conhecer mais sobre Pólvora você pode acessar o hotsite ou ler o trecho disponibilizado pela editora.

[Resenha] O menino que chovia, de Cláudio Thebas

O projeto gráfico e a linguagem poética são os primeiros atrativos de O menino que chovia. A história narra a trajetória de um menino que "por qualquer coisa, coisinha" relampejava de nervoso. Por não ter um nome próprio, a identificação com o personagem acontece de forma natural, uma vez que as atitudes do garoto podem minhas ou suas.

A questão da alimentação também vem à tona: é mesmo necessário torcer o nariz para tudo o que vemos no prato?! Sem usar a palavra "choro" ou verbo "chorar", o autor leva as crianças a refletirem sobre a sua postura nesse sentido - de uma maneira divertida, sem sermão.

A obra é interessante não apenas por ensinar as crianças que não vale a pena ficar só reclamando de tudo, como serve de alerta aos pais que sedem a todas as vontades de seus filhos. A chatice e consequência destes comportamentos são expressas por meio da metáfora que os compara à dias chuvosos.

A solução - genial - para o problema surge de forma planejada e é fruto do trabalho em equipe familiar. Quando todos se reúnem para acabar com a chuvarada, a narrativa nos demonstra o quanto é importante a construção coletiva de ideias e a união dos membros da família.

O menino que chovia é uma leitura gostosa porque nos leva a dias mais ensolarados!

Livro: O menino eu chovia
Autor: Cláudio Thebas
Ilustrações: Iran Zigg
Páginas: 32
Editora: Companhia das Letrinhas
Sinopse: Quem não conhece o menino que leva a bola do jogo para casa quando seu time está perdendo? E aquele que faz careta quando vê um prato de sopa ou torce o nariz quando a mãe põe na mesa a salada que faz tanto bem à saúde? Pois o protagonista desta história era assim, só que ia muito além da cara feia: quando contrariado, quando ouvia um não, ele chovia. E não era qualquer chuvinha, não. Era temporal, tempestade, com raios e trovões de verdade. O pai, a mãe, os avós, a empregada, ninguém sabia o que fazer, ficavam todos apavorados, e todos tentando de tudo para o menino parar de chover. Um dia veio a gota d'água: ele simplesmente inundou a casa, e o que aconteceu é que a calamidade acabou sendo providencial. Foi ali, no meio da inundação, que os adultos encontraram a solução para o aguaceiro, para ajudar o menino mimado a ver o mundo com outros olhos e deixar a chuva só para os dias em que acordava muito mal-humorado. Cláudio narra a história do menino das lágrimas sem usar em nenhum momento o verbo "chorar" ou o substantivo "choro". Ágil, divertida, sua narrativa em versos revela com sutileza todo o jogo de contradições emocionais que agita o cotidiano das personagens. O enredo se arma como uma seqüência de cenas curtas e expressivas, o que pode inspirar, em sala de aula, um bom exercício de teatralização.
Livro no skoob.

Sobre a Autora:

Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

domingo, 28 de setembro de 2014

[Resenha] Cartas a Amélia, de Pedro Costi

Trecho de Cartas a Amelia, de Pedro Costi.

“Não te abisma Amélia, a impotência humana de admirar o mundo?”

Não é a toa que Pedro Costi faz parte do selo Talentos da Literatura Brasileira. Com apenas 20 anos, este gaúcho escreveu Cartas a Amélia, um livro intenso, poético, filosófico e lindo – desses que nos deixa triste porque acabou.

O livro descreve uma série de cartas de Pierre, um poeta que sai em uma viagem sem destino certo. As epístolas são endereçadas a uma jovem chamada Amélia e relatam tanto o sentimento de seu redator, quanto as aventuras de sua jornada.

Ao deixar o seu apartamento e embarcar em um trem para a cidade mais distante, Pierre parte em uma busca por si mesmo. Na viagem, encontra de tudo: o artista, o músico, o louco, a morte, o amor, a infância. Com cada um Pierre aprende, levando e deixando um pouco de si pelo caminho. Com a viagem do personagem, o leitor aprende sobre a sua própria vida. A jornada de Pierre também passa a ser a nossa jornada.

A capa de Monalisa Morato é reflexo da beleza da obra. A entrega, a docura, a natureza, o bucolismo que traz a paz em meio a um desespero da alma. Até a tristeza é bela em Cartas a Amélia.

É impossível não ser tocado por palavras tão doces e por reflexões são profundas. São justamente estas reflexões em formato de confissões que nos fazem quer ler a obra do começo ao fim. Ler Cartas a Amélia é um degustar poético que nos enche de esperança, mesmo nos momentos de despedidas, nas horas de angústia.

"E da pureza fizeram-se os sonhos".



Livro: Cartas a Amelia
Autor: Pedro Costi
Páginas: 176
Editora: Novo Século
Sinopse: Não te abisma, Amélia, a impotência humana de admirar o mundo? Ao iniciar uma viagem que busca descobrir o Ao iniciar uma viagem que busca descobrir o mundo e a si mesmo, Pierre relata através de cartas destinadas a sua amada Amélia, um profundo questionamento filosófico sobre a vida, o ser e alma humana. Poesia, amor, tristeza, solidão e todos os sentimentos que permeiam o espírito são aludidos e inquiridos com extrema sensibilidade. Cartas a Amélia promete proporcionar ao leitor um verdadeiro mergulho filosófico à essência humana, que busca sanar indagações e trazer acalanto à alma.


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Sobre a Autora:

Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

[Evento] Tico Santa Cruz lançará livro em Manaus

No dia 12 de outubro, Tico Santa Cruz começará a divulgação de sua nova obra, intitulada Pólvora, pela Feira do Livro de Manaus. A obra, que se é um fenômeno na internet com mais de 100 mil downloads, acabou ganhando a sua versão impressa, e este processo será assunto do bate-papo entre o autor e seu público de leitores.


Pólvora é uma publicação da Editora Belas-Letras e conta a  história de Lorena, uma ex-enfermeira viciada no perigo que inicia uma jornada perigosa ao lado de sua nova paixão - um ex-bancário que foge de uma vida monótona e comportada - promete criar polêmica, já que se trata de uma contundente crítica social e política. 

O evento será no auditório 1 da Feira, às 19h.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

[Eventos] Humberto Gessinger retoma eventos literários

Atenção Santa Catarina! 
O autor Humberto Gessinger, vocalista da banda Engenheiros do Hawaii, retomou à sua agenda de escritor e participará de uma nova temporada de eventos literários pelo país.



No dia 10 de setembro, quarta-feira, ele estará na Feira do Livro de Rio do Sul, em Santa Catarina, onde conversará com os leitores sobre o seu livro mais recente: Seis segundos de atenção. O bate-papo terá a mediação do escritor Carlos Henrique Schroeder e contará também com um pocket show de Gessinger com canções da carreira e do novo álbum Insular.

O quê? Bate-papo e pocket show com o escritor e músico Humberto Gessinger.
Quando? 10 de setembro, quarta-feira
Onde? Feira do Livro de Rio do Sul, Santa Catarina - Parque Universitário UNIDAVI

segunda-feira, 9 de junho de 2014

[Resenha] Do desejo, de Hilda Hilst


Do desejo é um livro de poemas sincero, direto e intenso. Fruto de uma compilação reúne sete livros integrais da autora Hilda Hist (Do desejo, Da noite, Amavisse, Via espessa, Via vazia, Alcoólicas e Sobre a tua grande face), a obra é um deleite para os amantes da boa poesia.

Embora a obra não seja organizada em ordem cronológica, a edição dos sete livros – projetada pela própria autora – tem uma coerência lógica e sentimental profundamente fantástica, instigando no leitor as diversas formas de se desejar o ser amado.

Se na primeira parte do livro, homônima a obra, há um desejo profundamente carnal (visto em versos como o do primeiro poema, que diz: “Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo / Tomas-me o corpo. E que descanso me dás / Depois das lidas”), ao passar da leitura nota-se um desejo etéreo, platônico, destes que se afoga na bebida (como lemos em nos versos de Alcoólicas: “Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento / Vão se fazendo olvido. Depois deitas, a morte / É um rei que nos visita e nos cobre de mirra. / Sussurras: ah, a vida é líquida.”).

É notável os jogos de palavras, as estruturas e a musicalidade presentes nos poemas. A composição de cada estrofe aproxima o leitor e a obra, fazendo com que todos nós sintamos o cerne do sentimento ali descrito. É justamente esta proximidade que nos faz devorar cada página e querer conhecer cada vez mais a obra da autora.

Livro: Do desejo
Autor: Hilda Hilst
Páginas: 128
Editora: Globo - Biblioteca Azul
Sinopse: Lançado originalmente em 1992, Do desejo é uma reunião (não uma antologia, como se tem divulgado) de sete livros de Hilda Hilst, produzidos num intervalo de seis anos. Dois deles eram então inéditos: Do desejo (homônio do título do conjunto) e Da Noite. Concebida pela própria autora, a reunião desses livros oferece, na sua disposição não-cronológica, possibilidades originais de leitura que o tornam um livro único, bem diferente da soma de leituras de cada livro particular incorporado nele. Se fosse possível reduzir sua poesia de questões a uma única, Do desejo postula o dilema de sustentar o gozo de um amante particular e viciário em versos que buscam a eternidade e o absoluto.
Livro no skoob.



Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, e no Teoria, Prática e Aprendizado.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Vanessa Bosso é a mais nova autora do selo Novas Páginas

O grupo editorial Novo Conceito assinou contrato com a escritora Vanessa Bosso, que terá o seu livro publicado pelo selo Nova Páginas. A obra está prevista para o segundo semestre deste ano e promete agitar o mercado editorial nacional.

Abaixo há um recado da autora para os leitores da Novo Conceito:


Sou criadora de histórias desde a infância, mas nunca havia pensado em escrevê-las. Foi só em 2009 que tomei coragem e decidi arriscar tudo na carreira de escritora. 
Me deparei com um mercado hostil a novos autores, e paguei para publicar meus cinco primeiros romances. Os resultados ficaram aquém do esperado, mas nem assim eu desisti. Parti com determinação rumo a publicação independente apenas com e-books e, por incrível que pareça, foi a decisão mais acertada. Ganhei leitores, feedbacks importantes e retorno financeiro imediato. 
O sucesso dos e-books foi um marco na minha carreira, e logo me tornei conhecida como um case de sucesso no mundo virtual. Fui convidada a ir a Nova York e contar minha trajetória a outros autores que, como eu, buscam um lugar nesse competitivo e difícil mercado. 
Sim, o sucesso é possível mediante muito trabalho e paixão pelas letras.
Foi através da autopublicação que meu sonho de ser publicada por uma grande editora se realizou. Meus livros foram solicitados para análise, e qual não foi a minha surpresa quando a resposta foi positiva. 
O reconhecimento dos leitores eu já tinha, mas, agora, posso dizer com todas as letras, estou me sentindo realizada. Sonhos podem sim se tornar realidade, desde que você acredite em seu dom. 
Eu acredito. Obrigada a Novo Conceito por também acreditar. 
Vanessa Bosso

Então, fiquem ligados em mais esta #NovidadeNC!

domingo, 12 de janeiro de 2014

Ela, por Machado de Assis

Hoje é aniversário do primeiro poema publicado por Machado de Assis, quando ele tinha apenas 16 anos de idade. A publicação data de 12 de janeiro de 1855. Vamos conferir?!


ELA
Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor

Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em doce poesia
Ao meu terno coração!

Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.

Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um -sim-
P’ra alívio do coração!
Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh’alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
“Dá-lhe um suspiro de amor!”

ASSIS, Machado de, 1839 – 1908 O Almada & outros poemas / Machado de Assis – São Paulo Globo 1997 – (Obras completas de Machado de Assis)

domingo, 5 de janeiro de 2014

[Resenha] Nu, de botas, por Antonio Prata

Foto do autor, Antonio Prata, que aparece na orelha de
Nu, de Botas.
Nu, de botas foi o livro que li na transição de 2013 para 2014. Que presente! Nele, seu autor, Antonio Prata resgata suas memórias de infância, com a experiência de um adulto e o olhar de uma criança. Esta forma de escrever prosa, que beira à poesia, faz com que o leitor sinta-se na varanda de casa, vendo o pôr-do-sol, enquanto conversa com um amigo.

Para quem nasceu nos anos 80 – ou antes – há um deleite um tanto assustador: perceber as mudanças no tempo e como tudo se transformou rapidamente. Prata nos faz lembrar alguns fatos já esquecidos por nós – ao menos por mim –, a exemplo de como ele andava praticamente deitado de ponta cabeça no banco de trás do carro, enquanto o seu pai dirigia estrada a fora (cinto de segurança para quê?) ou da expectativa que as crianças tinham para ligar e conseguir falar com o palhaço de TV, o Bozo.

O primeiro amor, as primeiras perdas, a chegada da irmã, a descoberta do sexo. Tudo é narrado de maneira tão bela; que, de certa forma, nos deixa com vontade de ser criança novamente. É impossível não resgatar o início da nossa própria vida, das nossas pequenas descobertas diárias, desbravando o mundo. Por isso, não há como não sorrir. É extremamente  bela a maneira como o autor apresenta a visão da criança e a sua tentativa de compreender o mundo dos adultos – que nas memórias é a sua visão e a sua tentativa de entendimento; mas que, quem convive com crianças sabe, são pontos de vista e questionamentos universais do contexto infantil.

Por que determinados assuntos pode ser conversado com naturalidade com os pais, mas não com outras pessoas? Por que as mães são diferentes? Como é possível as casas teoricamente iguais terem seus cômodos e móveis em outros lugares? Por que a mãe do meu amigo não o deixa ver certos programas de tv? Os contrastes do mundo e a forma de organiza-los são narrados de maneira deliciosa que nos desperta para o automatismo em que vivemos. Quantas vezes, conforme vamos crescemos, deixamos de refletir sobre a trivialidade da vida?

Nu, de botas é um livro que enche o nosso coração de alegria. Ele é reflexo da pureza de um olhar novo para o mundo. Retratando o medo, o receio, a felicidade, as dúvidas e todas as suas inquietações infantis, a obra de Antonio Prata serve de reflexo para a nossa própria existência.

Livro: Nu, de Botas
Autor: Antonio Prata
Páginas: 144
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Em Nu, de botas, Antonio Prata revisita as passagens mais marcantes de sua infância. As memórias são iluminações sobre os primeiros anos de vida do autor, narradas com a precisão e o humor a que seus milhares de leitores já se habituaram na Folha de S.Paulo, jornal em que Prata escreve semanalmente desde 2010. Aos 36 anos, Prata é o cronista de maior destaque de sua geração e um dos maiores do país. São de sua lavra alguns bordões que já se tornaram populares - como “meio intelectual, meio de esquerda”, título de seu livro anterior e de um seus textos mais célebres -, bem como algumas das passagens mais bem-humoradas da novela global Avenida Brasil, em que atuou como colaborador de João Emanuel Carneiro. Prata também é um dos integrantes da edição Os melhores jovens escritores brasileiros, da revista inglesa Granta. As primeiras lembranças no quintal de casa, os amigos da vila, as férias na praia, o divórcio dos pais, o cometa Halley, Bozo e os desenhos animados da tevê, a primeira paixão, o sexo descoberto nas revistas pornográficas - toda a educação sentimental de um paulistano de classe média nascido nos anos 1970 aparece em Nu, de botas. O que chama a atenção, contudo, é a peculiaridade do olhar. Os textos não são memórias do adulto que olha para trás e revê sua trajetória com nostalgia ou distanciamento. Ao contrário, o autor retrocede ao ponto de vista da criança, que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular - cômico, misterioso, lírico, encantado.
Clique aqui para ler trecho disponibilizado pela editora. | Veja o livro no Skoob.


Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no designdiPoesia. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

[Vídeo] Sete atos com As palavras de Clarice Lispector

No último dia 10 de Dezembro, o Instituto Moreira Salles promoveu o evento Além do vento há uma outra coisa que sopra – Sete atos com As palavras de Clarice Lispector, como parte da Hora da Clarice - como forma de comemorar o aniversário de nascimento da autora.

Agora, os fãs da escritora podem assistira na íntegra as leituras feitas pelas atrizes Cláudia Abreu e Malu Mader, de frases selecionadas pelo acadêmico e pesquisador, Roberto Corrêa dos Santos, curador do livro As palavras, publicado pela Editora Rocco.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

[Evento] Espetáculo em homenagem a Vinicius de Moraes e Fernando Pessoa agora em teatro paulistano

Como parte da programação do Ano de Portugal no Brasil e em comemoração ao centenário de Vinícius de Moraes, o espetáculo Poema Bar, volta ao teatro do SESI, em duas apresentações gratuitas, nos dias 6 e 7, às 19 horas.

A estrelada por Alexandre Borges, a peça homenageia dois grandes nomes da literatura escrita em português: o já citado Vinicius de Moraes e Fernando Pessoa. Além do ator, o recital conta ainda com as participações das cantoras Mariana de Moraes, neta de Vinicius, e da portuguesa Sofia Vitória e do pianista português João Vasco.

O quê? Recital Poema Bar
Quando? 6 e 7 de maio, às 19 horas
Onde? Centro Cultural Ruth Cardoso - Teatro Popular do SESI - Avenida Paulista, 1313.
Não recomendado para menores de 12 anos.

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