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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

[Evento] FLIP 2013 já tem data e homenageado

O site da Festa Literária Internacional de Paraty divulgou as informações sobre a 11ª edição do evento. A FLIP 2013 acontecerá entre os dias 3 e 7 de julho e terá como homenageado o grande cânone Graciliano Ramos.

Autor de sucessos como Vidas Secas e Memórias de Cárcere, Ramos completaria 120 de idade no próximo dia 7 de outubro.

Para saber mais sobre a FLIP, acesse o site clicando aqui.

Clique aqui para ler outros artigos de Graciliano Ramos aqui no Nosso Clube do Livro.

domingo, 27 de maio de 2012

Lançamentos da Editora Mor

Nossa parceira, a Editora Mor, está com muitas novidades! 

A primeira delas é o seu site, que foi reformulado e está com uma cara totalmente nova. Agora, as informações estão dispostas de uma foma mais clara e fácil de encontrar, o que torna a navegação mais tranquila.


Gostou?! Clique aqui para acessá-lo.

Em segundo lugar, temos, como não poderia deixar de ser, novos lançamentos! São eles:

Livro: Journal Digital Culture
Autor: Aline Cintra Carrasco
Estilo: Jornal
Gênero: Entrevistas
Idioma: Português
Páginas: 6 Faixa
Etária: Livre

Avisos: Este jornal possui conteúdo livre.
Valor do On-Book: R$ 0,00


Sinopse: Encontre notícias, entrevistas, lançamentos e todo assunto do mundo cultural em nosso mais novo jornal online, o Journal Digital Culture. Totalmente gratuito!




Livro: Vidas Secas
Autor: Graciliano Ramos 
Estilo: Universitário 
Gênero: Ficção 
Idioma: Português 
Páginas: 114 
Faixa Etária: Livre 

Avisos: Esta obra possui conteúdo livre. 
Valor do On-Book: R$ 9,70 

Sinopse: Em Vidas Secas, o autor se mostra mais humano, sentimental e compreensivo, acompanhando o pobre vaqueiro Fabiano e sua família com simpatia e uma compaixão indisfarçáveis. Além de ser o mais humano e comovente dos livros de ficção de Graciliano Ramos, Vida Secas é o que contém maior sentimento da terra nordestina, daquela parte que é áspera, dura e cruel, sem deixar de ser amada pelos que a ela estão ligados teluricamente. O que impulsiona os seres desta novela, o que lhes marca a fisionomia e os caracteres, é o fenômeno da seca. Vida Secas representa ainda uma evolução na obra de Graciliano Ramos quanto ao estilo e à qualidade estritamente literária. Esta nova edição teve como base a 2ª edição do romance, com as últimas correções feitas por Graciliano Ramos. Os originais estão no Fundo Graciliano Ramos, Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Este projeto de reedição da obra de Graciliano Ramos é supervisionado por Wander Melo Miranda, professor titular de Teoria da Literatura da Universidade Federal de Minas Gerais.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Análise de "A terra dos meninos pelados"


Clique aqui para ler o conto A terra dos meninos pelados, de Graciliano Ramos.


(Análise literária feita por de Fernanda Rodrigues)

Em 1939, Graciliano Ramos publicou A Terra dos Meninos Pelados, livro que inovou a literatura infantil e juvenil. Com sua linguagem baseada nos novos valores literários, o texto apresenta o predomínio do mundo fantástico, onde nada é impossível. 

A narrativa mostra inovação desde o seu princípio, quando apresenta Raimundo: um protagonista descrito como um menino diferente – tem o olho direito preto, o esquerdo azul e a cabeça pelada – que é chacoteado pelas outras crianças. Ou seja, o autor principia o texto mostrando uma personagem que não pertence a um grupo social dominante e que sofre da exclusão sobre a qual é vítima. 

Para aproximar o leitor do texto, Graciliano constrói a narrativa utilizando linguagem coloquial, como podemos ver no trecho em que os garotos zombam de Raimundo: “Como botaram os olhos de duas criaturas numa cara?” 

Ao trabalhar o universo imaginário, o autor cria personagens antropomorfizadas. Em Tatipirun – a terra onde todos têm os olhos de duas cores e a cabeça pelada – os carros falam, riem, piscam e voam (“Mas o automóvel piscou o olho preto e animou-o com um riso grosso de buzina: - Deixa de besteira, Raimundo. Em Taipirun, nós não atropelamos ninguém”.), a “laranjeira que estava no meio da estrada afastou-se para deixar a passagem livre” e depois conversou com o menino. Além destes exemplos, pode-se citar ainda: o troco, a aranha (representante da indústria têxtil), a cigarra (que representa os artistas), a rã, as cobras corais e o vaga-lume – todos eles falantes. 

Ainda para compor este mundo de fantasia, Graciliano Ramos trabalha a linguagem fazendo uso de neologismos. Nomes como o do lugar onde todos são iguais ao protagonista (Tatipirun), o sítio de onde veio a personagem principal (Cambacará) a serra que Raimundo atravessa para chegar à terra dos meninos pelados (serra de Taquaritu), os personagens humanos (Caralâmpia, Pirenco, Talima, Sira, Pirundo) e palavras que aparecem ao longo do texto - como “princesência” -, foram criadas para reforçar a magia e a perfeição vividas na terra de Tatipirun. Além deste recurso, o autor emprega ainda um estrangeirismo dito pela rã (“Parece até um meeting, disse a rã que pulou na beira do rio”.) e abusa das metáforas, como pode-se constatar no trecho a seguir: “ – E boa, interrompeu um menino sardento. Meio desparafusada, mas um coraçãozinho de açúcar. Aquela é Sira”, criando uma sensação de que tudo o que acontece no principado é real, pois cada ser tem sentimentos, nomes e pensamentos próprios. 

O autor sabia da importância fundamental que a fantasia tem na vida das crianças. Ao criar a terra dos meninos pelados, Graciliano cria uma terra democrática, totalmente inversa a Cambacará – lugar de origem do Raimundo – onde há injustiças. Ao mesmo tempo, Tatipirun dá a força necessária ao pequeno menino pelado retornar ao seu lar se aceitando como ele é e não como os outros querem que ele seja. Por meio deste universo mágico os pequenos leitores podem ter como exemplo a personagem principal para enfrentar problemas do dia-a-dia (como o preconceito por ser gordinho, por usar óculos, por ser muito mais alto ou muito mais baixo que as outras crianças na escola, por exemplo). 

Por fim, deve-se ressaltar que o texto apresenta uma intertextualidade com outra narrativa infantil clássica: Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll. Ambas as obras retratam de forma surreal a aventura de suas personagens principais em uma terra de fantasia, em um mundo encantado.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

[Conto] A terra dos meninos pelados


(Texto de Graciliano Ramos)


Havia um menino diferente dos outros meninos. Tinha o olho direito preto, o esquerdo azul e a cabeça pelada. Os vizinhos mangavam dele e gritavam: 

— Ó pelado! 

Tanto gritaram que ele se acostumou, achou o apelido certo, deu para se assinar a carvão, nas paredes: Dr. Raimundo Pelado. Era de bom gênio e não se zangava; mas os garotos dos arredores fugiam ao vê-lo, escondiam-se por detrás das árvores da rua, mudavam a voz e perguntavam que fim tinham levado os cabelos dele. Raimundo entristecia e fechava o olho direito. Quando o aperreavam demais, aborrecia-se, fechava o olho esquerdo. E a cara ficava toda escura. 

Não tendo com quem entender-se, Raimundo Pelado falava só, e os outros pensavam que ele estava malucando. 

Estava nada! Conversava sozinho e desenhava na calçada coisas maravilhosas do país de Tatipirun, onde não há cabelos e as pessoas têm um olho preto e outro azul. 

Um dia em que ele preparava, com areia molhada, a serra de Taquaritu e o rio das Sete Cabeças, ouviu os gritos dos meninos escondidos por detrás das árvores e sentiu um baque no coração.

— Quem raspou a cabeça dele? perguntou o moleque do tabuleiro. 
— Como botaram os olhos de duas criaturas numa cara? berrou o italianinho da esquina. 
— Era melhor que me deixassem quieto, disse Raimundo baixinho. 

Encolheu-se e fechou o olho direito. Em seguida, foi fechando o olho esquerdo, não enxergou mais a rua. As vozes dos moleques desapareceram, só se ouvia a cantiga das cigarras. Afinal as cigarras se calaram. 

Raimundo levantou-se, entrou em casa, atravessou o quintal e ganhou o morro. Aí começaram a surgir as coisas estranhas que há na terra de Tatipirun, coisas que ele tinha adivinhado, mas nunca tinha visto. Sentiu uma grande surpresa ao notar que Tatipirun ficava ali perto de casa. Foi andando na ladeira, mas não precisava subir: enquanto caminhava, o monte ia baixando, baixando, aplanava-se como uma folha de papel. E o caminho, cheio de curvas, estirava-se como uma linha. Depois que ele passava, a ladeira tornava a empinar-se e a estrada se enchia de voltas novamente. 

— Querem ver que isto por aqui já é a serra de Taquaritu? pensou Raimundo. 
— Como é que você sabe? roncou um automóvel perto dele. 

 O pequeno voltou-se assustado e quis desviar-se, mas não teve tempo. O automóvel estava ali em cima, pega não pega. Era um carro esquisito: em vez de faróis, tinha dois olhos grandes, um azul, outro preto. 

— Estou frito, suspirou o viajante esmorecendo. Mas o automóvel piscou o olho preto e animou-o com um riso grosso de buzina: 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Saiba quem são os autores brasileiros mais citados no exterior

O Conexões Itaú Cultural realizou um mapeamento para descobrir quais são os autores brasileiros mais citados no exterior. A pesquisa registrou até agora cerca de mil escritores brasileiros que são estudados, referência ou foram traduzidos pelos 214 pesquisadores, professores e tradutores mapeados (por enquanto), em cerca de 30 países distintos. 

Destacam-se desde os canônicos Machado de Assis e Guimarães Rosa, até autores contemporâneos, como Clarah Averbuck ou Indigo. Veja quem são os 20 primeiros colocados: 

  1. Machado de Assis 
  2. Clarice Lispector 
  3. Guimarães Rosa 
  4. Jorge Amado 
  5. Graciliano Ramos 
  6. Milton Hatoum
  7. Carlos Drummond de Andrade 
  8. Chico Buarque 
  9. Oswald de Andrade 
  10. Rubem Fonseca 
  11. Mário de Andrade 
  12. Antonio Cândido 
  13. Moacyr Scliar 
  14. José de Alencar 
  15. João Cabral de Mello Neto 
  16. Manuel Bandeira 
  17. Lima Barreto 
  18. Haroldo de Campos 
  19. Euclides da Cunha 
  20. Gilberto Freyre 

Para ver o restante da lista, acesse a questão 11 e o item “Escritores citados pelo mapeado”, no Banco de Dados Online do Conexão Itaú Cultural.
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