09 fevereiro 2013

[Resenha] A queda, de Albert Camus

"Já havia percorrido uns cinquenta metros aproximadamente, quando ouvi um ruido que, apesar da distâncias, me pareceu, no silêncio da noite, de um corpo caindo na água. Parei instintivamente sem me voltar".
Falar de um livro que nos faz pensar em tantos aspectos da nossa vida e da nossa sociedade é uma grande responsabilidade. A queda, de Albert Camus, nos faz refletir no rumo estamos seguindo.


A estrutura narrativa da obra é interessante. O texto nos mostra uma conversa em que o narrador conversa com um senhor sem falas. O monólogo que o Jean-Baptiste trava com o seu interlocutor nos transporta para dentro da obra. Este homem com quem ele conversa pode, muito bem, ser você ou eu.

"A aparência de sucesso, quando se apresenta de certa maneira, é capaz de irritar um santo".
Albert Camus

A queda então é dupla: não é apenas o corpo que cai no rio; mas de Jean-Baptiste que se vê como fruto de uma sociedade em que valores, ética e escrúpulos são distorcidos. Quem é o bonzinho afinal?! Aliás, o que é ser bom?! O que está por trás das atitudes das pessoas?! Todos estes questionamentos se desenrolam nos forçando enveredar por caminhos dos mais simples (como o daquele bom homem que ajuda os cegos a atravessar a rua) até os mais complexos (como a da função de um juiz ou a da falta de coragem de salvar alguém em uma situação de perigo).

Embora curto em tamanho – a obra tem apenas 112 páginas –, A queda é de uma densidade que nos acompanha mesmo depois de findada a leitura. Filosófico, intenso e perturbador, vale a pena ser conhecido e degustado aos poucos, como todo bom encontro que nos leva ao autoconhecimento deve ser.

Livro: A queda
Autor: Albert Camus
Tradução: Valerie Rumjanek
Páginas: 112
Editora: Record
Sinopse: Um advogado francês faz seu exame de consciência num bar de marinheiros, em Amsterdã. O narrador, autodenominado “juiz-penitente”, denuncia a própria natureza humana misturada a um penoso processo de autocrítica. O homem que fala em A queda se entrega a uma confissão calculada.
Mas onde começa a confissão e onde começa a acusação? Ele se isolou do mundo após presenciar o suicídio de uma mulher nas águas turvas do Sena, sem coragem de tentar salvá-la. Camus revela o homem moderno que abandona seus valores e mergulha num vazio existencial. Fundamental para todas as gerações.


Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e estudante do curso de Formação de Professores na USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no Barbie Nerd

3 comentários:

  1. Oi!
    Nunca tinha ouvido falar nesse livro e nem nesse autor, mas achei interessante a história.
    Não sou uma pessoa que lê muitas leituras densas, mas acho interessante e um livro tão pequeno como esse dá mais vontade de ler. rsrs

    Ah! Tem meme pra vocês lá no blog.

    Bjs
    Gabi Lima
    http://livrofilmeecia.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Albert Camus é um filósofo famoso. Os livros dele sempre são densos, porque ele realmente pensava no destino da sociedade :)
      É uma leitura que vale a pena. ;)

      E, obrigada pelo meme! :D

      Um beijo!

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  2. li O Estrangeiro ha uma semana atrás e gostei muito, um morador do prédio onde eu trabalho que me emprestou. o próximo que ele irá me emprestar será esse, espero que seja tão bom quanto ao outro! Entretanto para quem nao encontra este livro nas livrarias, fica aqui um link para irem dando uma olhada:

    http://portugues.free-ebooks.net/ebook/A-queda

    boas leituras!

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