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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Referências para o estudo e produção de textos de literatura infantil



Para quem quiser se aprofundar mais sobre o assunto, seguem algumas referências de leitura:

Teoria literária infantil

  • AGUIAR, Vera Teixeira de. Leituras para o Ensino Fundamental: critérios de seleção e sugestões. In: Leitura em crise na escola. Porto Alegre: Perspectiva, 2003
  • ABRAMOVICH, Fanny. O Estranho Mundo que se Mostra às Crianças. São Paulo: Summus editorial, 1983.
  • ABRAMOCHI, Fanny. Do que ando sentindo falta na Literatura Infantil Brasileira. In: Bibliografia de Infantil Brasileira. São Paulo: sem editora, 2001.
  • COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil – abertura para a formação de uma nova mentalidade. In: Literatura Infantil e Juvenil. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2004.
  • MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 2006. Coleção primeiros passos.
  • LAJOLO, Marisa.  O texto não é pretexto. In: Leitura em crise na escola. Porto Alegre: Perspectiva, 2003.
  • SANDRONI, Laura. A estrutura do poder em Lygia Bojunga. In: Literatura infantil e juvenil. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003.
  • SILVEIRA, Cristina. Ziraldo na Sala de Aula. São Paulo: Melhoramentos, 2009.
  • ROSEMBERG, Fúlvia. Discriminações étnico-raciais na literatura infantil e juvenil brasileira. In: Literatura Infantil e Juvenil. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2002.
  • ZIMBERMAN, Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Rio de Janeiro, Objetiva, 2005.

Ilustrações de literatura infantil

  • BARBIERI, Ivo. Educação Artística – Proposições Básicas. São Paulo: sem editora, 2002.
  • WERNERCK, Regina Yolanda. A importância da imagem nos livros de literatura infantil. In: Literatura infantil e juvenil. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2002.
  • Princípios da arte. In: Rumos da arte. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003.

Referências publicadas originalmente aqui.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Making of de "Pedro e o Lobo", ilustrado por Bono


Nas indicações desta semana, falamos sobre Pedro e o Lobo, livro ilustrado por Bono Vox, vocalista do U2. Agora, apresentamos a vocês um vídeo com o Making of da produção das ilustrações.



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ou isto ou aquilo

(Por Cecília Meireles)









Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva! 

Ou se calça a luva e não se põe o anel, 
ou se põe o anel e não se calça a luva! 

Quem sobe nos ares não fica no chão, 
quem fica no chão não sobe nos ares. 

É uma grande pena que não se possa 
estar ao mesmo tempo nos dois lugares! 

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, 
ou compro o doce e gasto o dinheiro. 

 Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo... 
e vivo escolhendo o dia inteiro! 

Não sei se brinco, não sei se estudo, 
se saio correndo ou fico tranqüilo. 

Mas não consegui entender ainda 
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Ou isto ou aquilo, Editora Nova Fronteira, 1990 - Rio de Janeiro, Brasil

terça-feira, 17 de abril de 2012

Análise de "A terra dos meninos pelados"


Clique aqui para ler o conto A terra dos meninos pelados, de Graciliano Ramos.


(Análise literária feita por de Fernanda Rodrigues)

Em 1939, Graciliano Ramos publicou A Terra dos Meninos Pelados, livro que inovou a literatura infantil e juvenil. Com sua linguagem baseada nos novos valores literários, o texto apresenta o predomínio do mundo fantástico, onde nada é impossível. 

A narrativa mostra inovação desde o seu princípio, quando apresenta Raimundo: um protagonista descrito como um menino diferente – tem o olho direito preto, o esquerdo azul e a cabeça pelada – que é chacoteado pelas outras crianças. Ou seja, o autor principia o texto mostrando uma personagem que não pertence a um grupo social dominante e que sofre da exclusão sobre a qual é vítima. 

Para aproximar o leitor do texto, Graciliano constrói a narrativa utilizando linguagem coloquial, como podemos ver no trecho em que os garotos zombam de Raimundo: “Como botaram os olhos de duas criaturas numa cara?” 

Ao trabalhar o universo imaginário, o autor cria personagens antropomorfizadas. Em Tatipirun – a terra onde todos têm os olhos de duas cores e a cabeça pelada – os carros falam, riem, piscam e voam (“Mas o automóvel piscou o olho preto e animou-o com um riso grosso de buzina: - Deixa de besteira, Raimundo. Em Taipirun, nós não atropelamos ninguém”.), a “laranjeira que estava no meio da estrada afastou-se para deixar a passagem livre” e depois conversou com o menino. Além destes exemplos, pode-se citar ainda: o troco, a aranha (representante da indústria têxtil), a cigarra (que representa os artistas), a rã, as cobras corais e o vaga-lume – todos eles falantes. 

Ainda para compor este mundo de fantasia, Graciliano Ramos trabalha a linguagem fazendo uso de neologismos. Nomes como o do lugar onde todos são iguais ao protagonista (Tatipirun), o sítio de onde veio a personagem principal (Cambacará) a serra que Raimundo atravessa para chegar à terra dos meninos pelados (serra de Taquaritu), os personagens humanos (Caralâmpia, Pirenco, Talima, Sira, Pirundo) e palavras que aparecem ao longo do texto - como “princesência” -, foram criadas para reforçar a magia e a perfeição vividas na terra de Tatipirun. Além deste recurso, o autor emprega ainda um estrangeirismo dito pela rã (“Parece até um meeting, disse a rã que pulou na beira do rio”.) e abusa das metáforas, como pode-se constatar no trecho a seguir: “ – E boa, interrompeu um menino sardento. Meio desparafusada, mas um coraçãozinho de açúcar. Aquela é Sira”, criando uma sensação de que tudo o que acontece no principado é real, pois cada ser tem sentimentos, nomes e pensamentos próprios. 

O autor sabia da importância fundamental que a fantasia tem na vida das crianças. Ao criar a terra dos meninos pelados, Graciliano cria uma terra democrática, totalmente inversa a Cambacará – lugar de origem do Raimundo – onde há injustiças. Ao mesmo tempo, Tatipirun dá a força necessária ao pequeno menino pelado retornar ao seu lar se aceitando como ele é e não como os outros querem que ele seja. Por meio deste universo mágico os pequenos leitores podem ter como exemplo a personagem principal para enfrentar problemas do dia-a-dia (como o preconceito por ser gordinho, por usar óculos, por ser muito mais alto ou muito mais baixo que as outras crianças na escola, por exemplo). 

Por fim, deve-se ressaltar que o texto apresenta uma intertextualidade com outra narrativa infantil clássica: Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll. Ambas as obras retratam de forma surreal a aventura de suas personagens principais em uma terra de fantasia, em um mundo encantado.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

[Conto] A terra dos meninos pelados


(Texto de Graciliano Ramos)


Havia um menino diferente dos outros meninos. Tinha o olho direito preto, o esquerdo azul e a cabeça pelada. Os vizinhos mangavam dele e gritavam: 

— Ó pelado! 

Tanto gritaram que ele se acostumou, achou o apelido certo, deu para se assinar a carvão, nas paredes: Dr. Raimundo Pelado. Era de bom gênio e não se zangava; mas os garotos dos arredores fugiam ao vê-lo, escondiam-se por detrás das árvores da rua, mudavam a voz e perguntavam que fim tinham levado os cabelos dele. Raimundo entristecia e fechava o olho direito. Quando o aperreavam demais, aborrecia-se, fechava o olho esquerdo. E a cara ficava toda escura. 

Não tendo com quem entender-se, Raimundo Pelado falava só, e os outros pensavam que ele estava malucando. 

Estava nada! Conversava sozinho e desenhava na calçada coisas maravilhosas do país de Tatipirun, onde não há cabelos e as pessoas têm um olho preto e outro azul. 

Um dia em que ele preparava, com areia molhada, a serra de Taquaritu e o rio das Sete Cabeças, ouviu os gritos dos meninos escondidos por detrás das árvores e sentiu um baque no coração.

— Quem raspou a cabeça dele? perguntou o moleque do tabuleiro. 
— Como botaram os olhos de duas criaturas numa cara? berrou o italianinho da esquina. 
— Era melhor que me deixassem quieto, disse Raimundo baixinho. 

Encolheu-se e fechou o olho direito. Em seguida, foi fechando o olho esquerdo, não enxergou mais a rua. As vozes dos moleques desapareceram, só se ouvia a cantiga das cigarras. Afinal as cigarras se calaram. 

Raimundo levantou-se, entrou em casa, atravessou o quintal e ganhou o morro. Aí começaram a surgir as coisas estranhas que há na terra de Tatipirun, coisas que ele tinha adivinhado, mas nunca tinha visto. Sentiu uma grande surpresa ao notar que Tatipirun ficava ali perto de casa. Foi andando na ladeira, mas não precisava subir: enquanto caminhava, o monte ia baixando, baixando, aplanava-se como uma folha de papel. E o caminho, cheio de curvas, estirava-se como uma linha. Depois que ele passava, a ladeira tornava a empinar-se e a estrada se enchia de voltas novamente. 

— Querem ver que isto por aqui já é a serra de Taquaritu? pensou Raimundo. 
— Como é que você sabe? roncou um automóvel perto dele. 

 O pequeno voltou-se assustado e quis desviar-se, mas não teve tempo. O automóvel estava ali em cima, pega não pega. Era um carro esquisito: em vez de faróis, tinha dois olhos grandes, um azul, outro preto. 

— Estou frito, suspirou o viajante esmorecendo. Mas o automóvel piscou o olho preto e animou-o com um riso grosso de buzina: 

domingo, 15 de abril de 2012

Indicação da Semana #12


As indicações desta semana fazem parte do especial Semana da Literatura Infantil, que o Nosso Clube do Livro preparou para vocês. Temos 4 obras: as duas primeiras, abordam referenciais teóricos da literatura para crianças, os 2 últimos são livros escritos por famosos destinados ao público infantil.

Livro: Como e por que ler literatura infantil brasileira
Autor: Regina Zilberman
Editora: Objetiva

Sinopse: Escrever para crianças sempre foi um desafio - para quem escreve, ilustra e também para quem apresenta o livro a este público tão especial. Como conquistá-lo? Que armas são necessárias para fazer, do primeiro livro, algo inesquecível? E como este desafio foi vencido no Brasil? Apesar de ter pouco mais de cem anos, a literatura infantil brasileira rapidamente conquistou leitores, emocionou gerações e criou um espaço nobre nas prateleiras dos leitores jovens. Quando uma criança lê nomes como Monteiro Lobato - o grande marco - Henriqueta Lisboa, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Sylvia Orthoff, Lygia Bojunga ou João Carlos Marinho, entre tantos outros, ela sabe que um pacto foi selado. Um pacto lúdico, onde a diversão leva ao conhecimento. 'Como e por que a Literatura infantil brasileira', da professora Regina Zilberman, é uma deliciosa reflexão sobre as matizes deste pacto. Não importa se é poesia, teatro, fábula, conto, história oral ou novela juvenil. Regina nos apresenta um quadro rico e multifacetado deste gênero literário - seja através da análise das obras, seja através do papel social que elas tiveram.

Livro:  Ziraldo na sala de aula
Autor: Cristina Silveira
Editora: Melhoramentos

Sinopse: A obra se Ziraldo é sugerida neste livro como material de leitura que pode propiciar ao leitor, mirim ou não, o caminho mágico da formação literária. Algumas atividades abordam os textos de maneira mais simples, com a intenção de destacar aspectos gramaticais, por exemplo,que não devem ser  o objetivo primeiro da leitura, nem por isso devem ser desprezados na sala de aula, principalmente nas séries iniciais. Cabe ao professor, conforme seus objetivos e suas condições de trabalho, adaptar o que lhe convier. As possibilidades são inúmeras.

Livro: Pedro e o Lobo
Autor: Sergei Prokofiev
Ilustrações: Bono Vox, Eve e Jordan Hewson
Editora: Conrad

Clique aqui para ler o primeiro capítulo.

Sinopse: As ilustrações feitas por Bono foram baseadas na ópera do compositor russo Sergei Prokofiev. O vocalista do U2 participou do projeto que irá arrecadar fundos para o "Irish Hospice Foundation", uma instituição sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento do tratamento de pacientes terminais. Para fazer os desenhos, Bono contou com ajuda de suas filhas, Eve e Jordan. O livro conta a história de Pedro, um garoto que mora com o avô em uma casa que possui um lago no jardim, ao lado de uma floresta, onde vivem animais como o pato, o lobo, o passarinho e a gata.

Livro: As rosas inglesas
Autor: Madonna
Editora: Rocco

Sinopse: As Rosas Inglesas é uma história de rivalidade e amizade entre garotas de idade escolar na Londres contemporânea. A história acompanha quatro garotas - Nicole, Amy, Charlotte e Grace - que têm onze anos e são grandes amigas, inseparáveis. "Elas são praticamente grudadas na cintura uma da outra", escreve Madonna nesta obra, e todas "tinham um pouco de inveja de uma outra garota do bairro" - uma linda menina chamada Binah, cuja vida aparentemente perfeita as deixa "verdes de inveja". Entretanto, quando uma espevitada fada-madrinha apreciadora de pão de centeio as leva numa viagem mágica, elas aprendem uma lição surpreendente sobre as diferenças entre aparência e verdade. Madonna usou de sua própria vivência para escrever este livro: "Quando criança, eu senti inveja de outras garotas por várias razões. Tinha inveja por elas terem suas mães, por elas serem mais bonitas ou mais ricas", diz ela. "Só quando você cresce é que percebe quanto tempo perdeu com esses sentimentos."

Especial: Semana da Literatura Infantil


Olá amigos do Nosso Clube do Livro!

Esta semana é muito especial; pois, no dia 18 de abril celebramos o Dia Nacional da Livro Infantil!
Por isso, vocês encontrarão várias postagens temáticas aqui no blog. Em todas aparecerá o banner abaixo:


Agora que todos estão avisados, chamem a criançada e fiquem de olho! ;)

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