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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Súplica (II)

(Por Florbela Espanca)

Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.

O meu colo é arrninho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!

Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d'astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!

Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente…
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim etemamente! …

Vem para mim, amor…
Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!…
___________
Para saber mais sobre a poetisa portuguesa, visite o blog Florbela Espanca.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Saiba quem são os autores brasileiros mais citados no exterior

O Conexões Itaú Cultural realizou um mapeamento para descobrir quais são os autores brasileiros mais citados no exterior. A pesquisa registrou até agora cerca de mil escritores brasileiros que são estudados, referência ou foram traduzidos pelos 214 pesquisadores, professores e tradutores mapeados (por enquanto), em cerca de 30 países distintos. 

Destacam-se desde os canônicos Machado de Assis e Guimarães Rosa, até autores contemporâneos, como Clarah Averbuck ou Indigo. Veja quem são os 20 primeiros colocados: 

  1. Machado de Assis 
  2. Clarice Lispector 
  3. Guimarães Rosa 
  4. Jorge Amado 
  5. Graciliano Ramos 
  6. Milton Hatoum
  7. Carlos Drummond de Andrade 
  8. Chico Buarque 
  9. Oswald de Andrade 
  10. Rubem Fonseca 
  11. Mário de Andrade 
  12. Antonio Cândido 
  13. Moacyr Scliar 
  14. José de Alencar 
  15. João Cabral de Mello Neto 
  16. Manuel Bandeira 
  17. Lima Barreto 
  18. Haroldo de Campos 
  19. Euclides da Cunha 
  20. Gilberto Freyre 

Para ver o restante da lista, acesse a questão 11 e o item “Escritores citados pelo mapeado”, no Banco de Dados Online do Conexão Itaú Cultural.

sábado, 14 de janeiro de 2012

História em quadrinhos é literatura?

Já pensou em ler quadrinhos?! Acha que isso é coisa de criança? 

Valentina, de Guido Crepax

Bem, já falamos aqui sobre o que é a Literatura. Agora, aproveitamos a reportagem do programa Entrelinhas - da TV Cultura -, para mostrar esclarecer: História em quadrinhos é literatura? 





Gostou do vídeo? Curte quadrinhos?
Comente dizendo a sua opinião. ;)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Poeta Augusto de Campos é publicado na França

Capa
Jacques Donguy, poeta, tradutor, galerista e pesquisador de poesia experimental, organizou o volume intitulado Poètemoins – Anthologie, reunindo os poemas escritos por Augusto de Campos escritos para as os livros Viva Vaia, Despoesia e Não. A obra, em versão bilíngue (Francês/Português), acaba de ser publicada na França, pela editora Les presses du réel, que também já editou os brasileiros Haroldo de Campos, Oswald de Andrade, Suely Rolnik e Lygia Clark. 

A editora fez ainda 50 exemplares com serigrafias assinadas pelo autor. 

Augusto de Campos, juntamente com seu irmão, Haroldo, é considerado um dos fundadores do movimento da poesia concreta no Brasil. Além disso, foi tradutor, crítico literário e musical. 

Uma das páginas divulgadas pela editora
(Clique para ampliar).

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

[Resenha] Poemas Escolhidos de Gregório de Matos

Capa
Quando me deparei com Poemas Escolhidos de Gregório de Matos, pensei: “Uau! Quanta coragem!”, isso porque José Miguel Wisnik, responsável pela seleção e prefácio do livro, teve em suas mãos um desafio que não é seria vencido por qual quer um. Falando assim pode parecer um exagero, mas não o é. Gregório de Matos é considerado um dos maiores poetas Barroco das Américas. Além disso, nem todos os poemas atribuídos ao Boca do Inferno foram realmente escritos por ele. Logo, a proeza de Wisnik é plenamente justificável. 

O “Prefácio” dividi-se em três partes. Na primeira delas, “Esboço biográfico”, o leitor passa a conhecer quem foi Gregório de Matos e Guerra, nascido em Salvador (1633 ou 36) e morto no Recife (1696), arcebispo, marido, advogado – doutor in utroque jure*, pela Universidade de Coimbra -, poeta na Bahia colonial e dono de uma biografia cheia de aventuras, amigos e inimigos. A segunda, por sua vez, é um “Estudo Crítico” que apresenta as características do período vivido pelo poeta e como elas influenciaram em sua escrita: o embate entre a mentalidade jesuítica e a Contrarreforma, somadas à sua “consciência dividida entre a moral pública, ascética, e a prática sensual, privada”. A seguir temos, então, explicações sobre a poesia satírica – que registrou e criticou as transformações socioeconômicas vividas no política colonial –; sobre a poesia lírica-amorosa e seus confrontos entre asceticismo e sensualidade, corpo e alma – levando muitas vezes a oximoros preciosos – e sobre a poesia religiosa, em que “a dualidade matéria / espírito projeta-se na dualidade culpa / perdão”. Por fim, mas não menos importante, José Miguel Wisnik explica como foi o processo de seleção dos poemas e como a obra está organizada. 

Findada a leitura do “Prefácio”, o leitor encontra uma lista de uma pequena “Bibliografia”, também dividida em três partes: “Do autor”, “Antologias anotadas”, “Sobre o autor”. Os livros ali mencionados podem servir para quem, após a leitura, quiser aprofundar seus conhecimentos acerca de Gregório de Matos. E, em continuidade, temos os poemas organizados em: 

• Poesia de Circunstância (I - satírica e II – encomiástica) 
• Poesia Amorosa (I – lírica e II – erótico-irônica) 
• Religiosa 

O que dizer deles?! A força sonora (rimas, aliterações, assonâncias**) embala o leitor, tornando a leitura prazerosa. Os jogos de ideias, a ironia e zombaria das sátiras nos fazem gargalhar e ao mesmo tempo refletir (muitas das mazelas que li sendo alvo de críticas do Boca do Inferno nos tempos coloniais me fizeram recordar o que ainda hoje é vivido no Brasil). As intertextualidades com as figuras mitológicas provocam o leitor a querer saber mais sobre Baco, Apolo, Cupido, Janos, Saturno e tantos outros personagens clássicos. O vocabulário surpreende, já que muitos dos termos – alguns de baixo calão – ainda se mantém atual. Em suma, o livro é um deleite para apaixonados por poesia e/ou pelo Barroco. Ademais, as notas de rodapé ajudam o leitor a esclarecer o significado dos vocabulários em desuso e a entender quem são as pessoas e personagens citados nos poemas – fato que ajuda na interpretação do que é lido. 


Livro: Poemas Escolhidos de Gregório de Matos 
Autor: Gregório de Matos 
Seleção e prefácio: José Miguel Wisnik 
Ano: 2010 
Páginas: 360 
Coleção: Listrada 

_______________________
*in utroque jure = em ambos os direitos. Ou seja, no civil e no canônico. (Definição do site Revisões e Revisões
**Aliterações = repetição ritmada de um som de consoantes idênticas ou semelhantes em um verso. || Assonância = repetição ritmada de vogais idênticas ou semelhantes em um verso.


Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e estudante do curso de Formação de Professores na USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no Barbie Nerd

sábado, 31 de dezembro de 2011

2012 é o ano do Joyce

2012 é o ano do escritor irlandês James Joyce. O motivo? No ano que está prestes a começar, o autor de Dublinenses, Retrato de um artista quando jovem e Ulisses completaria 130 anos de idade. Este marco é comemorado com ênfase não só pelos fãs do autor, mas também pelo mercado editorial, uma vez que agora as obras de Joyce passaram a ser de domínio público. Falando de forma prática, a partir de 2012 as editoras não precisaram pedir autorização aos representantes do autor para ter as suas próprias publicações. 

É claro que as editoras brasileiras não deixarão este fato passar em branco, para a sorte de todos os leitores. A Iliminuras nos apresentará dois textos: O Gato e O Diabo, com tradução da escritora e pesquisadora Dirce Waltrick do Amarante e De Santos e Sábios, seleção de escritos estéticos e políticos organizados por Dirce Waltrick do Amarante e por Sérgio Medeiros. Já o selo Penguin-Companhia das Letras publicará, em abril, Ulisses, traduzido por Caetano Galindo, professor do curso de Letras da Universidade Federal do Paraná. 


Agora só nos resta esperar 2012 chegar e nos deliciar com todas as publicações!

Para saber mais sobre James Joyce, acesse James Joyce Centre (em inglês).

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mas afinal, o que é literatura?

Segundo o dicionário Houaiss, a palavra Literatura (do latim: lat. litteratúra,ae 'id.', com o sentido de “letra do alfabeto, caráter da escrita”) apareceu pela primeira vez na Língua Portuguesa no ano de 1728 e designa, entre outras coisas, 
1. uso estético da linguagem escrita; arte literária; 2. conjunto de obras literárias de reconhecido valor estético, pertencentes a um país, época, gênero etc. 
A Wikipédia, por sua vez, define a Literatura como “a arte de criar e recriar textos, de compor ou estudar escritos artísticos; o exercício da eloquência e da poesia; o conjunto de produções literárias de um país ou de uma época; a carreira das letras”.


As duas acepções vêem a Literatura como Arte, e é assim que gosto de defini-la. É claro que cada pessoa tem a sua própria definição que lhe agrade mais, que lhe deixe mais confortável – que pode ou não ser parecida com as que citei acima. Para mim, Literatura é arte palpável a todos os gostos, todos os públicos (mais democrática que ela, só a música, talvez). 

E por que a Literatura é tão palpável assim?! Tudo deve ao fato de as letras – aqui, no sentido de língua, de palavras – não dependerem de dinheiro, de classe social... A língua é um domínio de todos, todos podem contar histórias se quiserem. 

Pesquisando na Internet, encontrei outra definição que vem de encontro ao que defendo: 
É o conjunto das produções do intelecto humano, falada ou escrita, que despertam o sentimento do belo pela perfeição da forma e pela excelência das idéias. (não é a obra literária em toda a sua extensão, mas só a que é capaz de provocar uma emoção)
Literatura é, portanto, uma forma artística de expressar as ideias por meio de palavras (prosa ou verso falado ou escrito). Além disso, a Literatura é mágica uma vez que permite que as pessoas que estão em contato com ela (autores e leitores) ampliem seus horizontes: a interação com todas as histórias faz com que não precisemos viver aquela experiência para conhecê-la. Falando de forma simplória, não precisamos ir a Paris para conhecer a Cidade Luz se lermos um bom livro que seja ambientado lá, por exemplo. 

E como diferenciar o texto literário do não literário (seja ele oral ou escrito)? 

Tudo vai depender do uso das palavras, da forma como o autor comunica suas ideias, seus sentimentos. O famoso poema de Gonçalves Dias exemplifica bem o que quero dizer. Ele, que sentia saudades do Brasil durante o tempo em que viveu em Portugal, poderia ter expressado este sentimento por meio de frases como: sinto falta de minha pátria ou tenho saudades do meu país. Estas sentenças, embora claras e objetivas, não fazem o uso artístico das palavras, tampouco buscam provocar um sentimento de comoção em quem as ouvem, efeito contrário de sua poesia, a célebre “Canção do Exílio”: 

Minha terra tem palmeiras, 
Foto: Palmeiras, por José Luís Mendes
Onde canta o Sabiá; 
As aves que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá. 

Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossas flores têm mais vida,
Nossa vida mais amores. 

 Em cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 

Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar - sozinho, à noite - 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 

Não permita Deus que eu morra 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu'inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 

Embora as pessoas mais comuns se sintam amedrontadas diante da palavra Arte, estabelecer um contato com a Literatura – seja como autor ou leitor – não é tão difícil quanto parece, ao contrário, é um exercício extremamente prazeroso. Que tal se permitir, se aventurar?!

_________ 
Referências: 

DANZIGER, Marlies K. e JOHNSON W. Stacy. Introdução ao estudo crítico da literatura. Trad. Álvaro Cabral, com a colaboração de Catarina T. Feldmann. São Paulo: Cultrix, 1974. Páginas: 9-14, 18-21 e 25-26. 

DIAS, Gonçalves. Canção do Exílio. Disponível em: http://www.ufrgs.br/proin/versao_1/exilio/index01.html. Acessado em 28 de dezembro de 2011, às 22h59. 

MELLO, Sebastião de. Breve definição de Literatura. Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/1802767. Acessado em 28 de dezembro de 2011, às 22h05. 

Houaiss Eletrônico. Literatura. Instituto Houaiss. Editora Objetiva. 2009. 

Folhetim. Literatura. Disponível em: http://folhetim.tripod.com/literaturatermo.html. Acessado em 28 de dezembro de 2011, às 22h15.
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