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sábado, 26 de julho de 2014

[Resenha] Um bom professor faz toda a diferença, de Taylor Mali

Você já parou para pensar o que os professores fazem?! Como você se sentiria ao ouvir quase a todo instante e em todos os lugares que as pessoas são loucas ao escolher a profissão que você escolheu? Um bom professor faz toda a diferença, de Taylor Mali, nasceu justamente destas reflexões.

O que me levou a comprar este livro foi justamente o fato de já ter passado pela mesma situação de desdém vivida por Mali. A obra nasceu certo dia, depois de um churrasco em que o autor esteve. Lá, ele ouviu a seguinte afirmação de um advogado: "Os professores são tão explorados e desrespeitados que qualquer pessoa que escolha essa profissão hoje deve ter sua inteligência questionada e, portanto, não poderia nem mesmo ser autorizada a ensinar". É claro que Mali ficou mal com isso e a forma que encontrou para desabafar foi escrevendo um poema sobre o valor dos professores. Seus versos logo se tornaram um viral, espalhando-se na internet, tamanha a identificação do sentimento que ele despertara não apenas nos docentes, mas também em admiradores da profissão.

Taylor Mali declamando o poema What teachers make (O que os professores fazem)
escrito em resposta ao comentário feito durante o churrasco.

Partindo do que ouvira no churrasco e da surpresa pelo alcance de seu poema ao redor do globo, Mali escreveu Um bom professor faz toda a diferença em que compartilha suas experiências de sala de aula de forma poética e bem-humorada. Ao longo do livro, os capítulos explicam praticamente todos os versos de "What teachers make", com os exemplos das relações estabelecidas entre Mali e seus alunos. Sendo professora, é incrível ler um livro com tantas histórias permeadas pela dificuldade da profissão, sendo contadas de maneira tão inspiradoras. Taylor Mali vê a escola como um espaço de oportunidades, que deve ser vivo e intenso - repleto da felicidade que é o processo de descoberta do novo conhecimento.

Ao ler esta obra, os novos professores percebem que sim, eles fizeram a escolha certa e que sim, devem lutar pelos seus direitos para garantir condições de trabalho e de remuneração mais dignas. Já os docentes veteranos se lembram do quanto a fagulha do conhecimento é mágica e incrível e do quanto a experiência acumulada por eles é importante para quem está chegando à profissão (ela pode e deve ser compartilhada com os novatos!). Além disso, os exemplos dos projetos que ele desenvolveu com seus alunos nos desperta para ideias de ações que nós, professores, podemos desenvolver com os nossos.

Mas e se você for um leitor que não é professor? Certamente você mudará a visão negativa de uma carreira que é tão desvalorizada tanto aqui no Brasil, como nos EUA. Esta mudança de visão se deve ao próprio pensamento defendido pelo autor em toda a sua obra, que afirma que a função do professor é fazer "os alunos trabalharem mais duro do que eles imaginam ser possível" - uma vez que esta dureza vai além de fixar o conteúdo das disciplinas, mas no aprendizado dos valores de amizade, trabalho em equipe, justiça, cooperação, empatia, respeito, cordialidade e tantos outros. Afinal, são todos eles que dão sentido à vida.

Livro: Um bom professor faz toda a diferença 
Título original: What teachers make
Autor: Taylor Mali
Tradução: Leila Couceiro
Páginas: 128
Editora: Sextante
Sinopse: Todo mundo sabe que vida de professor não é fácil. Os baixos salários, as longas jornadas, a falta de treinamento e recursos, o sistema educacional ineficiente, tudo isso colabora para que cada vez menos pessoas optem por essa profissão tão importante para a nossa sociedade. Convocando todos os que compartilham dessa vocação a não desistirem da luta, Taylor Mali decidiu escrever Um bom professor faz toda a diferença. Relatando casos do tempo em que lecionava no ensino fundamental, ele oferece ótimos insights sobre a carreira, o processo de aprendizado, a postura dos pais e a realidade do ensino nos dias de hoje.
Clique aqui para ler o trecho disponibilizado pela editora. | Livro no skoob.


Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

terça-feira, 22 de julho de 2014

[Resenha] Apegados, de Amir Levine e Rachel S. F. Heller

Se você gosta de psicologia, quer entender o motivo de os seus relacionamentos sempre darem errado ou ainda quer fortalecer a sua relação amorosa, Apegados - Um guia prático e agradável para estabelecer relacionamentos românticos e recompensadores é leitura obrigatória. Escrito por Rachel S. F. Heller (mestre em psicologia sócio-organizacional pela Universidade de Columbia) e pelo Dr. Amir Levine (psiquiatra e neurocientista), Apegados nos mostra como a ciência pode ajudar no campo das relações sentimentais.

Na obra somos apresentados aos estudos que os autores fizeram da teoria do apego, de John Bowlby. A tal teoria divide todos os seres humanos em três diferentes estilos de apego distintos: ansioso, evitante ou seguro. Da combinação dos diferentes tipos de apego depende o sucesso ou o fracasso dos relacionamentos amorosos.

O livro tem uma linguagem simples, livre do academicismo, e é pautado em exemplos da vida real (fruto de pesquisas dos autores). Por ser dividido em partes, torna a leitura mais prática e esclarecedora. Na introdução há uma explicação sobre o que é a teoria do apego, fazendo analogias para demonstrar que as brigas, sumiços ou casos de relacionamentos bem-sucedidos têm por trás dos fatos a forma com que as pessoas reagem aos acontecimentos e que as reações são padronizadas pelo tipo de apego (ansioso, evitante ou seguro) que as pessoas envolvidas têm.

Chegada à parte 1 do livro, a leitura começa a fazer ainda mais sentido porque este é o trecho destinado à duas reflexões: qual é o estilo de apego do leitor e qual é o estilo de apego de seu parceiro. Para que a definição não seja feita à base do "achismo", há dois testes que atestam os estilos de apego do casal. Já na parte 2 do livro, deparamo-nos com uma divisão em três capítulos (também recheados de depoimentos da vida real) em que somos apresentados às características/dilemas dos três estilos de apego. Esta parte é fundamental porque ajuda a compreender como a nossa cabeça (e a do nosso par) pensa(m), como reagirá em determinadas situações e as razões - cientificamente comprovadas - de se dar tanta importância ou não às coisas como: ligar para o parceiro no meio do expediente ou demorar para assumir que está em um novo relacionamento. Na parte 3, temos também três capítulos. Todos eles destinados à combinação mais problemática de todas: a ansioso-evitante. Por fim, a parte 4 dedica-se à chamada "via segura".

E como usar todas estas informações ao seu favor? Há ainda mais dois capítulos extras que nos levam a refletir sobre como nos comunicamos em nossos relacionamentos e sobre como podemos lidar com os conflitos que surgem no cotidiano.

Pode-se dizer, portanto, que conhecer a teoria do apego adulto é também uma viagem de autoconhecimento e de conhecimento do nosso parceiro. Ao ler Apegados, esta viagem se torna divertida, prazerosa e extremamente compensadora.

Livro: Apegados - Um guia prático e agradável para estabelecer relacionamentos românticos e recompensadores
Título original: Attached
Autor: Amir Levine e Rachel S. F. Heller
Tradução: Marcos Maffei
Páginas: 304
Editora: Novo Conceito
Sinopse: Cada vez mais fazemos uso da pesquisa científica para conquistar melhor qualidade de vida. Sabemos o que devemos ou não comer, conhecemos o tipo de exercício que devemos praticar e por quanto tempo devemos fazê-lo, aprendemos alternativas viáveis para conquistar o sono revigorante... No entanto, nossos relacionamentos amorosos, parte importante de nossa vida, não parecem tão avaliados e estudados. Geralmente temos a sensação de que essa coisa de amor é um assunto da sorte. Mas será possível que a ciência explique por que algumas relações são produtivas e enriquecedoras, enquanto outras nos deixam perturbados e alienados? Pode a ciência explicar como muitos criam vínculos amáveis sem esforço algum, enquanto outros têm que lutar tanto pelo amor? Para o psiquiatra Amir Levine e a psicóloga Rachel Heller, a resposta é um evidente “sim”. Em "Apegados" — livro baseado nas pesquisas da Teoria do Apego, de John Bowlby —, os autores revelam como compreender os mecanismos de afeição que se criam entre os adultos, o que certamente nos ajudará a encontrar e a manter o amor. Seja você do tipo “ansioso”, “seguro” ou “evitante”, Levine e Heller se encarregam de oferecer instrumentos suficientes para que você possa construir relações mais fortes e reparadoras com as pessoas que ama.

Clique aqui para ver o livro no Skoob. | Clique aqui para ler trecho disponibilizado pela editora.

Assista ao booktrailer:




Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

domingo, 6 de julho de 2014

[Resenha] Incendeia-me, de Tahereh Mafi

Eu tenho um historia de amor com essa trilogia, um daqueles romances mesmo, de amor a primeira vista. Não dá pra definir a ansiedade que eu estava para ler Incendeia-me. Porém, meu medo de me decepcionar era tanto que esperei três meses para começar a leitura. Não sei por que esperei tanto tempo.

Confesso que as primeiras páginas do livro (leia-se as 50 primeiras) me desanimaram muito. Muitos diálogos entre Juliette e Warner que eu não fazia ideia de onde iriam chegar. Lição que aprendi: confie mais nos autores que você admira. Depois de reclamar muito, de ter reações de ira, de temer o rumo que a história iria tomar, comecei a tentar a ver as coisas por outra perspectiva. Percebi que minha heroína, que a personagem que eu tanto me afeiçoei, na verdade estava mudando. Na minha visão, Juliette que iniciou essa saga frágil, com medo, lidando com sentimentos e sensações antes desconhecidas, estava se tornando mais madura, mais confiante, mais segura de seu potencial e até posso dizer, gostando mais de si mesma. Depois de passada essa não aceitação do inicio do livro e que tudo ficou claro, não consegui mais parar de ler. 

Não gostaria de dar spoiler sobre o romance, mas posso dizer que compreendi perfeitamente a explicação de Juliette sobre o que seu coração decidiu. Digo mais, dou-lhe total razão. Eu faria o mesmo. Pela primeira vez na minha vida de leitora eu mudei de opinião não apenas como eu gostaria que o livro terminasse, mas sobre meu afeto pelos personagens. 

Quanto a parte de um futuro despótico que cabe à série, não poderíamos esperar outra coisa além do bem vencendo o mal. Porém, mais uma vez é a personalidade de Juliette que faz o desfecho ser o que é. Graças ao seu novo eu, ela se sente corajosa e capaz o suficiente para fazer o que acha certo. Sem muitas cenas de batalhas, apenas algo conciso. Como eu não esperava isso, não me decepcionei. A autora manteve sua escrita e características fiéis até o fim. 

Meu romance com esses livros termina de forma feliz. Pude ver minha personagem preferida mudando, crescendo e pude ter o que sempre espero de um bom livro: uma história que me mude, que me transforme, assim como aconteceu com Juliette em sua trajetória.

Livro: Incendeia-me
Autor: Tahereh Mafi
Páginas: 384
Editora: Novo Conceito
Sinopse: O destino do Ponto Ômega é desconhecido. Todas as pessoas com quem Juliette se importa podem estar mortas. Talvez a guerra tenha chegado ao fim antes mesmo de ter começado. Juliette foi a única que restou no caminho d O Restabelecimento. E sabe que, se ela sobreviver, O Restabelecimento não sobreviverá. Entretanto, para destruir O Restabelecimento e o homem que quase a matou, Juliette vai precisar da ajuda de alguém em quem nunca pensou que pudesse confiar: Warner. Enquanto eles lutam juntos para combater o inimigo, Juliette descobre que tudo que ela pensava saber sobre seu poder, sobre Warner e até mesmo Adam era uma mentira.
Booktrailer: 
Clique aqui para baixar trecho disponibilizado pela editora.
Veja o livro no Skoob.

Sobre a Autora:
Karla Vasconcelos é resenhista convidada no Nosso Clube do Livro. Licenciada em Letras (Português-Inglês) e turismóloga. Vive de ler, ensinar crianças e viajar. Nas horas vagas faz aulas de sapateado, jazz e hip hop.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

[Resenha] Do desejo, de Hilda Hilst


Do desejo é um livro de poemas sincero, direto e intenso. Fruto de uma compilação reúne sete livros integrais da autora Hilda Hist (Do desejo, Da noite, Amavisse, Via espessa, Via vazia, Alcoólicas e Sobre a tua grande face), a obra é um deleite para os amantes da boa poesia.

Embora a obra não seja organizada em ordem cronológica, a edição dos sete livros – projetada pela própria autora – tem uma coerência lógica e sentimental profundamente fantástica, instigando no leitor as diversas formas de se desejar o ser amado.

Se na primeira parte do livro, homônima a obra, há um desejo profundamente carnal (visto em versos como o do primeiro poema, que diz: “Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo / Tomas-me o corpo. E que descanso me dás / Depois das lidas”), ao passar da leitura nota-se um desejo etéreo, platônico, destes que se afoga na bebida (como lemos em nos versos de Alcoólicas: “Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento / Vão se fazendo olvido. Depois deitas, a morte / É um rei que nos visita e nos cobre de mirra. / Sussurras: ah, a vida é líquida.”).

É notável os jogos de palavras, as estruturas e a musicalidade presentes nos poemas. A composição de cada estrofe aproxima o leitor e a obra, fazendo com que todos nós sintamos o cerne do sentimento ali descrito. É justamente esta proximidade que nos faz devorar cada página e querer conhecer cada vez mais a obra da autora.

Livro: Do desejo
Autor: Hilda Hilst
Páginas: 128
Editora: Globo - Biblioteca Azul
Sinopse: Lançado originalmente em 1992, Do desejo é uma reunião (não uma antologia, como se tem divulgado) de sete livros de Hilda Hilst, produzidos num intervalo de seis anos. Dois deles eram então inéditos: Do desejo (homônio do título do conjunto) e Da Noite. Concebida pela própria autora, a reunião desses livros oferece, na sua disposição não-cronológica, possibilidades originais de leitura que o tornam um livro único, bem diferente da soma de leituras de cada livro particular incorporado nele. Se fosse possível reduzir sua poesia de questões a uma única, Do desejo postula o dilema de sustentar o gozo de um amante particular e viciário em versos que buscam a eternidade e o absoluto.
Livro no skoob.



Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, e no Teoria, Prática e Aprendizado.

terça-feira, 27 de maio de 2014

[Resenha] Um Gato de Rua Chamado Bob, de James Bowen

Bob e James Bowen (Foto: Facebook)

Quando se olha a capa e lê-se o título deste livro, pensa-se que Um Gato de Rua Chamado Bob é apenas mais uma narrativa sobre um felino laranja fofinho. Ao começar a leitura, entretanto, descobre-se que a narrativa vai muito mais além; ela é uma jornada de superação que só foi possível graças ao amor entre James Bowen e seu gato, o Bob. 

A biografia contada do livro é a de James. Sua trajetória é triste, complicada e dolorosa, contudo ele soube transpor ao papel de forma leve e divertida – algo que nos faz querer devorar toda a história. Sua vida é repleta de desafios e angústia, que – como notamos – aos poucos foram transformadas em pequenas grandes conquistas alegres. Tudo isso acontece graças ao senso de responsabilidade que Bob trouxe ao cotidiano de Bowen.

O livro começa sua narração no momento em que James chega a sua casa – uma moradia provisória para alguém que está em um processo de reabilitação, lutando contra o vício de drogas – e depara-se com um gatinho laranja na porta do prédio. Ele, que sempre tivera boas lembranças dos gatos que passaram por sua vida, resolve ajudar o bichano até que o animalzinho se restabelecesse de uma ferida na pata. E o que isto tem de diferente? Tanto James quanto Bob eram seres sem passado buscando se reestabelecer: Bowen preferia esquecer que era uma “pessoa não-pessoa”, um dependente químico que viveu boa parte da sua vida ao relento, sendo ignorado nas ruas de Londres e que agora tentava a vida como músico de rua. Já Bob, por sua vez, parecia um animal esperto, mas com um passado tão obscuro quanto o de seu mais novo amigo. 

Aos poucos, este relacionamento entre os dois foi crescendo e ganhando um peso maior: Bowen agora tinha duas bocas para alimentar, a sua e a do seu novo gato de estimação. Esta responsabilidade fez com que o nosso autor ganhasse – pouco a pouco – a autoconfiança perdida. Se Bob acabou por escolher um pai, ao decidir ficar na casa do autor; Bowen, por sua vez, desenvolveu o seu instinto paterno, ao acolher o “bebê” lindo que adora passear em seus ombros. 

A maneira simbiótica como a relação dos dois se dá é incrivelmente bela. James Bowen, apesar do difícil momento que vivia quando conheceu Bob, sempre respeitou o gatinho. Ele o alimentou, levou ao veterinário, deu-lhe o livre arbítrio de decidir entre voltar às ruas ou morar com o autor. Bob, sábio como todo felino, não só decidiu ficar com o autor, mas também trabalhar com ele. Conhecer as peripécias dos dois nas ruas de Londres deixa a nós, seus leitores, cada vez mais na torcida para que os dois tenham um final feliz juntos. 

Um Gato de Rua Chamado Bob é um livro sobre amor a vida, sobre amizade, sobre não desistir quando o mundo está praticamente lhe obrigando a fazê-lo. É um livro sobre superação, sobre elos, sobre família. Tudo porque um dia um gatinho laranja parou à porta de um homem e não desistiu dele.

Livro: Um Gato de Rua Chamado Bob
Título original: A Street Cat Named Bob
Autor: James Bowen
Tradução: Ronaldo Luís da Silva
Editora: Novo Conceito
Páginas: 239
Sinopse: É uma tarde de outono em Covent Garden, Londres. Trabalhadores correm para o almoço, turistas brotam de todos os lados e clientes entram e saem das lojas. No meio de tudo isso está um gato. Usando um vistoso lenço Union Jack em volta do pescoço e cercado por uma multidão de 30 espectadores de boca aberta, Bob, o gatinho cor de laranja, sorri — é, sorri — timidamente. Próximo a ele, está seu dono James Bowen, com seu violão surrado, cantando músicas do Oasis. Então, ele para de tocar e se abaixa para Bob: “;Vamos, Bob, cumprimente!”;, diz. Bob mexe os bigodes, levanta uma pata e a estende para James. A multidão assobia. Não é todo dia que se vê um gato sentado, calmamente, no centro de Londres, aparentemente sem se abalar com o barulho das sirenes, os carros passando e todo aquele movimento — mas Bob não é um gato comum...

Booktrailer:

James Bowen e Bob no Twitter.
James Bowen e Bob no Facebook.


Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, e no Teoria, Prática e Aprendizado

segunda-feira, 14 de abril de 2014

[Resenha] A invenção das asas, de Sue Monk Kidd

Capa.
Indicado pela Oprah em seu clube do livro, A invenção das Asas, romance-histórico escrito por Sue Monk Kidd; retrata, de maneira brilhante, a vida das irmãs abolicionistas Sarah e Angelina Grinké, que viveram durante a época da colonização americana. A narrativa nos é apresentada pelas duas personagens principais: Sarah Grinké, filha de uma família tradicional de escravocratas do sul dos Estados Unidos, e Encrenca, sua escrava que sonha em ser livre. O fato de termos os dois pontos de vistas ali apresentados já é uma mostra da personalidade e genialidade da narrativa de Kidd: ela tem o poder de deixar os leitores ansiosos pelos pormenores da história e, ao mesmo tempo, na torcida para que as duas protagonistas realizem os seus desejos.

Tudo começa com a sagacidade da pequena Sarah. Ela, que sempre gostou de estudar, sonhava em ser advogada e discutia por horas a fio com o seu irmão sobre os assuntos da sociedade. A menina sempre demonstrou uma tendência abolicionista e se tornou uma leitora sagaz, uma vez que seu pai neglicenciava propositalmente as suas idas à biblioteca da família. Ao completar 11 anos, Sarah vê sua vida mudada. Ela é obrigada a fazer parte da vida social da sua cidade natal e, como parte deste processo de crescimento, ganha de presente uma escrava, a miúda Hetty Grinké, chamada gentilmente por todos por Encrenca.

Embora o papel de Encrenca seja o de assumir o lugar de dama de companhia de Sarah, o presente a enfurece. Para ela, os seres humanos devem ser livres. E como libertá-los? Bem, já que ela não pode recusar a Encrenca, ensinou-lhe a ler. É claro que o seu ato trouxe várias consequências difíceis tanto para Sarah, quanto para Encrenca. Enquanto esta foi punida fisicamente, aquela foi proibida de ter contato com o seu maior bem: os livros.

A beleza da obra passa a transpor a narrativa: ela vai ao cerne de cada personagem. Além da força e determinação de Sarah e de Encrenca, deparamo-nos com Charlotte (mãe de Encrenca) e Nina (apelido carinhoso de Angelina Grinké, irmã mais nova de Sarah). Todas elas são fortes, batalhadoras, sonhadoras e, sobretudo, determinadas a encontrarem as asas que lhe darão a devida liberdade.

As irmãs - juntas ou não - quebram os paradigmas sociais ajudando os escravos a passearem, ensinando-os a ler, lutando por seus direitos. É claro que elas foram punidas por isso, chegando a ser expulsas de diversos tipos de comunidades a que pertenciam. Por outro lado, foi justamente que a colocaram em destaque como as primeiras abolicionistas americanas e inspiração para a obra de Kidd.

Encrenca e sua mãe - que são personagens fictícios - não têm menor importância. Elas são responsáveis por nos fazer refletir sobre as atrocidades cometidas contra negros feitos de escravos (seja em qual parte do continente isso tenha acontecido) e também nos fazem pensar se nós não estamos sendo escravos de nossa própria mente.

Além de toda a questão abolicionista, ainda há espaço para romance.
Trecho da página 111.
Historicamente falando, é interessante observar também como homens e mulheres se relacionavam e como a autora expressa isso nos diferentes núcleos, com os diferentes pares (irmãos com irmãs, pais e filhos, maridos e esposas, fiéis e reverendos, escravos e seus donos). Também é notável as diferenças entre as vertentes do protestantismo da época e as suas formas diferenciadas de olhar para a questão da escravidão.

A invenção das Asas é uma obra belíssima que enche a vida dos leitores com sua força e coragem. É uma leitura agradável que merece ser feita com todo o carinho e que nos leva a reflexões profundas sobre a nossa relação com o mundo.


Livro: A invenção das Asas
Título original: The invention of Wings
Autor: Sue Monk Kidd
Tradução: Flávia Yacubian
Páginas: 328
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Sue Monk Kidd apresenta uma obra-prima de esperança, ousadia e busca pela liberdade. Inspirado pela figura histórica de Sarah Grimke, o romance começa no 11º aniversário da menina, quando é presenteada com uma escrava: Hetty “Encrenca” Grimke, que tem apenas dez anos. Acompanhamos a jornada das duas ao longo dos 35 anos seguintes. Ambas desejam uma vida própria e juntas questionam as regras da sociedade em que vivem.
Clique aqui para ler o trecho disponibilizado pela editora.

Booktrailer:


Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

quarta-feira, 19 de março de 2014

[Resenha] Golfinhos e Tubarões - O Outro Mundo

Logo nas primeiras páginas de “Sobre Golfinhos e Tubarões”, conhecemos a história de Victoria, uma menina que foi adotada aos 5 anos de idade e não se lembra da sua vida antes de sua adoção por Ana e Greg.
Victória foi crescendo e mudando - não como qualquer adolescente comum - porque ela foi desenvolvendo certos poderes e seu cabelo foi mudando de cor. Certa vez, seu poder se descontrolou e ela acabou prendendo seus pais adotivos na parede e rachando as paredes e o chão da sala de sua casa. Depois desse episódio, Ana e Greg começaram a ter medo da menina e com sua super audição, Victoria ouvia as conversas e discussões do casal sobre seus “dons”.
Um dia, Vicky estava deitada em sua cama ouvindo Ana e Greg discutindo sobre sua permanência na casa, quando ela escuta o barulho da campainha e duas pessoas entram na casa. Eles vieram a pedido de Ana e Greg, que acreditavam estar diante de empregados de um hospício, mas na verdade, a dupla era de uma escola onde Vicky aprenderia a controlar seus poderes.
Vitor e Lisa são professores dessa escola e Lisa tenta convencer Vicky a aceitar a idéia de estudar e morar longe de seus pais. A professora leva Vicky, em visão, até a escola e um aluno chama a atenção de Vicky, um rapaz pálido, de cabelos escuros, que estava distante dos outros alunos. Ela tem vontade de estar perto, conversar e abraçar o garoto.
Vicky tem uma personalidade forte e uma curiosidade, por vezes, até irritante (dá vontade de bater nela em algumas partes do livro). Também desvendamos o passado dela e sua história com Alex, o menino pálido que tenta afastá-la de qualquer jeito porque, além de ser perigoso para todos, ele é meio humano e meio vampiro com um segredo sobre o passado deles que jurou não contar.
Seu amor por Alex pode matá-la, mas Vicky está disposta a fazer qualquer coisa para ficar com ele e as tentativas do garoto de ficar longe dela são inúteis. Aprendemos a gostar de Alex no decorrer da leitura e eu o considero um dos melhores personagens do livro. Juntos com seus amigos, eles passarão por provações e até pelo começo de uma guerra anunciada.
O livro prende a atenção do leitor no mistério sobre o passado de Vicky e eu sinceramente gostaria de ler uma sequência e saber o que essa turminha pode aprontar.
Livro: Golfinhos e Tubarões - O Outro Mundo
Autor: Tais Cortez 
Editora: Chiado
Lançamento: 2013
Sinopse: Aos cinco anos, Victoria foi adotada por Ana, presidente de uma indústria de cosméticos, e Greg, um bem-sucedido advogado. Ela não entende por que não se lembra dos verdadeiros pais e não acredita na suposta causa da morte deles. Ao completar quinze anos, estranhas mudanças começam a acontecer. Seus cabelos ruivos escurecem, ela se torna cada vez mais forte e rápida, seus sentidos ficam aguçados e alguns dos seus sonhos passam a ser premonições. Após a visita de um casal peculiar, ela é levada para um mundo desconhecido e único, onde terá que aprender a controlar suas habilidades, freqüentando aulas diferentes de tudo o que já viu. Lá ela conhece Alex. A atração entre os dois é imediata, mas ele se recusa a se aproximar de Victoria e de qualquer outro aluno. Ainda assim, o destino se encarrega de uni-los e Alex passa a protegê-la e ajudá-la. O que Victoria não sabe é que ele esconde um segredo que mudará sua vida, e que o passado pode estar mais perto do que eles imaginam...

Sobre a Autora:
Camila CompariniCamila Comparini é Farmacêutica e Bioquímica formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Adora ler, adora Literatura de Fantasia e Romance Policial e defende com unhas e dentes esse tipo de literatura. 

[Resenha] Seis coisas impossíveis, de Fiona Wood

Seis coisas impossíveis é daquele tipo de livro que lemos em uma sentada. Divertido, ele é um ótimo passatempo para quem quer uma leitura despretensiosa em um dia chuvoso. A narrativa nos apresenta Dan, um adolescente que vê a sua vida ruir diante de seus olhos, quando os negócios da família falem e seu pai se assume gay. Por conta da falência e da separação, Dan e sua mãe passam a morar em uma casa herdada de uma tia falecida. O lugar está mais para um museu - de tantas peças antigas que lá há - do que para uma residência; contudo, por causa de uma cláusula no testamento, Dan e sua mãe não podem vender as artes e assim fazer algum dinheiro.

É justamente este orçamento apertado que leva a mãe de Dan a querer abrir um negócio próprio: uma empresa de bolos de casamento. Tudo teria dado muito certo, se ela não resolvesse dar uma de psicóloga e fizesse com que as noivas desistissem de se casar. Irônico e divertido, podem ter certeza. Mas também um pouco trágico. Dan, vê tudo indo por água abaixo e ainda tem que lidar com todo o bullying que sofre na escola nova e com o amor que sente por Estelle, sua vizinha.

Página 11

Então, para tentar dar um jeito em sua vida, ele elabora a lista com seis coisas que quer muito fazer, mas que não sabe exatamente como. Nós, leitores, acompanhamos a sua aventura nesta busca pela realização e só conseguimos torcer para que tudo dê certo. No final da obra, alguns pontos ficaram abertos, o que dá asas a nossa imaginação, uma vez que podemos criar hipóteses sobre o que aconteceu. Já os assuntos da lista que a autora encerra, recebem um fim tão bacana, que não tem como não se emocionar.

Além de ser bem escrito, Seis Coisas Impossíveis tem um projeto gráfico muito bonito, que estimula o leitor. Como vocês puderam observar na foto acima, cada abertura de capítulo tem algumas ilustrações. Fora a capa em si, que é muito bonita. Esta é, sem dúvida, uma leitura que recomendo.

Livro: Seis Coisas Impossíveis
Título original: Six impossible things
Autora: Fiona Wood
Tradução: Ana Paula Corradini
Páginas: 272
Editora: Novo Conceito
Sinopse: Dan Cereill levou um encontrão da vida: seu pai faliu, assumiu que é gay e separou-se de sua mãe, tudo de uma vez só. Enquanto isso, sua mãe recebeu de herança uma casa tombada pelo patrimônio histórico que cheira a xixi de cachorro, mas que não pode ser reformada... E, agora, Dan está vivendo em uma casa-relíquia que parece um chiqueiro, com uma mãe supertriste e sem conseguir falar com o pai — que ele ama muito. Suas únicas distrações são sua vizinha perfeita, Estelle, e uma lista de coisas impossíveis de fazer.
Booktrailer:


Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

[Resenha] Esconda-se - Você Terá Boas Razões Para Temer.

Finalmente um bom livro de romance-policial. Muitos tentam e poucos conseguem prender o leitor do começo ao fim e desenvolver uma boa história. Coisa que Lisa Gardner conseguiu.

Em Esconda-se conhecemos a família Granger que após uns problemas com um voyeur, resolve mudar de cidade. O pai de Annabelle mantém a todos em movimento e a cada cidade/estado novos, eles recebem novos nomes.

Eu sinceramente não consigo imaginar o que é viver fugindo. Annabelle se sente frustrada e com raiva de seu pai por toda essa vida estranha, porém, com apenas sete anos ela não entende nada do que estava acontecendo. Sendo assim, essa vida de viver fugindo e sentindo medo do "nada" a deixou revoltada.

Quando sua mãe morre, Annabelle decide voltar a Boston (onde tudo começou). Seu pai não gostou muito da ideia, mas acabou voltando. Com novos nomes, emprego novo, eles iam seguindo a vida do melhor jeito possível. Porém, um tempo depois que eles chegam a Boston, o pai dela morre em um terrível acidente.

Após a morte dele, ela sente que está livre dessa vida de fugir e trocar de nome sempre. Enquanto ela segue a sua vida, a polícia de Boston encontra uma cena de crime no antigo Hospital Psiquiátrico de Boston. Em uma tumba subterrânea, que eles não sabiam se fazia parte do complexo ou se foi feita depois que o hospital fora fechado, foram encontrados seis corpos de crianças, que estavam enterradas lá há alguns anos. Todas estavam mumificadas, porém chamou a atenção o fato de uma conter uma correntinha com o nome da criança: Annabelle Granger.

Assim que ela vê seu nome estampado todos os jornais e na TV de Boston, ela resolve ir à polícia e falar que esta viva, porém quem iria acreditar nela? Quando sua família saiu de Boston pela primeira vez, ela não pôde pegar nada que confirmasse que ela era Annabelle Granger, uma vez que seu pai ordenou que ela pegasse apenas o necessário e pronto. Para uma criança de sete anos de idade, fotos e registro de nascimento não são coisas necessárias.

Assim, ela conhece D.D. Waren, que está em seu novo cargo de sargento, comandando as investigações. Ele, por sua vez, resolve chamar seu antigo amigo Bobby, que antigamente era atirador de elite, mas depois dele matar um homem e responder a processos, acabou virando detetive.

Assim que Annabelle conta sua história a eles, Bobby fica responsável por ela e por sua história mirabolante de uma vida de fuga e nomes diferentes. Enquanto isso, todo o Departamento de Homicídios está ocupado tentando entender a história dos assassinatos e qual foi o motivo.

Com o passar de cada página, Gardner prende o leitor: cada personagem novo é um suspeito. Eles desconfiam de seguidor ou ajudante de Umbrio (casos semelhantes, porém ele só raptou e torturou uma menina de doze anos: Catherine, que, para ajudar mais ainda nas investigações, é parecidíssima com Annabelle).

A cada capítulo um acontecimento novo, uma parte da história de vida de Annabelle descoberta. Até o momento que descobrimos que Annabelle, não é realmente Annabelle... E quem é finalmente a pessoa que está atrás dela e qual foi o motivo dele ter matado seis meninas, uma delas, amiga de Annabelle.

Bem descrito e com coerência à vida policial, Gardner tem uma bela obra em mãos e eu fiquei com vontade de ler seus outros livros.

Autor: Lisa Gardner
Editora: Novo Conceito
Lançamento: 2013
Tradução: Camila Werner
Sinopse: Uma mulher que foi obrigada a fugir — desde criança— de uma possível ameaça. Uma ameaça que seu pai via em todo lugar, mas que a polícia nunca considerou. Um antigo e desativado sanatório para doentes mentais que pode ter muito mais a esconder entre suas paredes do que homens e mulheres entorpecidos por remédios. Uma história de rancor entre membros de uma mesma família que nunca conseguiram superar os episódios de violência doméstica que presenciaram. Um pingente que foi parar em mãos erradas — e a cena de um crime brutal: seis meninas mortas e mumificadas há mais de trinta anos. Agora, cabe à famosa detetive D.D. Warren descobrir quem foi o serial killer que cometeu esta atrocidade e que motivação infame deformou sua mente. Acompanhe D.D. Warren na solução de mais este complexo caso e encontre o inimaginável que está por trás de pessoas aparentemente comuns! 

Sobre a Autora:
Camila CompariniCamila Comparini é Farmacêutica e Bioquímica formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Adora ler, adora Literatura de Fantasia e Romance Policial e defende com unhas e dentes esse tipo de literatura. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

[Resenha] Coisas não ditas, de Livia Brazil


De todos os livros que li em 2013, posso afirmar com certeza que Coisas não ditas foi o mais apaixonante!
E quando digo "apaixonante", leia-se: querido a ponto de eu perceber que ele estava acabando e diminuir o meu ritmo de leitura diária para que ele durasse mais tempo. Porque, sim, a minha despedida da Lucie e do Rafa me deixou triste. A razão? Queria muito mais deles!

Mas antes de falar quem são Lucie e Rafa, quero abordar um pouco do livro em si. Quando o vi pela primeira vez, achei a capa incrível (e quando postei a foto dele no instagram, minhas amigas disseram o mesmo!). Só pelo o bom gosto da capa, temos vontade de conhecer a história e o seu conteúdo. E, então, logo de cara encontramos uma nota da autora que cativa a todos, principalmente aqueles que - como eu - adoram uma boa música! Explico: Livia Brazil se inspirou em diversas canções para escrever o livro (uma para cada capítulo, para ser mais precisa) e compartilhou esta playlist conosco, seus leitores. Eu, particularmente, achei um máximo quando vi - principalmente porque a lista está no começo do livro e eu pude ouvir as músicas enquanto lia (fiquei super chateada quando cheguei ao final do Depois dos Quinze, da Bruna Vieira, e vi que tinha uma lista de músicas. Como nunca olho os fins dos livros antes de lê-los, só a descobri findada a leitura. Ponto para a Livia Brazil que colocou a lista dela no começo!).

Aliás, quanta música incrível! De novo falando de uma particularidade, fiquei estasiada quando percebi que havia uma música do Greg Holden na lista, porque nunca havia conhecidos alguém daqui do Brasil que soubesse das músicas dele além de mim (e das meninas do gr8 songs) - aliás se mais alguém conhecer, pode avisar aí nos comentários... Bem, acho que, por tudo isso que já citei, nem preciso dizer que comecei a leitura empolgada, não é?

O livro começa nos apresentando a Lucie, uma atriz que faz o tipo da mulher jovem e moderna: ela é independente e luta pelo que quer - no caso, um papel na sua peça teatral preferida: o musical Rent. É Lucie quem narra quase todos os capítulos apresentando os demais personagens e o desenrolar da trama. É por meio dela que conhecemos o seu irmão super-ciumento, Noah. Noah é cantor e faz parte e uma banda junto com o Vinicius, melhor amigo e Lucie, e com o Rafa - com quem ela fica. O problema é que os outros personagens da trama não sabem destas ficadas dos dois. É a partir deste conflito que a trama se desenvolve.

Falando assim, parece "coisa boba", mas o fato é que, com o desenrolar da história, vamos conhecendo melhor quem é quem e passamos a entender os motivos, os medos e os desejos de cada um neste enredo, em que os sentimentos dos personagens são os de todos nós: seus leitores. A maneira como tudo é narrado é tão cativante que é impossível não se pegar pensando nas vidas da Lucie e do Rafa. Mais improvável ainda é se distanciar a ponto e não torcer por eles.

Esta é uma obra de ação que nos faz pensar: a total proteção vale a pena? Como lidar com certos acontecimentos que são fatos imutáveis na nossa vida? Como viver intensamente? Pode-se realizar um sonho sozinho(a)? É válido se fechar com medo do amor? E esperar por amor, isso vale a pena? De maneira doe e intensa vemos Lucie e Rafa vivenciarem - cada um à sua maneira - todos estes questionamentos e chegarem às suas conclusões.

Lindo, bem-escrito, romântico, mas com uma boa dose de realidade. Coisas não ditas é um livro nacional que merece ser lido. Garanto que vocês não irão se arrepender e que, assim como eu, desejarão mais e mais.

Livro: Coisas não ditas
Autora: Livia Brazil
Páginas: 336
Editora: Benvirá
Sinopse: – Lucie, namora comigo? Namorar? Namorar de verdade? Dividir a vida? Contar todos os segredos? Fazer mil concessões? Não, Lucie não estava preparada; aliás, isso nem passava pela sua cabeça. Ela só não contava ficar tão perturbada com a pergunta. Mas não, definitivamente não, assumir a paixão por Rafael para todo mundo era algo impensável. Sem saber lidar com a situação e às vésperas de estrear no musical dos seus sonhos, Lucie vê sua vida virar de pernas para o ar. E o turbilhão de ansiedade acaba trazendo à tona um segredo que ela guarda desde a infância. Coisas não ditas é para rir, sentir raiva, se emocionar... E para tornar a leitura ainda melhor, Livia Brazil indica as músicas que a inspiraram em cada capítulo. A playlist está nas primeiras páginas – aumente o som e boa leitura!

Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no designdiPoesia

domingo, 5 de janeiro de 2014

[Resenha] Nu, de botas, por Antonio Prata

Foto do autor, Antonio Prata, que aparece na orelha de
Nu, de Botas.
Nu, de botas foi o livro que li na transição de 2013 para 2014. Que presente! Nele, seu autor, Antonio Prata resgata suas memórias de infância, com a experiência de um adulto e o olhar de uma criança. Esta forma de escrever prosa, que beira à poesia, faz com que o leitor sinta-se na varanda de casa, vendo o pôr-do-sol, enquanto conversa com um amigo.

Para quem nasceu nos anos 80 – ou antes – há um deleite um tanto assustador: perceber as mudanças no tempo e como tudo se transformou rapidamente. Prata nos faz lembrar alguns fatos já esquecidos por nós – ao menos por mim –, a exemplo de como ele andava praticamente deitado de ponta cabeça no banco de trás do carro, enquanto o seu pai dirigia estrada a fora (cinto de segurança para quê?) ou da expectativa que as crianças tinham para ligar e conseguir falar com o palhaço de TV, o Bozo.

O primeiro amor, as primeiras perdas, a chegada da irmã, a descoberta do sexo. Tudo é narrado de maneira tão bela; que, de certa forma, nos deixa com vontade de ser criança novamente. É impossível não resgatar o início da nossa própria vida, das nossas pequenas descobertas diárias, desbravando o mundo. Por isso, não há como não sorrir. É extremamente  bela a maneira como o autor apresenta a visão da criança e a sua tentativa de compreender o mundo dos adultos – que nas memórias é a sua visão e a sua tentativa de entendimento; mas que, quem convive com crianças sabe, são pontos de vista e questionamentos universais do contexto infantil.

Por que determinados assuntos pode ser conversado com naturalidade com os pais, mas não com outras pessoas? Por que as mães são diferentes? Como é possível as casas teoricamente iguais terem seus cômodos e móveis em outros lugares? Por que a mãe do meu amigo não o deixa ver certos programas de tv? Os contrastes do mundo e a forma de organiza-los são narrados de maneira deliciosa que nos desperta para o automatismo em que vivemos. Quantas vezes, conforme vamos crescemos, deixamos de refletir sobre a trivialidade da vida?

Nu, de botas é um livro que enche o nosso coração de alegria. Ele é reflexo da pureza de um olhar novo para o mundo. Retratando o medo, o receio, a felicidade, as dúvidas e todas as suas inquietações infantis, a obra de Antonio Prata serve de reflexo para a nossa própria existência.

Livro: Nu, de Botas
Autor: Antonio Prata
Páginas: 144
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Em Nu, de botas, Antonio Prata revisita as passagens mais marcantes de sua infância. As memórias são iluminações sobre os primeiros anos de vida do autor, narradas com a precisão e o humor a que seus milhares de leitores já se habituaram na Folha de S.Paulo, jornal em que Prata escreve semanalmente desde 2010. Aos 36 anos, Prata é o cronista de maior destaque de sua geração e um dos maiores do país. São de sua lavra alguns bordões que já se tornaram populares - como “meio intelectual, meio de esquerda”, título de seu livro anterior e de um seus textos mais célebres -, bem como algumas das passagens mais bem-humoradas da novela global Avenida Brasil, em que atuou como colaborador de João Emanuel Carneiro. Prata também é um dos integrantes da edição Os melhores jovens escritores brasileiros, da revista inglesa Granta. As primeiras lembranças no quintal de casa, os amigos da vila, as férias na praia, o divórcio dos pais, o cometa Halley, Bozo e os desenhos animados da tevê, a primeira paixão, o sexo descoberto nas revistas pornográficas - toda a educação sentimental de um paulistano de classe média nascido nos anos 1970 aparece em Nu, de botas. O que chama a atenção, contudo, é a peculiaridade do olhar. Os textos não são memórias do adulto que olha para trás e revê sua trajetória com nostalgia ou distanciamento. Ao contrário, o autor retrocede ao ponto de vista da criança, que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular - cômico, misterioso, lírico, encantado.
Clique aqui para ler trecho disponibilizado pela editora. | Veja o livro no Skoob.


Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no designdiPoesia

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

[Resenha] Manual do Mimimi - Lia Bock

Se tem um livro cujo titulo é a minha cara, é o “Manual do Mimimi”. Eu sou uma pessoa cheia de “mimimis” e assim que o vi nas opções, logo solicitei para fazer resenha. Já esperava algo bem alto-astral. Também com uma capa colorida desta, coisa triste que não seria!

Manual do Mimimi – do Casinho ao Casamento (ou vice-versa)” é um apanhado de textos publicadas no blog “Eu lia, tu lias”, da autora, jornalista e colunista da revista TPM, Lia Bock. Ele é recheado de crônicas divertidas que poderiam ser o relato da vida de qualquer mulher acima dos 20 e poucos anos. Comigo rolou uma identificação em alguns aspectos, e talvez esse seja o objetivo deste pequeno livro de 110 páginas. A identificação do leitor para com os textos e posso até arriscar que alguns “ensinamentos” tirados dele serão levados para a vida.


Quebrar a cara faz parte, mas depois de um tempo... dá uma preguiça. Dá vontade de antever os pormenores, acelerar a história um tempinho, só pra saber (assim, de leve, como quem não quer nada) se vale a pena regar aquele friozinho na barriga que começa a brotar ali.” (p.103).


É como se você estivesse tendo uma conversa com sua melhor amiga. Não preciso dizer que a leitura é tão rápida que em uma sentada você consegue “conversar” com Lia Bock tranquilamente. As ilustrações contidas no livro, todas produzidas por Zé Otávio, são um show a parte. Elas complementam os ditos da autora e até divertem o leitor às vezes.


Livro: Manual do Mimimi – do Casinho ao Casamento (ou vice-versa)
Autor: Lia Bock
Editora: Paralela
Páginas: 110


Sobre a Autora:
Suelen DiasSuelen Dias é formada em Marketing e se aventura diariamente em sua segunda graduação, Jornalismo. Colunista do site Up!Brasil, juntou-se com as amigas para colaborar neste blog. Adora um bom chick-lit, romance e às vezes um drama ou aventura. Super encara, ou melhor, devora livros de banca sem preconceito.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

[Resenha] Eu sou Malala, de Malala Yousafzai com Christina Lamb

É impossível querer conhecer e entender a história de quem e a “garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã” sem passar por outros momentos que precedem o seu nascimento. A vida da Malala que emocionou o mundo começa muito antes, com o surgimento de seu país, com a luta de seu pai numa tentativa de abrir as portas educacionais às crianças paquistanesas. Logo, Eu sou Malala é um livro que intrinsecamente narra estas três histórias: a da formação do Paquistão, a da formação da família Yousafzai e a da própria Malala e seu atentado.

Logo no prólogo, temos uma breve descrição de como foi o momento em que Malala foi baleada e desde já, somos levados a várias reflexões. Dentre elas, nos perguntamos: de que vale a violência gratuita?

A obra é dividida em 5 partes. Na primeira, há uma descrição de como a família Yousafzai se constituiu e de como era a vida antes da chegada do Talibã ao vale do Swat. Esta parte é fundamental, pois ela apresenta ao leitor as crenças, os costumes, o modo de vida da comunidade do vale, além de ser uma justificativa das convicções de Malala. A menina cresceu vendo a luta de seu pai para ter e manter suas escolas abertas, além disso, sempre gostou de ouvir as conversas dos mais velhos sobre política.

A segunda parte retrata a chegada do Talibã ao vale, a destruição do patrimônio histórico-cultural da região, a resistência de Malala e seu pai à pressão sofrida para o fechamento da escola de meninas. A violência presente no dia a dia das pessoas passa a ser cada vez mais presente e intensa. Até que culmina no que vem descrito na parte três: o atentado sofrido pela Malala – não mais por ela frequentar a escola, mas sim por ela o fazer e discursar contra as ideias radicais e extremistas dos talibãs.

Até este ponto da leitura, o livro me deixou muito dividida: se por um lado eu admiro a força e a determinação de Malala e sua família, na luta pelos direitos básicos das pessoas do Swat (seja na questão educacional, seja dividindo a própria comida com quem não tinha um grão de arroz para se alimentar); por outro, a crueldade a troco de nada, a violência, a privação e a busca desenfreada por poder só me deixou abalada. Ver os rumos da nossa humanidade assusta em certos aspectos e Eu sou Malala nos mostra uma realidade tão cruel que é impossível não se sensibilizar e não temer tudo isso.

No meio do livro há fotos dos momentos mais marcantes da vida da Malala.
A quarta parte é que relata os momentos de desespero em que os pais da Malala não sabiam ao certo a gravidade de seu acidente. Nela vemos também como a falta de infraestrutura pode ser fator determinante para o fracasso de um tratamento médico – o que me fez traçar um paralelo e pensar na realidade brasileira e no quanto as pessoas pobres sofrem com isso. É nesta parte também que vemos com detalhes como a Malala viaja até a Inglaterra, para – na quinta e última parte – entendermos como ela e sua família se estabelecem em Birmingham.

A obra termina com um prólogo em que Malala faz um relato de como é a sua vida atualmente. Percebe-se então a importância da liberdade em nossas vidas. Uma coisa é mudarmos de país por opção própria; outra é ser forçado a fazê-lo da noite para o dia, sem ter uma perspectiva de retorno. Ainda que Malala viva em pleno conforto – e possa estudar em liberdade – seu maior desejo é ver as árvores do Swat novamente, fato que não há perspectiva de acontecer tão cedo.

Eu sou Malala é um livro simples e ao mesmo tempo profundo. Sua leitura é fácil; seus fatos complexos; suas palavras tocantes e transformadoras, capazes de mudar uma vida inteira. Não há como terminar esta leitura sendo a mesma pessoa que a iniciou. Malala é exemplo, é perseverança, é vida - mesmo com o mundo dizendo para que ela fosse contra a todos os seus princípios. 

“‘Que possamos pegar nossos livros e canetas’, eu disse. ‘São as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo’”. (Eu sou Malala, Malala Yousafzai – página 324).

Capa.
Livro: Eu sou Malala
Subtítulo: A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã
Autor: Malala Yousafzai - com Chirstina Lamb
Tradução: Caroline Chang, Denise Bottman, George Schlesinger, Luciano Vieira Machado
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 360
Sinopse: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. “Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo.

Clique aqui para ler o trecho disponibilizado pela editora.
Veja aqui o livro no skoob.

PS: No livro a Malala cita um documentário que o jornal The New York Times fez sobre ela e a violência no Vale do Swat, chamado Class Dismissed in Swat Valley. Como o vídeo está disponível no youtube, segue abaixo. Ele é em inglês, mas mesmo quem não sabe o idioma consegue ter a dimensão da crueldade por todos vivida. Só em ver as imagens também dá para perceber o quanto a Malala foi corajosa em discursar tantas vezes contra o Talibã.



Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no designdiPoesia

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

[Resenha] Dois Rios - Um amor, um segredo e as surpresas que a vida reserva

Conhecemos Harper, 34 anos, viúvo, com sua filha Shelly, morador de Dois Rios desde sempre. Harper tem um segredo horrível e tudo o que ele procura é o perdão do crime cometido.

Começamos o livro com um flashback de 1968, onde Harper e seus amigos cometem um crime. Mais para frente, entendemos o motivo e o fato de ter sido feito de cabeça quente.

O livro é escrito em uma narrativa da vida de Harper e de suas lembranças, às vezes, parece que você está lendo o diário dele. Sua vida é simples e triste, por mais que ele ame a sua filha, Shelly, ele é uma pessoa entristecida desde a morte de Betsy, amor de infância e sua mulher posteriormente.

Dois Rios é uma cidade pacata, que parece que parou no tempo e que nada acontece, até que algo choca a cidade toda. A exemplo, temos a morte de Betsy e o novo acidente horrível que mobilizou todo o lugar: um acidente de trem na linha ferroviária de Dois Rios, matando várias pessoas.

Nesse acidente conhecemos Maggie, uma adolescente de 15 anos e grávida, que estava indo para o Canadá para ter seu filho, porém com o decorrer da narrativa, descobrimos que não é bem assim essa história que ela conta.

Maggie pede ajuda a Harper e mesmo receoso ele aceita ajudá-la. Vimos Maggie e Shelly ficarem bem amigas.

Sinceramente a história só fica boa mesmo, quando Betsy morre. Isso acontece quase no final do livro. Não gosto dessa coisa de parecer um diário, quando você está lendo te deixa um pouco confusa essa mudança de tempo, ano e histórias.

No decorrer do livro, descobrimos muitas coisas com Harper e como ele tem uma meia-irmã. Como sua mãe foi realmente morta e muitos outros fatos que o ajudam a superar pelo menos um pouco a morte de Betsy.

Dois Rios é uma obra que aborda amor, escolhas erradas, gravidez, racismo, o cotidiano da vida.

Livro: Dois Rios - Um amor, um segredo e as surpresas que a vida reserva
Autor: T. Greenwood
Tradução: Rafael Gustavo Spigel
Editora: Nova Conceito
Lançamento: 2013
Sinopse: Harper Montgomery vive ofuscado pela tristeza. Desde a morte de sua mulher, há 12 anos, ele aprisionou-se em uma pequena cidade, Dois Rios, onde todo mundo se conhece, porque ali — justifica-se — poderia criar melhor sua única filha. Atormentado pelo desgosto, Harper prefere esconder-se.
Mas a verdade é que a morte de sua mulher é somente um dos motivos de sua dor. Além de sofrer por sua perda, ele se sente culpado por um ato abominável: quando mais jovem foi cúmplice de um crime brutal e sem sentido. Há muito sentimento em jogo quando se trata de sua vida cheia de remorsos...
Então, um acidente de trem oferece a Harper a chance de redenção: uma das sobreviventes, uma menina de 15 anos, grávida, precisa de um lugar para ficar, e ele se oferece para levá-la para casa.
No entanto, a aparição dessa menina, Maggie, não tem nada de simples acaso, talvez, ela tenha alguma coisa a ver com o crime do qual ele participou um dia...

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

[Resenha] Vozes anoitecidas, de Mia Couto

           
Vozes Anoitecidas é o livro de estreia de Mia Couto na prosa. Até então – a obra data de 1987 – Couto era conhecido pelo seu trabalho como jornalista e intelectual que lutou na busca pela independência de seu país. E, embora este livro seja repleto de ficção, ele também é um reflexo desta realidade de seu autor.

As vozes que, aos poucos, vão anoitecendo nos apresentam um povo sofrido pelo pós-guerra, que sofre por medo da fome, dos campos minados e, em alguns casos, por medo da própria tradição. Estes relatos são feitos de maneira tão primorosa que muitas vezes não sabemos se estamos no campo do jornalismo, da prosa, da poesia, do sonho, da realidade... E, de certa forma, isso não faz muita diferença, uma vez que entender a alma de Moçambique acaba se tornando mais importante do que traçar os padrões estilísticos.

Um pedaço da África em que o menino sonha em ir à escola, em que o corvo ganha a voz humana – e seu dono tenta, de todas as formas, ter um pedaço de roupas novas para vestir –, em que o africano se apaixona por uma estrangeira sem história prévia. O boi explode? Ou seria a gente? No fim, cada ínfimo de fantástico tem sua face oposta da moeda na realidade dura de um país que estava tentando se formar como nação.

Este é um livro interessante não apenas pelo aspecto cultural apresentado, mas também porque ele nos leva a refletir sobre a condição humana. A princípio, da das personagens; depois, sobre a nossa própria condição e sobre os seres humanos que nos tornamos. Ao questionar uma cultura tão diferente da nossa, passamos a nos indagar sobre o que acreditamos, sobre o que vivemos e sobre as atitudes que tomamos.

É por todos estes motivos que Vozes Anoitecidas rendeu ao seu autor um Prêmio Camões neste ano. Sem dúvida, é uma obra que merece ser lida.

Livro: Vozes Anoitecidas
Autor: Mia Couto
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 152
Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1986, Vozes anoitecidas projetou o escritor moçambicano Mia Couto para o mundo. Conhecido até então por seu trabalho como jornalista e poeta, o autor - hoje tido como um dos mais influentes escritores da língua portuguesa - lançou aqui as bases daquela que viria a ser uma das principais características de sua obra ficcional: a reconstrução de laços entre registro oral e escrito. Em doze pequenos contos, um rol de personagens esfarrapados e alheios ao palco principal dos acontecimentos narra, de seu ponto de vista marginal, histórias que flertam com o mágico e com o absurdo sem, no entanto, desviarem-se completamente do plano factual. Em “As baleias de Quissico”, Jossias aguarda a chegada de um animal marinho de cuja boca, acredita, brotará “amendoim, carne, azeite de oliva e bacalhau”. Mas como saber se o animal existe, se ele jamais viu uma baleia? O enorme monstro que aporta sem ser visto pode ser tanto o misterioso “peixe grande” como um submarino carregado de armamentos ilegais. Jossias prefere acreditar no sonho e, como ele, outros personagens de Vozes anoitecidas encontram mais razão na fantasia que na lógica da guerra e da privação. Ao promover uma espécie de vertigem, sob efeito da qual não se pode afirmar se uma narrativa é absurda ou se absurda é a realidade de que ela trata, o autor apresenta a perplexidade como ponto de partida para o fazer literário. “Sem dúvida um dos escritores mais importantes da língua portuguesa.” - João Ubaldo Ribeiro
Trecho disponibilizado pela editora aqui. | Livro no skoob.

Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no designdiPoesia
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