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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

[Resenha] "Prometo Falhar", Pedro Chagas Freitas

Investindo em obras de autores Portugueses, a editora Novo Conceito nos presenteou com o lançamento de “Prometo Falhar”, de Pedro Chagas Freitas. Em resumo, o livro é um apanhado de crônicas que fala de amor. Como diz a sinopse, fala de “amor dos amantes, o amor dos amigos, o amor de mãe pelo filho” e etc. Com uma capa linda, que chama atenção (incluindo o título) e para os parceiros, a editora mandou cards com citações do livro que muito me chamaram atenção. Talvez seja por isso que me frustrou e me decepcionou de certa forma.
Devo ser a única leitora que virá a escrever uma resenha negativa da obra, já que muitos acharam o livro uma obra prima. Gostaria de pensar desse jeito também, mas ao longo das 400 páginas tudo que li foi a mesma coisa sempre, e devo confessar que em algumas situações me deu um sono incontrolável.
A proposta seria mostrar todas as nuances do amor fazendo com que o leitor, através das crônicas, revesse algumas opiniões e intuição sobre o sentimento mais almejado.
Não. Não me chamem de incompreensível ou de sem coração. A culpa não é minha se o achei bastante maçante, mais de 90% das vezes e uma tortura continuar a leitura. Outro ponto ruim foi o modo da escrita. Freitas utiliza de um estilo que ignora semântica, ortografia, pontuação e etc. Acho que tenho TOC literário, pois a agonia que senti lendo aquelas páginas não está no gibi.
Há algumas exceções, é claro. Dá para encontrar pontos positivos em meio a tantos negativos. Lembra dos cards que mencionei lá em cima? Tirando as citações contidas lá, podemos reunir outras que podem ser levadas para a vida.

Não sei se conseguiria ler outro livro do ator, mas pretendo tentar reler “Prometo Falhar”. Posso ter lido em um momento “amargurado”, sei lá. Só não vou prometer, pois vou falhar.

[Resenha] "Ligeiramente Escandalosos", Mary Balogh

Romances de época mostram mulheres fortes, nada convencionais e a frente do seu tempo sempre resultam em boas histórias, e são umas das melhores coisas que acho nesse gênero. Com “Ligeiramente Escandalosos” não foi diferente. A personagem principal, Freyja Bedwyn, já é conhecida para os leitores que acompanham a série “Os Bedwyn”. Com um gênio forte, independente e teimosa, Freyja é quase destemida e se for necessário dar um murro na cara de alguém, ela não hesita.
Ninguém imagina que por trás dessa dureza toda existe uma garota de bom coração e que já sofreu poucas e boas quando o assunto é amor. Mas ela não contava com as surpresas que aconteceria em sua vida.
A caminho da casa da família de uma conhecida em Bath, a ela acaba participando de um episódio que chocaria a sociedade e mancharia sua reputação caso fosse pega. Joshua Moore, Marquês de Hallmere, vive a vida que quer, sem responsabilidades, apesar do título que conquistou por um infortúnio. Na escapada de uma confusão ele esbarra em Freyja, ou melhor, entra no quarto dela. E a partir daí começa uma série de encontros hilários (alguns até polêmicos) entre os dois, que tem uma química inegável.
Os dois não contavam com a chegada da tia de Hallmere e seus planos de casar o sobrinho com sua filha mais velha. Para se livrar da cilada de um casamento indesejável, Joshua propõe a Freyja um noivado de mentirinha, que acaba aceitando. O que era só pra ser uma brincadeira temporária começa a ganhar proporções que eles não conseguem controlar, inclusive a atração que sentem um pelo outro. Em meio a essa confusão os irmãos de Freyja se envolvem e já dá pra imaginar o caos que se instaura com diversas situações engraçadas.
Mary Balogh conseguiu, mais uma vez, escrever um livro agradável, com uma história envolvente entre dois personagens que não perdem a oportunidade de se provocar, que o leitor consegue ler em um dia e ainda fica querendo mais quando acaba. Preciso dizer que a capa é uma atração à parte? Não condiz muito com as características da Free, mas não tira a beleza e boa vontade da editora em nos dar um livro lindo e com qualidade.

Quem não acompanha ou não leu qualquer um dos livros anteriores, não tem problema. Eles, apesar de fazerem parte de uma série, podem ser lidos separadamente.

[Resenha] "Uma Curva no Tempo", Dani Atkins

Quando a pessoa se surpreende com um livro que não estava dando muita fé, é um sentimento ótimo. E foi com isso que descobri “Uma Curva no Vento”. Com uma narrativa envolvente e especial, a meu ver, Dani Atkins nos presenteia com uma obra magnífica e emocionante. O livro começa cinco anos antes, quando Rachel e seus amigos se reúnem para jantar em uma lanchonete da cidadezinha em que moram, um dia antes de todos se separarem para começar uma nova vida na universidade. 
Em meio a risos e lembranças, uma tragédia, envolvendo um carro desgovernado, acontece e seu melhor amigo, Jimmy, morre ao salvá-la. A personagem não fica marcada somente por uma cicatriz no rosto, mas como também pela culpa que sente pelos acontecimentos daquela noite.
Passado o tempo, a vemos vivendo uma realidade totalmente diferente do planejado antes do acidente, sofrendo de constantes dores de cabeça e a base de remédios. Ao receber o convite de casamento de Sarah, sua melhor amiga, Rachel se vê retornando a sua cidade natal e desenterrando lembranças do passado. Após reencontrar seus amigos no jantar de despedida de solteira da amiga e não suportar as dores, ela sai mais cedo e visita o tumulo de Jimmy, mas acaba passando mal e desmaiando.
Ao acordar num quarto de hospital, tudo parece ser outra dimensão. Rachel vive uma vida perfeita e noiva de seu namorado de adolescência, Matt. Ela acha que tudo não passa de um sonho e que em breve irá acordar, mas tudo parece que essa é a realidade. Para piorar a confusão, Jimmy não está morto.
Nessa mudança de narrativa e com o mistério de se esta realidade é a real, ou se existe mesmo esses dois “mundos” nos faz viajar e compartilhar os sentimentos de Rachel. Torcer para que ela consiga provar que aquilo não é real ou que ela se contente e tenha finalmente seu final feliz. Ao terminar, o leitor que se viu tão envolvido quanto eu, sentirá aquela conhecida “depressão pós-livro” e chegará até a repensar algumas coisas. O livro é em primeira pessoa e bastante descritivo.


domingo, 16 de agosto de 2015

[Resenha] Segredos de uma Noite de Verão, Lisa Kleypas

Romances históricos sempre nos transportam para outra época. Nos faz querer vivenciar toda a tradição daquele tempo e conviver no meio de Duques, Duquesas, Viscondes, bailes, a corte e etc. Lisa Kleypas não deixa a desejar neste quesito com “Segredos de Uma Noite de Verão”. Na obra, a autora apresenta Annabelle Peyton, uma garota de beleza deslumbrante, que por não ter dote não conseguiu um casamento no auge dos seus 25 anos. Sabendo que esta seria sua última temporada, ela precisa pensar em algo. E rápido.
Órfã de pai, ela mora com a mãe e o irmão mais novo e se vê entrando em um momento de grande dificuldade financeira, uma vez que o dinheiro estava se esgotando. A única solução é arrumar um bom e rico casamento, mesmo que seja por aparência. Amor não está no jogo.
Ao frequentar os bailes, Annabelle sempre notava a presença de mais três meninas, Evie e as irmãs Lilian e Daisy, na mesma posição que ela, sem serem tiradas para dançar ou com perspectiva de conseguir algo positivo nos eventos. Não é preciso dizer que a partir do momento da primeira conversa entre elas surgiu uma identificação enorme e se unem para arrumarem maridos para todas. Por ser a mais velha, Peyton seria a primeira. É aí que entra em cena Simon Hunt.
Simon é um homem bonito, charmoso e um dos comerciantes mais ricos da Inglaterra. Por ser um “novo rico”, sem título de nobreza ou família influente, Hunt não é muito bem visto pela sociedade que faz parte, apesar de manter uma amizade com um Conde. Os dois já tinham se encontrado 2 anos antes e revê-la reacendeu a atração arrebatadora que sentia, fazendo-o lutar com todas as forças para não cair em tentação, uma vez que ele não é do tipo que casa. Claro que as tentativas acabam sendo em vão.
A presença de Simon nos eventos sociais acaba colocando o plano das garotas em risco, ainda mais quando Annabelle se sente cada vez mais atraída a ele. Ao longo das 288 páginas, Kleypas nos presenteia com essa história de amor entre duas pessoas que lutam contra seus próprios sentimentos, até que ceda a eles com um final de tirar o folego. 
Todos os livros da autora que tive o prazer de ler são sempre um amor, com uma narrativa tão envolvente que logo nas primeiras páginas o leitor se vê imerso no mundo descrito tão perfeitamente. Não é a toa que ela é autora bestseller do NY Times e vencedora do RITA.
A interação entre as quatro amigas são uma atração à parte. Fugindo do convencional, a ligação entre as garotas se torna algo genuíno em uma sociedade em que “despreza” as não tão afortunadas em arrumar um bom partido em suas temporadas em Londres. Cada uma tem sua personalidade muito bem desenvolvida, mesmo a autora podendo deixar para fazer isso nos próximos livros.
O próximo volume, "Era uma vez no Outono", contará a tentativa de Lilian, uma americana de gênio forte e causadora de problemas, arrumar um marido. A previsão de lançamento é para o começo de 2016.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

[resenha] Minta que me ama, Maria Duffy

Até que ponto a vida virtual se distancia da sua vida real? Até que ponto somos estupidamente felizes em rede social, se na vida real somos dependentes e infelizes?

Essas perguntas são parcialmente respondidas de uma forma muito divertida pela autora do livro Minta que me ama, que conta a história de Jenny Breslin; ela tem 30 anos e nunca esteve num momento mais infeliz de sua vida: ela odeia seu emprego, seu relacionamento com sua mãe é horrível e não adianta quantas vezes ela saia durante o mês, o sábado à noite sempre será solitário e são nesses dias de solidão que o Twitter torna-se seu consolo.

O twitter é uma rede que conecta pessoas do mundo todo – famosos ou anônimos estão unidos a rede por um assunto em comum - e lá você pode ser quem quiser e assim, ninguém precisa saber dos seus problemas. 

Na rede social, Jenny acaba fazendo amigos incríveis e em uma noite de inverno, ela resolve convidá-los para passar 4 dias como seus hospedes em Dublin, na Irlanda, porém a cada dia que esse encontro se aproxima, a protagonista se vê mais insegura e incerta de seu convite, afinal de contas, estava chegando a hora das pessoas descobrirem que ela não era Jenny Breslin, a sensacional e sim Jenny Breslin, a solitária. 

Minta que me ama é o primeiro livro da autora Maria Duffy e a autora acertou em cheio ao tratar de um assunto real e corriqueiro de uma forma suave e divertida. A escrita é bem concisa e flui naturalmente, fazendo com que o leitor fique muito próximo de Jenny e de suas loucuras. 

Ele é dividido em duas partes, sendo que a primeira intitulada “Antes da tempestade” faz com que conheçamos Jenny de verdade e notamos a necessidade dela se esconder em uma personagem que criou na rede social. Somos apresentados as suas melhores amigas – Paula e Sam – ambas são personagens bem fortes, que foram bem desenvolvidos até onde deveriam; conhecemos também a mãe da personagem principal: uma mulher com uma vivacidade invejável. 

Na segunda parte do livro, é quando os medos de Jenny se revelam e ela descobre que nem tudo que está na rede é peixe, digo é real. Quando, finalmente, conhece suas amigas, ela tem surpresas inesperadas e intrigantes, e então, ela passa a entender que não é só ela que fingi ter uma vida que não tem. 

A edição do livro é muito boa, apesar de alguns erros de continuidade e o título da edição brasileira não condiz em nada com a história, mesmo assim esses pequenos detalhes não tira o brilho e nem a essência da obra. Maria Duffy explora esses dois mundos – real e virtual – de maneira espirituosa e divertida, todos os personagens são muito reais, tanto que alguns chegam a ser desagradáveis de ler, o tipo de pessoa que o leitor, certamente, manteria fora do seu mundo real. 

Mesmo sem querer, a autora indaga ao leitor a repensar suas atitudes dentro da grande rede, sabemos que existem pessoas como Jenny, Kerry, Zahra e Fiona, até porque em redes sociais, você é quem você quer ser e ninguém vai questionar isso.

Um livro alegre e despretensioso, uma excelente leitura para um final de semana preguiçoso e que sempre irá nos levar a questionar: até que ponto a sua vida virtual se distancia da sua vida real?

quarta-feira, 25 de março de 2015

[Resenha] De Repente Ana, de Marina Carvalho

Ana está de volta! Desta vez uma advogada e princesa em tempo integral. Uêba! Essa reação animada pode ser as dos fãs e leitores, mas para Ana muitas provações estão por vir em De Repente Ana.

Em uma visita ao Brasil, a personagem começa a ter pesadelos em que seu pai, o Rei Adrej, morre. Angustiada, Ana tenta não pensar na possibilidade de seu sonho virar realidade. Mas como a vida é uma caixinha de surpresas na realidade ou na ficção, Andrej acaba sofrendo um grave acidente ficando entre a vida e a morte, e deixando o governo do país em suas mãos.

Mais uma vez ela se vê no meio de diversas mudanças importantes para a sua vida e tendo que mostrar para todos de que ela é capaz de governar um país, mesmo com a oposição votando contra e ficando no pé. Sem tempo para ela ou para o namorado, sua vida vira uma confusão em que nem mesmo ela conseguia controlar. E como toda história que tem romance no meio sempre tem “a volta dos que não foram”, Laika está de volta pra grudar no Alex e atazanar a vida da pobre Ana.

Gostei desse novo enredo para história. Mostrar que nem só de contos de fadas vive uma princesa foi uma das melhores coisas dessa sequência Quando soube da continuação do livro fiquei me perguntando que tipo de caminho Carvalho ia seguir, e ela não me decepcionou. As dificuldades que a protagonista enfrenta desde o prólogo até os últimos capítulos envolve o leitor que torce pra essa maré de coisas ruins passar logo e que ela saia vitoriosa depois de tudo (e claro, que seu pai sobreviva também). Ana está muito mais madura, mesmo quando fraqueja, ou deixa se abalar, ou tem alguns ataques de imaturidade e teimosia, ela consegue dar a volta por cima e aceita seu destino.

A obra me deixou muito mais satisfeita e imersa do que o primeiro livro, talvez pela quantidade de coisa e de seriedade que foi abordado, talvez pela evolução na escrita da autora, não sei. A novidade do livro está nas narrativas, que agora não só conta com o ponto de vista de Ana, como também no de Alex, para a alegria de muitos (EU!). Há também um pouco de mistério, que foi bem legal, apesar de eu ter achada um pouco óbvio o final.

De Repente Ana como um todo é uma leitura bastante legal, deixando de ser somente um conto de fadas moderninho para ser uma história de superação, amizade, traição, amor e etc.

Título: De Repente Ana
Autor: Marina Carvalho
Editora: Novo Conceito
Páginas: 317
Sinopse: Agora que Ana decidiu viver permanentemente na Krósvia, tudo em sua vida está às mil maravilhas. Além do namoro firme e cada vez mais sério com Alexander, ela tem um emprego fixo e remunerado na embaixada brasileira e dedica parte de seu tempo às meninas do Lar Irmã Celeste. Apesar de precisar cumprir muitos compromissos sociais por ser a princesa do país, Ana nunca se sentiu mais feliz.
Porém, de uma hora para outra, tudo muda. Seu pai, o rei Andrej Markov, sofre um grave acidente e vai parar no hospital, inconsciente. Então Ana se vê numa difícil posição: assumir o trono da Krósvia e governar a nação.
Pouco – ou quase nada – familiarizada com a função, ela vai precisar de ajuda, pois tem muita gente interessado no fracasso dela.

quinta-feira, 19 de março de 2015

[Resenha] O Homem Perfeito, Vanessa Bosso

Quando eu me identifico com o que estou lendo, seja por algum fato semelhante a minha realidade ou por pura simpatia, há dois caminhos que ele pode seguir. O do “livro bom” e o do “livro ruim”. O “livro bom” é aquele que gosto muito, torço pelo personagem, vibro com cada conquista, sofro com cada choro e etc. O “livro ruim” é o que deixo pra lá, não flui ou simplesmente é drama demais pra quem já é dramática demais. “O Homem Perfeito” para mim se enquadra no “livro bom”. Tá tão nessa categoria que não sei nem como colocar no papel, ou melhor, na postagem, como gostei.

Melina é totalmente azarada no amor. Não tem outra palavra que a descreva. Mas ela ainda está a procura de alguém para amar. E é nessa procura que ela acaba entrando na maior mar de azar, que custou até seu emprego. Sem rumo e com a carreira abalada, Melina volta para a casa dos pais em Paraty, sua cidade natal. Mas voltar para casa não é tão fácil assim, uma vez que ela foi embora de forma repentina deixando muito assunto e magoas em aberto. E o pior? O cara perfeito para ela é comprometido com uma criatura bastante chata.

É nesse cenário de caos pessoal que Melina tem que se redescobrir, deixar de lado algumas infantilidades, amadurecer e encarar que a vida não é sempre do jeito “perfeito” que ela deseja.

Com um enredo simples e bem comédia romântica, a obra me pegou de jeito e se tornou um dos mais divertidos que li. Vanessa Bosso tem uma narrativa super envolvente e que deixa todos com vontade de querer mais. Li o livro em uma fase bastante corrida da minha vida e por incrível que pareça, houve algumas coisas que encaixavam na minha realidade e serviram como conselho, o que foi bem legal. Eu voto por uma continuação, ou um conto só para saber como eles vão. Se a Melina tá bem e essas coisas.



Autor: Vanessa Bosso
Título: O Homem Perfeito
Editora: Novo Conceito
Páginas: 222
Sinopse: Melina teve alguns relacionamentos ruins, outros péssimos... Mesmo assim, ela não desiste: um dia ainda vai encontrar alguém que a complete e que entenda algumas manias fofas que ela tem como comprar mais sapatos do que pode guardar ou tomar uma multa ou outra por excesso de velocidade. Ela faz a sua parte escrevendo um pedido ao universo, no qual descreve esse ser incrível nos mínimos detalhes. Agora é só esperar, certo?
Melina não imagina, porém, que esse presente dos céus já existe, mas foi parar nos braços de uma mulher in-su-por-tá-vel. O que fazer quando o destino insiste em brincar com a sua paciência?

quarta-feira, 18 de março de 2015

[Resenha] Simplesmente Ana, de Marina Carvalho

Quase toda menina sonha em um dia ser uma princesa. Viver em um castelo maravilhoso e encontrar seu príncipe encantado. Se isso vira a realidade de alguém, só pode ser coisas dos livros de conto de fadas. Ana nunca pensou que esta seria a realidade dela, uma estudante de direito de 20 anos, que mora em Belo Horizonte, até receber uma mensagem bastante curiosa em uma rede social.
Ao descobrir que seu pai não era quem pensava ser e sim o Rei Andrej (REI!) de um país no sudeste da Europa, Ana vê seu mundo dar uma volta de 360º. Agora princesa, ela é convidada a passar uma temporada no país que herdará o trono para conhecer suas origens e seu povo. Embarcando nessa grande aventura em um novo país com uma língua totalmente diferente, Ana começa a tentar se adaptar a sua nova vida e rotina, com a ajuda de algumas pessoas, inclusive o enteado de seu pai, Alex.

Alex é aquele típico personagem masculino arrogante e insuportável de início, mas lindo e irresistível, atraindo a atenção da nossa protagonista princesa. 
"Alex parecia um deus grego. Como eu não notara isso da primeira vez? Talvez fosse a roupa."
Ela só não contava com a namorada dele, Laika. Devo confessar que as melhores partes dos diálogos engraçados eram em relação a Laika. Quem nunca pegou cisma com a namorada do seu crush que atire a primeira pedra!
Em meio a essa experiência nova, a um triângulo amoroso e a paisagens lindas, Ana com seu jeito divertido e carismático cativa o leitor e mostra que chegou em Krósvia para ficar.

Este é o primeiro livro da autora brasileira Marina Carvalho e acho que ela fez uma ótima jogada ao começar sua carreira com um livro simpático, cheio de sonhos e contando a história de uma brasileira “comum” que se vê praticamente em um conto de fadas. Confesso que inicialmente achei a história muito parecida com outra já lançada por uma autora americana bastante conhecida (cofMegCabotcof) e bem filme da Sessão da Tarde, mas a autora não peca nos exageros do comum e transforma a leitura bastante interessante, com sua escrita bastante simples, que flui em algumas situações e outras não. Mas o que importa é que no final, Ana e Marina conseguem passar o recado para os leitores de que esta é uma história de amor e conhecimento divertida e muito fofa.

Livro: Simplesmente Ana
Autor: Marina Carvalho
Páginas: 304
Editora: Novo Conceito - Selo Novas Páginas
Sinopse: Imagine que você descobre que seu pai é um rei. Isso mesmo, um rei de verdade em um país no sudeste da Europa. E o rei quer levá-la com ele para assumir seu verdadeiro lugar de herdeira e futura rainha… Foi o que aconteceu com Ana. Pega de surpresa pela informação de sua origem real, Ana agora vai ter que decidir entre ficar no Brasil ou mudar-se para Krósvia e viver em um país distante tendo como companhia somente o pai, os criados e o insuportável Alex. Mudar-se para Krósvia pode ser tentador — deve ser ótimo viver em um lugar como aquele e, quem sabe, vir a tornar-se rainha —, mas ela sabe que não pode contar com o pai o tempo todo, afinal ele é um rei bastante ocupado. E sabe também que Alex, o rapaz que é praticamente seu tutor em Krósvia, não fará nenhuma gentileza para que ela se sinta melhor naquele país estrangeiro. A não ser… A não ser que Alex não seja esta pessoa tão irascível e que príncipes encantados existam. Simplesmente Ana é assim: um livro divertido, capaz de nos fazer sonhar, mas que — ao mesmo tempo — nos lembra das provas que temos que passar para chegar à vida adulta.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

[Resenha] Os gatos nunca mentem sobre o amor, de Jayne Dillon

Em Os gatos nunca mente sobre o amor, a inglesa Janye Dillon nos conta a história de seu filho Lorcan e de como a vida de sua família mudou com a chegada de Jessi-cat, a gatinha birmanesa que não mente sobre o amor.

Jayne tem três filhos. O mais velho deles, Adam, é portador da Síndrome de Aspenger, considerada um nível leve de autismo. O diagnóstico tardio fez com que Adam sofresse para entender todo o conteúdo escolar e para que a família compreendesse seu comportamento - às vezes alheio em relação aos outros. O filho do meio, Luke, sempre foi considerado uma criança normal, por não ter a síndrome; então, quando Lorcan  - o filho mais novo - começou a crescer, Jayne e David Dillon começaram a notar algumas características que já haviam visto em Adam. Foi neste momento que a luta começou.

A obra nos mostra a batalha dos Dillons para conseguir que o sistema público de saúde inglês atendesse e se esforçasse minimamente para dar um diagnóstico preciso sobre o estado de Lorcan. O problema maior é que o menino sofre de um transtorno de ansiedade denominado Mutismo Seletivo, que o impossibilita de falar em situações de estresse (como quando vai a um médico, visitar parentes mais distantes, ou durante as aulas na escola), o que tornava qualquer conversa com médicos, professores e psicólogos praticamente impossível.

É justamente quando tudo estava extremamente complicado que a família decide adotar uma gata birmanesa, a Jessi. O amor de Lorcan pela gata e da gata por ele é algo extremamente extraordinário. É com Jessi que Lorcan começa a vencer as barreiras da fala. É com ela que ele expressa o seu amor. É a partir desta relação de cuidado e zelo que um tem pelo outro que Lorcan se desenvolve.

A autora, por ser uma das testemunhas oculares deste processo, descreve toda a vivência com uma delicadeza e profundidade que é impossível não se consternar com a vida da família. De um modo geral, ela também é muito didática ao apresentar o autismo e o mutismo seletivo ao seus leitores. Ao mesmo tempo em que ela diz o que são, não fica presa aos jargões médicos. Além disso, é interessante conhecer as estratégias que escola e família usam para o desenvolvimento de Lorcan.

Embora o foco de Os gatos nunca mentem sobre o amor esteja no diagnóstico e tratamento do menino, também conta as peripécias de Jessi-cat. Afinal, a gata participou de alguns concursos, ganhou fama e foi parar na tv e no rádio - sempre com Lorcan ao seu lado.

Este livro é um livro sobre o amor. A perseverança dos pais, a abnegação dos irmãos, o trabalho dos professores, a doação da gata. Tudo gira em torno do amor sentido por Lorcan. E é isso que faz da narrativa tão bela.

Livro: Os gatos nunca mentem sobre o amor
Título original: Jessi-cat
Autor: Jayne Dillon
Tradução: Cristina Calderini Tognelli
Páginas: 216
Sinopse: Lorcan Dillon tinha sete anos quando sua mãe, Jayne, o ouviu dizer “eu te amo” pela primeira vez. As palavras não foram dirigidas a ela, mas à Jessi, seu bichinho de estimação. Lorcan é autista e sofre de mutismo seletivo, uma condição que o impossibilita de falar em determinadas situações, tornando-o incapaz de expressar emoções ou desfrutar do carinho de seus familiares. Ele nunca disse que amava alguém, mas tudo isso começou a mudar com a chegada de uma gatinha filhote chamada Jessi. Os gatos nunca mentem sobre o amor é a história tocante de como o afeto e a atenção de uma companheira amorosa possibilitou que um menininho começasse a se comunicar com o mundo que o cerca. Lorcan passa horas brincando, fazendo carinho e dizendo o quanto a ama. Ele também passou a se abrir mais para os outros, fazendo amizades na escola e progredindo constantemente. Jessi deu provas de ser tão inspiradora que recebeu os títulos de Melhor Amigo e Gato Nacional do Ano de 2012 pela Cats Protection Awards. Este livro é o relato emocionante de uma grande amizade e de como o amor entre um garotinho e seu animal de estimação mudou a vida de uma família para sempre.
Livro no skoob.

Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

[Resenha] Pare de se sabotar e dê a volta por cima, de Flip Flippen

Com o subtítulo Como se livrar dos comportamentos que atrapalham sua vida, Pare de se sabotar e dê a volta por cima é um daqueles livros que ou você lê aberto a toda dose de autoajuda, ou é melhor pular para a próxima leitura.

Flip Flippen é um terapeuta renomado nos EUA que se dedicou a estudar as razões que levam algumas pessoas serem mais bem sucedidas do que outras. Ele percebeu em seus estudos que aquelas pessoas que eram consideradas produtivas, de auto nível e bem sucedidas sabiam lidar com as suas limitações pessoas (fossem elas donas de casa, executivos, estudantes ou pilotos de corrida). Por outro lado, seus estudos comprovam que as pessoas que fracassam (seja porque não conseguem avançar na vida profissional, sejam aquelas que não atingem a felicidade pessoal), são justamente as que ignoram as suas limitações pessoais (ou porque não se dão conta da existência delas, ou por não verem sentido nas mudanças de atitude). Ao longo da obra, o autor cita vários exemplos dos dois extrememos e mostra como está em nossas mãos o poder de mudança que nos tira do fracasso pessoal e/ou profissional e nos leva ao sucesso e à realização.

O livro está estruturado em três partes distintas. Na primeira, o escritor situa seu leitor, de modo que todos compreendam de que se tratam as limitações pessoais, como elas impactam no autossabotamento e como diagnosticá-las. Na segunda, aborda cada uma das dez limitações pessoais mais comuns, orientando o que chama de TrAção (algo como ação e transformação) e dizendo como lidar melhor com pessoas daquele determinado tipo, de forma a ajuda-las. É nesta parte da leitura em que nos reconhecemos e compreendemos as pessoas do nosso convívio. Como os exemplos dados são muito reais, fica praticamente impossível não se lembrar de si mesmo e de alguém que esteja conosco no dia a dia. Por fim, a terceira parte aborda como elaborar um plano de TrAção. Além disso, é nesta parte que há um relato sobre as limitações pessoais do autor – que consternam o leitor, já que Flippen teve uma vida muito dura, com pais que praticamente o rejeitavam.

Nota-se que o autor é sincero e tem verdadeira paixão pelo que defende em suas páginas. Sua perspectiva é apresentada mais de forma empírica do que cientifica – uma vez que ele não fornece os números dos dados de sua pesquisa – mas de qualquer forma, o livro não perde o tom de confiabilidade, uma vez que Flippen cita diversos clientes de grandes empresas (como uma equipe de automobilismo da NASCAR, com quem trabalhou). A leitura é válida, portanto, para aqueles leitores que quiserem tentar ver suas vidas sob outro ponto de vista e tentar trabalhar suas fraquezas com o objetivo de que elas se transformem, de algum modo, em virtudes.

Livro: Pare de se sabotar e dê a volta por cima: Como se livrar dos comportamentos que atrapalham sua vida
Título original: The flip side
Autor: Flip Flippen
Tradução: Carolina Alfaro
Páginas:
Editora: Sextante
Sinopse: Para o psicoterapeuta Flip Flippen, o ponto de partida para o verdadeiro sucesso é o autoconhecimento: quando você conhece a si mesmo, pode compreender melhor as características de sua personalidade e identificar suas limitações. O fundamental é saber quais são seus pontos fracos, de modo que você possa superá-los e transformá-los em qualidades que gerem resultados significativos. Ao longo de mais de 30 anos de pesquisa, o autor observou que muitas pessoas talentosas sabotavam o próprio sucesso porque não sabiam quais eram as características que as impediam de alcançar o máximo de seu potencial. O que aconteceria se, em vez de você se concentrar naquilo que já fez bem, passasse a identificar seus pontos fracos, aqueles comportamentos que já viraram hábito mas que continuam a impedir que alcance seu melhor desempenho? Em Pare de se sabotar e dê a volta por cima, Flip Flippen mostra a importância do autoconhecimento para se alcançar a satisfação pessoal e sucesso profissional. Ele acredita que, uma vez identificadas as limitações de cada personalidade, é possível superá-las de forma definitiva e atingir resultados gratificantes. O autor analisa diversos tipos de personalidade e apresenta exemplos da vida real com os quais teve contato ao longo de sua carreira de psicoterapeuta, revelando como as soluções inusitadas que sugeria para cada caso levaram os indivíduos a refletir sobre seus comportamentos limitadores e a mudar de atitude a fim de alcançar objetivos profissionais e pessoais. O programa de superação das limitações pessoais apresentado neste livro é bem simples e já ajudou a melhorar a vida de milhares de indivíduos, entre os quais líderes empresariais, executivos do mercado financeiro, educadores a atletas. Ao corrigir comportamentos negativos, você irá se surpreender com um aumento considerável em sua produtividade e uma melhora nos relacionamentos pessoais.
Clique aqui para ler trecho disponibilizado pela editora. |  Livro no skoob.

Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

[Resenha] A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro

Sempre ouvi muito a respeito de A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro. Uns falavam bem, outros mal, a maioria focava na sacanagem em questão. Por isso resolvi aproveitar as férias para tirar a prova dos nove com os meus próprios olhos. 

Fernanda Torres, na adaptação teatral de A casa dos budas ditosos.
A obra começa com uma nota do autor dizendo que recebeu os relatos de CDL gravados em fita. A baiana de 68 anos resolve rasgar o verbo sobre a sua vida e pede para que o autor publique sua história. Distante dos fatos, o escritor menciona que apenas transcreveu o texto, que se transformaria no volume sobre a luxúria, da série Plenos Pecados, publicada pela editora Objetiva.

De fato, a vida de CDL é pautada em seu pleno apetite sexual, já quem ela mesma, em um momento epistemológico, diz que q vida ser resume a foder. Contudo, ao contrário de muitos livros sobre a lascívia, A casa dos budas ditosos traz uma reflexão intensa sobre a forma como a sociedade vê não apenas o sexo em si, mas a ética e o papel das mulheres no cotidiano.

CDL defende que todas as pessoas são seduzíveis. Partindo deste princípio, nossa narradora mostra como é capaz de corromper outra pessoa (homem ou mulher) por meio da oferta do prazer. É assim que ela consegue notas enquanto cursa Direito na universidade. É assim que - por meio de uma barganha nunca cumprida - cursa a pós-graduação no exterior. Também é assim que consegue drogas, quando passa a consumi-las. Entretanto, ela não usa o sexo como um negócio apenas, já que nossa narradora realmente sente prazer não apenas em conhecer o próprio corpo, mas também em explorar os corpos das pessoas com quem se relaciona.

João Ubaldo Ribeiro é um escritor visionário neste sentido. Em vários momentos ele - por meio de sua narradora - defende que as mulheres tenham a mesma liberdade que os homens ao se relacionar. Além disso, em vários trechos, sua obra condena a visão que muitos homens têm que relaciona a experiência sexual feminina a algo vulgar. CDL relata que muitas vezes teve que fingir que não sabia o que fazer na hora da transa para conseguir que seu parceiro relaxasse e aproveitasse o momento. Ela diz que se fizesse de cara o que pretendia - e acabava fazendo quando o homem se sentisse mais à vontade e seguro, normalmente não na primeira saída -, o parceiro a julgaria e perderia o tesão por ela. 

A obra defende a todo o instante a liberdade feminina, entretanto, condena a visão estereotipada que muitos têm sobre o feminismo. Nossa protagonista diz - e com razão - que ser feminista não é querer ver os homens numa posição inferior a das mulheres, mas sim ter os direitos de igualdade, de liberdade de fazer o que quiser com o seu corpo sem ser julgada, de trabalhar e ocupar os espaços sem ter alguém olhando torto, de agir conforme a própria vontade e não como a sociedade acha melhor. Se hoje podemos discutir sobre esta maneira de pensar mais aberta e facilmente - internet, sua linda! - em 1999 (ano de publicação da primeira edição do livro) a coisa não era tão fácil quanto parece. Só pela coragem em trazer esta questão à roda, Ubaldo Ribeiro merece o destaque tão merecido que o livro teve.

Embora tenha esta carga reflexiva e algumas intertextualidades - CDL é uma pessoa que, por ser estudada, conhece e cita outros escritores e filósofos ao longo de suas digressões -, a narrativa é de fácil entendimento. A narradora fala como se estivesse conversando diretamente com o seu leitor, contando os fatos como lhes vem a mente. As vezes, eles podem chocar os leitores menos abertos ao amor livre (como quando conta dos relacionamentos com o irmão, com o tio e com algumas mulheres a quem amou), mas tudo é contado com sentimento e sinceridade. Aliás, a sinceridade é um dos ingredientes que prendem o leitor para querer saber que fim, afinal, a história terá.

Que A Casa dos Budas Ditosos é uma obra extremamente bem feita é inegável. Polêmica? Talvez. Mas, sem dúvida, uma leitura que vale a pena ser feita.

Livro: A Casa dos Budas Ditosos
Autor: João Ubaldo Ribeiro
Páginas: 164
Editora: Objetiva
Sinopse: Quando vários jornais anunciaram que João Ubaldo Ribeiro estava escrevendo um romance sobre a luxúria, para a coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, o escritor foi surpreendido com um misterioso pacote em sua portaria. Eram os originais de A Casa dos Budas Ditosos. Depois da gula (Luis Fernando Verissimo), da ira (por José Roberto Torero) e da inveja (por Zuenir Ventura), chega agora a vez de João Ubaldo escrever sobre a luxúria na coleção Plenos Pecados. O livro traz a história de CLB, uma mulher de 68 anos, nascida na Bahia e residente no Rio de Janeiro, que jamais se furtou a viver - com todo o prazer e sem respingos de culpa - as infinitas possibilidades do sexo. Seriam as memórias desta senhora devassa e libertina um relato verídico? Ou tudo não passa de uma brincadeira do autor? Nunca saberemos. Importa é que ninguém conseguirá ficar indiferente à franqueza rara deste relato e a seu humor corrosivo.
Livro no skoob.

Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

sábado, 10 de janeiro de 2015

[Resenha] O irmão alemão, de Chico Buarque


O mais novo livro do Chico Buarque, O irmão alemão, é simplesmente genial. Astuto como é, o autor misturou fatos da sua vida real com a ficção para compor uma história que envolve e comove o seu leitor.

Narrado em primeira pessoa, Francisco de Hollander, o Ciccio, nos apresenta a sua vida – desde a adolescência até a fase adulta – e sua busca pelo (meio) irmão alemão, que ele descobre, por acaso, ser filho de um breve relacionamento que o pai teve enquanto morou na Germânia, antes da Segunda Guerra Mundial. No entanto, ao longo da narrativa, nota-se que esta busca não é apenas a de um reencontro com um desconhecido com o mesmo sangue, é uma busca pela própria identidade e pelos laços familiares.

Por ser testemunha ocular do período da ditadura militar, Chico Buarque consegue inserir seu personagem com maestria no período. Para quem conhece bem São Paulo (principalmente a região central, entre a República e as Avenidas Paulista e Teodoro Sampaio), fica impossível não se ver andando com Ciccio e não se transformar em testemunha ocular de todas as suas peripécias.  Com ele vamos em busca de Anne Ernest, ex-namorada de seu pai, e seu filho, Sergio Ernest, o tal irmão alemão. 

Sergio de Hollander, o pai dos irmãos em questão, é intelectual consagrado. Então, a história, de certa maneira, não deixa de ser uma ode de amor aos livros. Definitivamente, os amantes de bibliotecas desejarão viver na casa dos Hollander, já que ela tem suas paredes revestidas de livros raros – que Ciccio faz questão de exibir na universidade enquanto cursa Letras. Além disso, para dar cada vez mais um tom verossímil à narrativa, ao longo do livro há cópias escaneadas de documentos reais que comprovam a existência do irmão alemão.

Um dos documentos que faz parte do acervo da família Buarque de Holanda

Após muita pesquisa, Chico Buarque conseguiu traçar um roteiro belo e intenso, que culmina com um final poético a um fato histórico-literário de seu passado em que afeto e autoconhecimento se tornam um sentimento só.

Livro: O irmão alemão
Autor: Chico Buarque
Páginas: 240
Sinopse: Sergio Buarque de Holanda morou em Berlim entre 1929 e 1930, como correspondente de O Jornal, órgão dos Diários Associados. Na cidade travou contato com nomes relevantes da intelligentsia local, como Thomas Mann - a quem entrevistou nos elegantes salões do Hotel Adlon, no bulevar Unter den Linden - e o historiador Friedrich Meinecke - a cujas aulas assistiu. Essa Berlim brechtiana foi também cenário de uma aventura amorosa entre o brasileiro e certa Anne Ernst, da qual resultou um filho, Sergio Ernst, que o pai jamais conheceu. De volta ao Brasil, Sergio Buarque daria largos passos rumo ao ensaísmo acadêmico, se tornaria professor universitário e diretor de museu, logo um dos maiores intelectuais do país. Casou-se, teve sete filhos, entre os quais Chico Buarque. Seu “mau passo juvenil” não era exatamente um tabu, porém estava longe de ser assunto na família. Chico só soube da história em 1967, aos 22 anos. Estava na casa de Manuel Bandeira em companhia de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, e o poeta pernambucano deixou escapar algo sobre aquele “filho alemão do seu pai”. Quando se preparava para escrever um novo romance, o autor pediu a Luiz Schwarcz - como costuma fazer ao fim dos períodos de entressafra literária - que lhe enviasse livros de que gostara nos últimos tempos. No pacote foram Austerlitz, de W. G. Sebald, cruciante investigação ficcional da memória e da história pessoal, e Paris, a festa continuou, de Alan Riding, uma história narrativa das manifestações culturais na Paris ocupada pelos nazistas (a bem da verdade um relato da acomodação de grande parte dos artistas e empresários da cultura franceses às forças de ocupação). A leitura de Austerlitz despertou em Chico Buarque a angústia pelo destino incerto desse irmão que jamais conhecera - e que bem poderia ter sucumbido aos anos de terror numa “cidade bombardeada e partida ao meio”, ou mesmo cerrado fileiras com a juventude hitlerista. Transcorridas quase cinco décadas, decidiu então tomar o assunto como matéria para um novo livro. Logo assomou a necessidade de saber o que se passara com Sergio Ernst, por motivos afetivos mas agora também literários. Afinal, como desatar os nós da narrativa sem conhecer o fim da história real? Por sua vez, um pianista salvo do nazismo pelo mítico benemérito americano Varian Fry, citado em Paris, a festa continuou, evocou lembranças da infância paulistana do autor -, e deu-lhe o mote para uma figura central do romance. Começava-se assim a desenrolar o novelo. Chico Buarque já enfrentava as primeiras páginas quando tomou conhecimento de uma correspondência - preservada por sua mãe, Maria Amelia Buarque de Holanda - entre autoridades do governo alemão e seu pai, ali chamado de Sergio de Hollander. Já no poder, os nazistas queriam se certificar de que a criança, então sob a guarda do Estado, não tinha antepassados judeus, a fim de liberá-la para adoção. Ao tomar ciência do teor dos documentos, Chico deu início a uma pesquisa exaustiva sobre a vida e o paradeiro do garoto. Por intermédio do historiador brasileiro Sidney Chalhoub, acionado pela editora enquanto passava um período acadêmico em Berlim, os pesquisadores João Klug (historiador) e Dieter Lange (museólogo) embarcaram num trabalho verdadeiramente detetivesco, conseguindo afinal traçar o destino do “irmão alemão”, com descobertas surpreendentes. O irmão alemão reproduz ficcionalmente essa pesquisa real, mas não é um relato histórico. O autor usa a realidade como fonte da ficção. A narrativa se estrutura numa constante tensão entre o que de fato aconteceu, o que poderia ter sido e a mais pura imaginação. Na São Paulo dos anos 1960, o adolescente Francisco de Hollander, ou Ciccio, encontra uma carta em alemão dentro de um volume na vasta biblioteca paterna, a segunda maior da cidade. Em meio a porres, roubos recreativos de carros e jornadas nem sempre lícitas a livros empoeirados, surgem pistas que detonam uma missão de vida inteira. Ao tentar traçar o destino de seu irmão alemão, parece também estar em jogo para o narrador ganhar o respeito do pai, que, apesar dos arroubos intelectuais de Ciccio, tem mais afinidade com Domingos, ou Mimmo, seu outro filho, galanteador contumaz, leitor da Playboy e da Luluzinha, e sempre a par das novas sobre Brigitte Bardot. A despeito das tentativas de mediação da mãe, Assunta - italiana doce e enérgica, justa e com todos compreensiva -, a relação dos irmãos é quase feita só de silêncio, competição e ressentimento. Num decurso temporal que chega à Berlim dos dias presentes, e que tem no horror da ditadura militar brasileira e nos ecos do Holocausto seus centros de força, O irmão alemão conduz o leitor por caminhos vertiginosos através dessa busca pela verdade e pelos afetos.


Veja o autor lendo trechos da obra:




terça-feira, 23 de dezembro de 2014

[Resenha] O grande Ivan, de Katherine Applegate

Foto por: Fernanda Rodrigues - Nosso Clube do Livro
A capa e o trabalho gráfico do livro são lindos!

O Grande Ivan é um livro que cativa o seu leitor pelo coração. Sua autora, Katherine Applegate, baseou-se na história de um gorila que vivera por anos em um shopping americano até que a população se revoltou e ele foi transferido para o Zoológico de Atlanta. 

Para que pudéssemos compreender o sentimento do animal, a autora dá a voz ao Ivan, primata que vive no Grande Shopping e Fliperama da Saída 8. Por meio dele, a obra apresenta aos seus leitores vários pontos importantes sobre o cuidado com o animais e sobre o modo de vida das pessoas. 

É notável o trabalho de pesquisa da escritora. Os fatos históricos e científicos são apresentados de maneira natural e divertida, sem carregar o peso da realidade. Por ser narrado em primeira pessoa, temos a impressão de que estamos dialogando diretamente com o gorila, uma vez que Ivan é um narrador envolvente e querido.

Foto por: Fernanda Rodrigues - Nosso Clube do Livro
Trecho da página 22: "Os humanos de fato são inteligentes. (...) Mas são péssimos caçadores".
A linguagem do texto é muito gostosa.  Por meio dela, recebemos informações úteis como quando ele nos diz que "um gorila de costas cinza-prateadas precisa comer vinte quilos de comida por dia se quiser viver bem" (página 42). e passamos a perceber a inocência do personagem.

Por meio de sua amizade com Stella (a elefante que mora no habitat ao lado), com Bob (o cãozinho vira-lata que dorme em sua barriga), com Julia (filha do faxineiro do shopping) e Ruby (a filhote de elefante que chega ao shopping e muda a sua vida), aprendemos mais sobre amor e lealdade. É por meio do laço que têm com todos eles, que Ivan toma consciência do seu papel no mundo e da importância de sua arte. Sim, Ivan e Julia são artistas. E é justamente a arte que liberta o primata de seu cativeiro.

Foto por: Fernanda Rodrigues - Nosso Clube do Livro
Amizade entre Ivan e Júlia. (Página 51)
O livro é pequeno no tamanho, mas grande em seu conteúdo. Applegate consegue falar - de modo direto ou nas entrelinhas - sobre amizade, lealdade, morte, sonhos, promessas, importância do estudo e coragem. O grande Ivan é aquele tipo de obra que é destinada ao público infanto-juvenil, mas que cativa todas as idades, todos os corações.

"As lembranças são preciosas - acrescenta Stella. Elas nos ajudam a ser quem somos"
(página 60)

Livro: O Grande Ivan
Título Original: The one and only Ivan
Autor: Katherine Applegate
Tradução: Maurício Tamboni
Ilustrações: Patrícia Castelao
Páginas: 288
Editora: #irado (Novo Conceito)
Sinopse: Ivan mora dentro de um shopping e nunca tinha pensado em voltar para a natureza até o dia em que a pequena Ruby, um filhote de elefante, foi comprada pelo dono do circo. Baseado em fatos reais, O GRANDE IVAN é uma história deliciosa, cheia de humor, ao mesmo tempo doce e inteligente, sobre os direitos dos animais e sobre a força da amizade. Não importa quantos anos você tem... Você deveria ler este livro hoje, agora mesmo. Aliás, o que você está esperando para começar?
Leia trecho disponibilizado pela editora. | Livro no skoob.


Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

domingo, 14 de dezembro de 2014

[Resenha] Eve & Adam, por Michael Grant e Katherine Applegate

Este livro foi muito bem dividido em começo, meio e fim. No primeiro capítulo conhecemos a Eve, uma personagem nerd , que sofre um acidente, fazendo sua vida tomar um rumo diferente a partir disso. Filha da geneticista, Terra, como não tinha nada para fazer enquanto se recuperava do acidente, ganhou a oportunidade de ser a primeira pessoa a testar uma nova máquina criada por sua empresa. Uma máquina que cria simulações de seres humanos. 

Solo, o outro personagem que narra o livro, é filho dos ex-sócios de Terra, mãe de Eve. Ele trabalha para a empresa farmacêutica de Terra e sabe de coisas que nem todos têm conhecimento. É um garoto muito inteligente e rebelde que quer ver sua inimiga pagar pelo que fez. 

A história se desenrola através desses dois personagens e suas diferentes vidas. Mas este não é um livro de apenas um romance entre duas pessoas diferentes, é uma história de ambição, traição, busca pelo poder, vingança e romance. É um livro que prende a pessoa com sua escrita bem desenvolvida e personagens maravilhosos. Michael Grant e Katherine Applegate souberam criar uma história empolgante do começo ao fim. 

Eu estava ansioso para ler este livro, pois foi um presente, porém imaginei que não fosse ser um livro que marcaria na minha mente. Digo com muito orgulho que eu estava errado. Este livro marcou e me mostrou como eu ainda tenho o costume de julgar o livro tanto pela capa como pelo título. O meu maior problema foi o final. O livro estava indo muito bem, sempre evoluindo, mas ao chegar no final, parece que deu uma queda no gráfico. Gostaria de dizer algo, mas seria um spoiler enorme. 

Uma das coisas que mais me deixaram de boca aberta foram as analogias feitas com os nomes dos personagens: Adam (Adão) e Eve (Eva). Toda a história do “começo da humanidade” e a história da maçã. A própria Eve soube muito bem como comentar sobre esse assunto e criar suas devidas relações em determinados momentos. 

Ainda faltam algumas questões a serem respondidas, então seria uma boa ideia eles escreverem uma continuação. Fora isso, o livro é ótimo e muito recomendável. 

Livro: Eve & Adam 
Título original: Eve & Adam 
Autor: Michael Grant and Katherine Applegate 
Tradução: Carolina Raquel Caires Coelho 
Páginas: 269 
Editora: Novo Conceito 
Sinopse: Tentando compreender sua constituição tão peculiar e, ao mesmo tempo, desejando ardentemente se adaptar aos seus pares, a jovem Ava, aos 16 anos, decide revolver o passado de sua família e se aventura em um mundo muito maior, despreparada para o que ela iria descobrir e ingênua diante dos motivos distorcidos das demais pessoas. Pessoas como Nathaniel Sorrows, que confunde Ava com um anjo e cuja obsessão por ela cresce mais e mais até a noite da celebração do solstício de verão. Nessa noite, os céus se abrem, a chuva e as penas enchem o ar, enquanto a jornada de Ava e a saga de sua família caminham para um desenlace sombrio e emocionante. Antes que Eve estreite os laços com Solo, um rapaz que compartilha segredos com a corporação, a Dra. Spiker lhe propõe um desafio - Eve terá a chance de testar, em primeira mão, um software desenvolvido para manipular genes humanos. Ela poderá criar um namorado sob medida! Mas brincar de Deus tem consequências, e agora Eve vai descobrir até que ponto existe perfeição.

Sobre o autor: 

Osmar Neto é resenhista convidado no blog Nosso Clube do Livro. Lê todo tipo de livro, desde clássicos à literatura moderna. Já leu cerca de 102 livros. Além desse seu vício, ele também ama café e filmes. Nas horas vagas gosta de escrever algumas páginas para o seu próprio romance.

sábado, 13 de dezembro de 2014

[Resenha] Fênix - A Ilha

Um livro bem descrito, com cenas bem fortes de tortura e morte. Será que não existe uma Ilha assim? Com um regime militar bem forte, onde ninguém sabe onde é, onde eles (os militares) tem o poder de fazer tudo? Eu não duvido.

A tal Ilha Fênix é aonde meninos e meninas órfãs e problemáticos, abaixo de 18 anos, vão quando têm várias ocorrências policiais. O juiz determina que a criança escolha entre a Ilha até completar 18 anos ou a prisão. Claro que todas as crianças escolhem a Ilha, mesmo sem saber, onde é, como é.

Ao chegar lá, eles descobrem que ela é comandada pelo regime militar. Desde o começo eles têm uma experiência nada agradável com esses soldados: há revista de objetos pessoais, nada de celulares, vídeo – games, Ipod, ou seja, nenhum contato com o mundo fora dali.

Conhecemos Carl, Octávia, Campbell e vários outros meninos e meninas que estão na Ilha. Carl é o personagem principal e vimos a historia sendo contada por ele desde o começo.

Enquanto narra, vemos que Carl é especial de um jeito que não entendemos. Conhecemos a vida desses meninos e meninas no quartel: desde o acordar as 05:00 da manhã, até dormir tarde da noite, lavar o banheiro com a escova de dente, aulas de combate... Vemos Carl se meter em briga com as “gangues” formadas dentro do quartel, Carl ser sempre o menino que ajudar os outros e que sempre se ferra na mão de Parker.

Há mortes de personagens que aprendemos a gostar, há punição que achamos injustas, mas o que não é injusto nessa tal Ilha estranha? Mortes estranhas, crianças sumindo, experiências, explicações absurdas.

Com cenas de violência gratuita o livro nos choca por ser muito realista. A obra deu origem a uma série de TV chamada Intelligence – que eu assisti a alguns episódios e posso dizer que não tem nada a ver com o livro.


Recomendo o livro para aqueles que têm estomago e coragem, pois esta não é uma narrativa para qualquer pessoa ler.

Livro: Fênix - A Ilha
Autor: John Dixon
Páginas: 336
Editora: Novo Conceito
Sinopse: Sem telefone. Sem sms. Sem e-mail. Sem TV. Sem internet. Sem saída. Bem-vindo a Fênix: A Ilha. Na teoria, ela é um campo de treinamento para adolescentes problemáticos. Porém, os segredos da ilha e sua floresta são tão vastos quanto mortais. Carl Freeman sempre defendeu os excluídos e sempre enfrentou, com boa vontade, os valentões. Mas o que acontece quando você é o excluído e o poder está com aqueles que são perversos?

Sobre a Autora:
Camila Comparini  é Farmacêutica e Bioquímica formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Adora ler, adora Literatura de Fantasia e Romance Policial e defende com unhas e dentes esse tipo de literatura

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

[Resenha] A Cidade dos Segredos de Sasha Gould

Esta história se passa em Veneza, na época majestosa da cidade, em que ocorriam bailes com duques, tempos de ouro dessa cidade misteriosa da Itália.

Conhecemos Laura, uma jovem que mora em um convento. Seu pai obrigou a ir para lá depois da morte de sua mãe. Laura sempre se correspondia com a sua irmã, Beatrice, contudo algumas cartas nunca saiam do convento ou nunca chegavam a pessoa dentro do convento responsável pelas postagens, porque a abadessa confiscava todas as cartas.

De uma hora para outra a vida da protagonista muda: seu pai manda buscá-la no convento. Laura ficou feliz em saber que iria sair de lá; mas, ao mesmo tempo ela teve uma péssima notícia.

Acabamos torcendo para que Laura tenha alguma felicidade na vida, porém nos deparamos com um casamento arranjado com membro do Conselho de Veneza, Vicenzo, um velho cheio de dedos, abusado e bem nojento. Tudo isso para que seu pai tenha uma cadeira no grande Conselho.

É neste momento que Laura conhece a Segreta. As Mulheres Secretas. Um grupo de mulheres que se ajudam em troca de segredos da alta sociedade. Qualquer segredo que seja importante que elas queiram, ajudaram a pessoa que está contando em troca de livrá-la daquilo que a aflige. Após contar um segredo que apenas ela e uma das freiras do convento em que ela viveu sabem, essas mulheres secretas a ajudam a acabar com o matrimônio com Vicenzo.

Após esse milagre divino, Laura se foca em outra coisa: um mistério que a ronda desde quando saiu do convento e ela que descobrir de qualquer maneira como, por que e quem foi o responsável.

No decorrer da história, vemos Laura conhecer a nata de Veneza e se envolver emocionalmente com uma pessoa que teoricamente ela não deveria. Até ela descobrir a verdade sobre ele e sua família.


Com muita trama, reviravoltas, fofocas, casamentos arranjados e mortes, esse livro nos surpreende. Não é a melhor narrativa do mundo, mas também não é a pior delas.

Livro: A Cidade dos Segredos
Autor: Sasha Gould
Páginas: 256
Editora: Novo Conceito
Sinopse: Laura foi enviada para o convento logo depois da morte de sua mãe. Passa a maior parte dos dias em silêncio, e, apesar de ser tolerante e obediente, no fundo da alma não consegue aceitar a ideia de viver ali para sempre. Uma noite, sem maiores explicações, Laura é informada de que seu pai a quer de volta em casa. Feliz da vida, ela começa a se preparar para rever sua irmã mais velha, Beatrice, que há algum tempo deixou de responder suas cartas. O que ela jamais imaginava era chegar durante o velório de Beatrice, que morreu em uma situação inexplicável. Agora, o pai de Laura ordena que ela se case com Vincenzo, noivo de Beatrice, um homem muito mais velho e de aparência repugnante. A sociedade Segreta faz um pacto com Laura e promete ajudá-la a se livrar de Vincenzo – e a descobrir quem matou Beatrice. Sem alternativas, Laura é obrigada a depositar todas as suas esperanças nas mãos dessas mulheres enigmáticas. Mas até que ponto se pode confiar na palavra de alguém?

Sobre a Autora:
 Camila Comparini  é Farmacêutica e Bioquímica formada pela Universidade Metodista de São Paulo.  Adora ler, adora Literatura de Fantasia e Romance Policial e defende com unhas e dentes esse tipo de literatura. 

domingo, 30 de novembro de 2014

[Resenha] Segundos Depois, de Vinícius Márquez

Página 55 de Segundos Depois.

Poeticamente visceral, assim é a escrita de Vinícius Márquez em Segundos Depois, uma publicação da Livros Ilimitados. Composto por crônicas que abordam temas triviais da vida em grandes cidades, Márquez leva o seu leitor à uma reflexão profunda sobre a busca pelo amor, sobre a relação em sociedade, sobre o desejo (de amar e de transar), sobre quem afinal é Deus, sobre a verdade e a mentira, sobre o erro e o acerto, sobre o modo e o por que de agirmos como agimos. Tido por alguns como poeta maldito - e o "maldito" é aqui empregado com o sentido mais digno que esta palavra pode ter - o autor rasga o verbo, expondo a sua alma e - de certo modo - levando a nós, leitores, para o olho do furacão sentimental que é viver.

"Eu nunca mais te vi, te amei, abandonei, admirei, abominei, senti falta, quis, tirei a roupa, me decepcionei, despachei, alucinei, pedi perdão, voltei, vi o mar, a pauta, a tinta, o coração que batia em minhas mãos... ainda em lugar comum. Fui em festas esquizofrênicas". 
(Vinícius Márquez, in: Segundos Depois - página 112)

Em tom confessional, Márquez conversa com o seus leitores. Isso faz com que a leitura flua de uma maneira que parece que o autor está ali, frente a frente, olhando nos olhos de quem o lê. Por ser claro a ponto de não fazer reservas a uso de palavrões, percebe-se que parte dos seus textos ganham um cunho poético, de quem está desesperadamente precisando colocar os sentimentos para fora. Esta necessidade transforma as palavras em belos textos.

A introspecção que se transforma em poesia é um tanto filosófica. O autor que, sozinho se perde em tantas vozes e gentes, ecoa verdades que levam aos leitores refletirem sobre trivialidades importantes que passam despercebidas (como o nascer e o por do Sol?). Erros e acertos que nos elevam e nos faz querer que a obra não se finde, para que a conversa com Márquez seja infinita, mesmo que seja sentimental, banal ou teatral.

"Eu fui implorar fui por baixo, joguei fora, e me senti o último. Vou procurar terapia. Alguém calmo e centrado, com família, problemas organizados, filhos... para me falar onde eu erro. Eu sei onde. Qualquer idiota alemão, desses que sambam o "tico-tico no fubá", diria que o problema está no desejo. (...) Eu queria dar, comer, queria amar, sumir, morrer... tudo ontem. Estou tão humilhado pela noite não ter sido, ter saído, bebido, por estar menstruado numa lua cheia que truqueira, minguava. Mapa errado. Sou daquele décimo terceiro signo, o tal que o buraco negro chupou, que entrou pelo cano cósmico: o serpentário. Liguei para a ex-namorada... Humilhação derradeira, que se é pra errar erra inteiro".
(Vinícius Márquez, in: Segundos Depois - página 65)

Além do talento do autor, o projeto gráfico do livro é simplesmente impecável. Desde a capa - passando pelo prefácio escrito por Caio Sóh - já somos preparados para a magnificência dos textos que o compõe. A cada etapa, páginas inteiras dão destaques à trechos das crônicas - o que faz com que o leitor se delicie ainda mais em meio ao banquete de caos que é oferecido nos textos. Tudo para que queiramos mais e mais.

"É difícil desejar demasiadamente uma coisa sabendo que a diferença entre correr atrás e ficar lendo um livro, é mínima". 
(Vinícius Márquez, in: Segundos Depois - página 20)

Livro: Segundos Depois
Autor: Vinícius Márquez
Páginas: 140
Editora: Livros Ilimitados
Selo: AB Books
Sinopse: Após seu último e bem sucedido lançamento, o livro de fantasia e ficção científica Os Arqueiros do Rio Vermelho, Vinícius Márquez retorna ao estilo que o consagrou na cultuada obra Amor em 79:05, em mais um lançamento pelo selo AB Books. Em Segundos Depois, o autor solta o verbo e extravasa, divagando sem autoproteções e meias palavras sobre assuntos como amor e relações em geral, religião, passado, presente e futuro. Num mundo onde as pessoas estão cada vez mais contidas e buscam a proteção da internet para conseguir mostrar sua real natureza e propagar suas opiniões, Vinícius Márquez é uma exceção. Ele “dá a cara à tapa”. Com seu estilo próprio, o autor consegue fazer o leitor pensar ao mesmo tempo que o entretém, mesmo quando o assunto é tristeza, pois o transporta de forma direta para suas sensações, percepções e sentimentos. Segundos Depois é uma obra embriagante, perfeita para ficar na cabeceira ou no bar e ser consultada periodicamente, como um Salmo, porém às avessas. Não espere da obra uma ajuda para elucidar seus problemas financeiros ou emocionais, nem conselhos para simplificar sua vida, pelo contrário, você verá que a vida é muito mais caótica do que você jamais acreditou, mas que o caos pode ser muito divertido.
Livro no Skoob.

Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

[Resenha] Twittando o Amor, de Teresa Medeiros

Sabe quando você termina um livro com um sorriso no rosto e feliz por causa de seu final? Twittando o Amor é assim, cheio de amor e fofura. Enchendo nossos corações de coisas boas e de um pouco de esperança.
Talvez tudo isso se dê ao fato dos personagens serem especiais de sua própria maneira, nos mostrando com diversos tweets que é possível encontrar alguém legal e "vencer" algumas etapas da vida.
A história do livro é bem simples. Abby Donovan é uma escritora de sucesso (o 1º livro quase ganhou o Pulitzer) com um grande bloqueio e que não sai do 5º capítulo de seu segundo livro.
Obrigada a entrar nas redes sociais para interagir mais com os leitores, Abby se vê no mundo do Twitter e seus 140 caracteres. Sem saber como funciona, o que fazer, quem seguir, o que é hashtag e etc, ela acaba conhecendo Mark, um professor universitário, que ensina alguns "mandamentos", de como utilizar a rede. E é por meio de DMs (direct messages ou em português mensagens diretas) engraçadas e descontraídas que eles constroem uma amizade fofa que acaba evoluindo para sentimentos mais amorosos. 
Fiquei maluca para ver as fotos que eles trocavam, até tentei entrar nos links na esperança da autora ter realmente hospedado as fotos em algum lugar. Não tive sucesso.
Esse livro é tão condizente a nossa realidade, que é impossível a pessoa não se identificar com algumas coisas, como por exemplo, ficar "twittando" mentalmente quando não está no site/aplicativo (falo por experiência própria). Mas o que mais me conquistou na obra foi a forma "natural" que as coisas aconteceram. O romance dos dois não é forçado e o leitor acaba torcendo para que eles fiquem logo juntos. 
Claro que tem sempre a discussão de que até que ponto alguém é sincero e verdadeiro quando está "protegido" por uma rede e uma foto como avatar, mas com Abby e Mark foi diferente apesar dos pesares. Diversos relacionamentos e amizades são feitos via internet, esse blog inclusive é a prova viva disso. Não sei explicar como identificar quando a pessoa do outro lado da tela é quem ela diz que é. Deve ser intuição ou uma grande sorte. Mesmo caso com Abby e Mark.
 A amizade deles é a coisa mais legal de todo o livro. As tiradas de filmes e seriados, o humor ácido dos dois, como cada um apóia o outro mesmo sem se conhecer e a incentivo do Mark para o problema do bloqueio da Abby.
Como disse anteriormente, o leitor acaba o pequeno livro cheio de amor e felicidade no coração. Além disso, fiquei com muita vontade de twittar. Acho que farei isso.


Livro: Twittando o Amor
Autor: Teresa Medeiros
Editora: Novo Conceito
Sinopse: O Twitter é uma festa que nunca termina onde todo mundo fala ao mesmo tempo e ninguém diz nada... Abigail Donovan é uma escritora de sucesso. Ela quase ganhou o prêmio Pulitzer e até foi elogiada no programa da Oprah. Então, por que ela passa os dias e noites escondida no chiquérrimo condomínio onde mora, na companhia de seus dois gatos, sem conseguir escrever? Quando o seu editor a obriga a entrar no mundo das redes sociais para expandir seus horizontes, Abby imagina que vai ser obrigada a conversar com adolescentes que teclam escondido do porão de casa. Mas ela acaba conhecendo Mark Baynard, um professor britânico sexy, bem-humorado e inteligente que está viajando pelo mundo em busca de aventura. Abby tenta resistir ao seu charme, enquanto Mark começa a quebrar a resistência dela aos pouquinhos... Inclusive a resistência a se comunicar por meio de mensagens curtas. Agora que Abby voltou a escrever e a viver , ela descobre que Mark guarda um segredo que poderá mudar para sempre a vida dos dois.
Páginas: 202



Sobre a Autora:
Suelen Dias   é formada em Marketing e se aventura diariamente em sua segunda graduação, Jornalismo. Colunista do site Up!Brasil, juntou-se com as amigas para colaborar neste blog. Adora um bom chick-lit, romance e às vezes um drama ou aventura. Super encara, ou melhor, devora livros de banca sem preconceito.
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