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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Mario Vargas Llosa fará homenagem a Julio Cortázar amanhã, em Madri

Fonte: El País
Tradução: Fernanda Rodrigues (equipe Nosso Clube do Livro)

Júlio Cortázar e Mário Vargas Llosa posam com
uns amigos em uma fotografia tirada durante
uma viagem em Atenas.
"Será um encontro muito especial. Vargas Llosa e Aurora Bernárdez são a única memória viva que fica desta geração do Boom Latinoamericano e de Julio Cortázar, assim creio que os alunos do curso terão uma tarde muito interessante", diz Carlos Granés, diretor de Cortázar e o Boom Latinoamericano, um dos cursos de verão da Universidad Complutense de Madrid, que amanhã oferecerá uma oportunidade aos alunos matriculados de se encontrarem com o nobel peruano Mario Vargas Llosa e Aurora Bernárdez, viúva de Julio Cortázar.

A organização não sabe o que acontecerá nesta reunião entre o autor de A casa verde e a viúva Cortázar, um compromisso que celebra o 50º aniversário da publicação de Rayuela, que aniversariou na última quinta-feira, 28 de junho. "A ideia é que o encontro seja um bate-papo entre os alunos e Vargas Llosa, partindo do Boom latinoamericano e da literatura de Cortázar e deixando aberta a possibilidade de lançar ao autor temas que os interessem", aponta Granés. A grande incógnita é se Aurora Bernárdez, única herdeira dos direitos da obra de Cortázar, fará alguma intervenção no encontro. Aurora, de 93 anos; é, segundo Granés, "uma pessoa zelosa de sua intimidade, que não quer aparecer. Ela aceitou assistir ao evento em troca de que ele fosse um encontro reservado apenas aos alunos matriculados". Na reunião só poderão participar os alunos da universidade que se matricularam no curso, sendo entre 25 e 30 alunos, segundo a organização.

Cortázar e o Boom latinoamericao é uma aposta conjunta da Universidad Complutense de Madrid e da Cátedra Vargas Llosa, que está em curso desde 4 de outubro de 2011. De segunda a sexta acontecerão conferências que analisarão a literatura do autor argentino, do movimento literário do qual ele fez parte, com Rayuela como epicentro. Sobre a atualidade deste romance, foi debatido ontem na mesa redonda "Reler Cortázar hoje em dia". E o resultado foi controverso. Dos três participantes, o professor Camilo Hoyos, especialista em Cortázar, defendeu que o autor de Rayuela se lê hoje com a mesma intensidade que era lido na época do Boom. O escritor Andrés Ibáñes, autor dentre outras obras de A música do mundo, considera que o próprio tempo levou algum pedágio no romance caleidoscópico. Evangelina Soltero, professora de Literatura da Complutense, equilibrou a balança entre o elogio incondicional e a revisão crítica. "De qualquer quer forma", aponta Granés, "o fato de haver polêmica e debate só demonstra que a chama de Rayuela segue viva".

Além do romance aniversariante, as cartas de Cortázar e seus livros póstumos — dentre os quais estão os romances Divertimento, El examen e Diario de Andrés Fava — serão assunto nas conferências de quinta-feira. Na sexta o fechamento do evento será com A volta ao mundo em 80 literaturas, uma conferência do escritor e do jornalista Juan José Armas Marcelo. Hoje Rayuela seria publicada? Se fosse, que mudanças exigiriam dos editores? Se não fosse, que justificaria dariam? "Estas são algumas das perguntas que quero plantar na conferência", indicou Armas Marcelo, que recordou com carinho uma conversa que teve com Cortázar no Hotel Suíza, em Madri. "Disse a ele que Rayuela era o meu conto preferido de toda a sua obra. E foi engraçado, porque ele sempre foi considerado como um anti-romance".

A casa verde, de Vargas Llosa; Aura, de Carlos Fuentes; Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez e, é claro, Rayuela de Cortázar são algumas das obras essenciais do Boom latinoamericano. Este movimento literário de autores jovens, em sua maioria, sacudiram os cimentos literários da cena mundial com suas obras publicadas nos anos 60 e 70, pela natureza experimental do seus trabalho. Este ciclo de conferências é uma nova demonstração de que, meio século depois, estas obras seguem muito vivas.

domingo, 17 de junho de 2012

Gabriel García Marquez está perdendo a memória.


O premiado autor colombiano Gabriel García Marquez está perdendo a memória. A informação vem do A informação vem do jornalista Plinio Apuleyo Mendoza, amigo da adolescência de Gabo, e foi confirmada tanto pela esposa quanto filhos do autor. 

 “Quando ele fez 85 anos, não telefonei para ele, mas sim para Mercedes [esposa]. Ela preferiu não passar o telefone para ele, porque ele não reconhece as pessoas” disse Plinio. “É lamentável vê-lo assim”. O amigo ainda garantiu que da última vez que se encontraram, o gênio não se lembrava de vários episódios e dizia a mesma coisa várias vezes. “Como anda você? O que tem feito? Quando volta de Paris?”. 

Outros amigos também confirmaram esse tipo de conversa. Dizem que o autor possui essas perguntas genéricas para se lembrar das pessoas. Assim, não as constrange dizendo “quem é você?” Esse fato da memória já havia sido registrado no livro “Gabriel García Márquez – Uma vida”, escrito por Gerald Martin, publicado em 2010 no Brasil. Vejam o trecho:

Gabo não podia mais dar respostas claras e acuradas a perguntas diretas e inesperadas, e era capaz de esquecer o que acabara de dizer cinco minutos antes. Eu não era especialista sobre as diferentes formas e progressões da perda da memória, mas minha impressão foi de que sua condição progredia com bastante constância. Era duro ver um homem que havia feito da memória o foco central de toda a sua existência assediado por tal infortúnio. Gabo era “um recordador profissional”, como sempre se chamou… 

Com dicas adequadas podia lembrar-se de mais coisas do passado remoto – embora nem sempre os títulos de suas obras – e travar uma conversa razoavelmente normal e até bem-humorada. Mas sua memória imediata estava fragilizada, e Gabo se mostrava claramente angustiado com isso e sobre a fase em que parecia ter entrado. Depois que conversamos sobre seu trabalho e seus planos por algum tempo, declarou que não tinha certeza se voltaria a escrever. Então ele disse, quase melancólico: “Escrevi bastante, não escrevi? As pessoas não podem ficar frustradas, e não podem esperar mais nada de mim, não é?” Estávamos sentados em imensas poltronas azuis, numa saleta íntima do hotel, de onde se via o anel rodoviário do sul da Cidade do México. 

Lá fora estava o século XXI, voando. Oito pistas de tráfego incessante. Ele me olhou e disse: 

- Sabe, algumas vezes fico deprimido. 
- Como? Você, Gabo, depois de tudo que realizou? Não acredito. Por quê? 

Ele gesticulou para o mundo além da janela – a grande artéria de tráfego intenso, a intensidade silenciosa de todas aquelas pessoas comuns vivendo a vida num mundo que não era mais seu – depois voltou o olhar para mim e murmurou: 

 - Porque percebo que tudo isso está chegando ao fim.”

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