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segunda-feira, 14 de abril de 2014

[Resenha] A invenção das asas, de Sue Monk Kidd

Capa.
Indicado pela Oprah em seu clube do livro, A invenção das Asas, romance-histórico escrito por Sue Monk Kidd; retrata, de maneira brilhante, a vida das irmãs abolicionistas Sarah e Angelina Grinké, que viveram durante a época da colonização americana. A narrativa nos é apresentada pelas duas personagens principais: Sarah Grinké, filha de uma família tradicional de escravocratas do sul dos Estados Unidos, e Encrenca, sua escrava que sonha em ser livre. O fato de termos os dois pontos de vistas ali apresentados já é uma mostra da personalidade e genialidade da narrativa de Kidd: ela tem o poder de deixar os leitores ansiosos pelos pormenores da história e, ao mesmo tempo, na torcida para que as duas protagonistas realizem os seus desejos.

Tudo começa com a sagacidade da pequena Sarah. Ela, que sempre gostou de estudar, sonhava em ser advogada e discutia por horas a fio com o seu irmão sobre os assuntos da sociedade. A menina sempre demonstrou uma tendência abolicionista e se tornou uma leitora sagaz, uma vez que seu pai neglicenciava propositalmente as suas idas à biblioteca da família. Ao completar 11 anos, Sarah vê sua vida mudada. Ela é obrigada a fazer parte da vida social da sua cidade natal e, como parte deste processo de crescimento, ganha de presente uma escrava, a miúda Hetty Grinké, chamada gentilmente por todos por Encrenca.

Embora o papel de Encrenca seja o de assumir o lugar de dama de companhia de Sarah, o presente a enfurece. Para ela, os seres humanos devem ser livres. E como libertá-los? Bem, já que ela não pode recusar a Encrenca, ensinou-lhe a ler. É claro que o seu ato trouxe várias consequências difíceis tanto para Sarah, quanto para Encrenca. Enquanto esta foi punida fisicamente, aquela foi proibida de ter contato com o seu maior bem: os livros.

A beleza da obra passa a transpor a narrativa: ela vai ao cerne de cada personagem. Além da força e determinação de Sarah e de Encrenca, deparamo-nos com Charlotte (mãe de Encrenca) e Nina (apelido carinhoso de Angelina Grinké, irmã mais nova de Sarah). Todas elas são fortes, batalhadoras, sonhadoras e, sobretudo, determinadas a encontrarem as asas que lhe darão a devida liberdade.

As irmãs - juntas ou não - quebram os paradigmas sociais ajudando os escravos a passearem, ensinando-os a ler, lutando por seus direitos. É claro que elas foram punidas por isso, chegando a ser expulsas de diversos tipos de comunidades a que pertenciam. Por outro lado, foi justamente que a colocaram em destaque como as primeiras abolicionistas americanas e inspiração para a obra de Kidd.

Encrenca e sua mãe - que são personagens fictícios - não têm menor importância. Elas são responsáveis por nos fazer refletir sobre as atrocidades cometidas contra negros feitos de escravos (seja em qual parte do continente isso tenha acontecido) e também nos fazem pensar se nós não estamos sendo escravos de nossa própria mente.

Além de toda a questão abolicionista, ainda há espaço para romance.
Trecho da página 111.
Historicamente falando, é interessante observar também como homens e mulheres se relacionavam e como a autora expressa isso nos diferentes núcleos, com os diferentes pares (irmãos com irmãs, pais e filhos, maridos e esposas, fiéis e reverendos, escravos e seus donos). Também é notável as diferenças entre as vertentes do protestantismo da época e as suas formas diferenciadas de olhar para a questão da escravidão.

A invenção das Asas é uma obra belíssima que enche a vida dos leitores com sua força e coragem. É uma leitura agradável que merece ser feita com todo o carinho e que nos leva a reflexões profundas sobre a nossa relação com o mundo.


Livro: A invenção das Asas
Título original: The invention of Wings
Autor: Sue Monk Kidd
Tradução: Flávia Yacubian
Páginas: 328
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Sue Monk Kidd apresenta uma obra-prima de esperança, ousadia e busca pela liberdade. Inspirado pela figura histórica de Sarah Grimke, o romance começa no 11º aniversário da menina, quando é presenteada com uma escrava: Hetty “Encrenca” Grimke, que tem apenas dez anos. Acompanhamos a jornada das duas ao longo dos 35 anos seguintes. Ambas desejam uma vida própria e juntas questionam as regras da sociedade em que vivem.
Clique aqui para ler o trecho disponibilizado pela editora.

Booktrailer:


Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

sábado, 22 de março de 2014

Dia mundial da Poesia com a Companhia das Letras

Ontem foi o Dia Mundial da Poesia, e quem acompanha o Nosso Clube do Livro nas redes sociais (twitter | facebook | instagram), viu algumas fotos que a equipe fez do evento promovido pela Companhia das Letras na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo.


Foi tudo muito gostoso. As pessoas se sentaram em volta dos autores Fabrício Corsaletti e Joca Reiners Terron para ouvir as poesias por eles declamadas. Alguns dos textos lidos eram inéditos e boa parte deles arrancou aplausos do público que prestigiava as leituras poéticas. 

Fabrício Corsalett e Joca Reiners Terron lendo poesias.
Além dos poemas dos autores, também foram lidos os versos dos grandes nomes publicados pela Companhia, como os dos poetas Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Morais e Fernando Pessoa.

Leitura de um poema do Fernando Pessoa.
Após o evento, os autores Fabrício Corsaletti e Joca Reiners Terron continuaram na livraria e se colocaram à disposição para conversar com o público e autografar livros.

Livros dos autores Fabrício Corsalett e Joca Reiners Terron nas prateleiras da livraria.
Definitivamente, a noite foi muito prazerosa.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Novidades da Companhia das Letras

Confira os principais lançamentos da Companhia das Letras para essa semana.





O mesmo mar, de Amós Oz 
Este romance introspectivo e poético acompanha o entrelaçamento de triângulos amorosos. O principal gira em torno de Albert Danon, um viúvo sexagenário. Seu filho, Rico, após a morte da mãe, parte para o Tibet em busca de paz interior. Durante sua ausência, a namorada, Dita, aproxima-se do sogro idoso em busca de proteção, mas a relação acaba assumindo caminhos inesperados. O mesmo mar supreende pelo alto grau de elaboração literária, pela profusão e riqueza de suas formas. O enredo se revela numa sequência de seções curtas, compostas às vezes no tom casual e ameno das conversas de todo dia, às vezes como parábola bíblica, fábula, sonho ou poema. O mundo em que vivem as personagens de Amós Oz é barulhento, mas o romance cria um intimismo que convida o leitor a se concentrar no que elas estão dizendo. 

Reflexões ou sentenças e máximas morais, de François de La Rochefoucauld 
Muitas das máximas de François VI, duque de La Rochefoucauld, se incorporaram ao imaginário coletivo, recitadas há gerações sem atribuição. Não é para menos: com ironia fina e profundo pessimismo, seus escritos revelam uma acachapante habilidade de descrever as fraquezas e rodeios morais a que todos estamos sujeitos. Importante moralista e pensador francês, membro da alta nobreza, envolvido nas intrigas da corte e personagem-chave da Fronda, a guerra civil que dividiu a França entre os anos de 1648 e 1653, La Rochefoucauld somou a experiência nos círculos aristocráticos, frívolos e mundanos, sedentos de poder e reconhecimento em que vivia à observação filósofica, ajudando a consolidar e popularizar as máximas como gênero literário. 

Da minha terra à Terra, de Sebastião Salgado 
Sebastião salgado é conhecido no mundo todo por suas fotos em preto e branco. Depois de retratar trabalhadores e refugiados com profunda dignidade, o fotógrafo voltou ao centro da cena fotográfica em 2013, com o “Projeto Gênesis” . Mas apesar de as imagens de Sebastião Salgado já terem dado a volta ao mundo, sua história pessoal, as origens políticas, éticas e existenciais de seu engajamento fotográfico permaneciam ignoradas. Em Da minha terra à Terra, é seu talento como narrador que surpreende. A autenticidade de um homem que sabe como poucos combinar militância, profissionalismo, talento e generosidade.

terça-feira, 11 de março de 2014

Lançamentos Companhia das Letras



O silêncio do algoz, de François Bizot 
O etnólogo francês François Bizot foi o único ocidental a sair com vida de uma das temidas prisões do Khmer Vermelho. Sua sentença de morte foi suspensa graças à relação que desenvolveu com o homem que foi seu carcereiro durante os três meses em que esteve detido, em 1971. Anos mais tarde, Bizot descobriria que seu libertador fora responsável pela tortura e morte de dezenas de milhares de cambojanos considerados inimigos da revolução de Pol Pot. Neste relato perturbador, preciso e de trágica intensidade, o autor busca pistas para decifrar como homens comuns podem se transformar em algozes cruéis. 

 Boca do inferno, de Otto Lara Resende 
 Ecoam ainda nos dias de hoje as consequências de histórias como as de Boca do inferno, publicado originalmente em 1957. Talvez naquele tempo o escritor e jornalista Otto Lara Resende não imaginasse o quão preciso poderia ser este compacto exemplar. O mais provável é que soubesse. Em um contexto em que a religião dita as regras, o autor traz à superfície os mais bem guardados baús dos porões da família mineira. Não por acaso, as sete narrativas aqui reunidas têm como protagonistas meninos e meninas que, no fim da infância, são lançados de um momento para outro no conhecimento tenebroso das coisas. É sempre aí – na gruta sob a laje, no porão cheirando a mofo, no quarto quieto no meio da noite, no moinho solitário e monótono – que se dá a improvável revelação. Com o peso do que foi longamente gestado, com a força de uma límpida poesia da dor. Boca do inferno permaneceu durante décadas fora do comércio, não por falta de pedidos, mas porque seu autor – exigente – vivia a reescrevê-lo, adiando continuamente as novas edições. De fato, só a exigência literária extremada poderia lograr uma escrita como esta. Escrita que flui, mas, súbito, se interrompe, deixando à mostra profundidades insondáveis da existência. 

Beco dos mortos, de Ian Rankin 
Um imigrante ilegal é encontrado morto em um cortiço de Edimburgo. Se a primeira suspeita é de um ataque racista, logo a situação se prova mais complicada. É o que o departamento de polícia precisa para arrastar o inspetor John Rebus para o caso. Não que a vida no trabalho ande fácil, com seus novos chefes em campanha por uma aposentadoria precoce do investigador. Mas o teimoso e obstinado Rebus seguirá novamente a trilha de um morto, numa viagem que o levará a centros de detenção, a comunidades de imigrantes políticos e ao coração do submundo de Edimburgo. Enquanto isso, sua amiga e pupila Siobhan precisará lidar sozinha com os próprios problemas. O desaparecimento de uma adolescente a deixará perigosamente próxima às armadilhas de um maníaco sexual, conforme ela também tenta resolver o assassinato de um jornalista curdo. E há a história dos dois esqueletos encontrados debaixo de um movimentado beco da cidade. No encontro desses casos aparentemente sem conexão, Rebus e Siobhan logo serão atraídos para uma teia de ganância, traições e violência. 

O bicho alfabeto, – poemas de Paulo Leminski e ilustrações de Ziraldo 
O bicho alfabeto tem vinte e três patas, ou quase. Por onde ele passa, nascem palavras e frases. Quando ele e o Paulo Leminski se encontram, das palavras nascem versos e poemas, que falam sobre o mar, o vento, a chuva, as estrelas, uma pedra, um cachorro, uma formiga… Coisas que todo mundo conhece, mas que se transformam em outras quando aparecem dentro dos versos do Leminski. Nesta reunião inédita de poemas para os pequenos, Ziraldo também colaborou com a transformação: o bicho alfabeto ganhou cores e formas que ninguém poderia imaginar. Foi assim que o mundo ficou totalmente de cabeça pra baixo, pronto pra quem quiser virar a página e se aventurar a ler a vida de um jeito diferente.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Livro de Charlie Chaplin será publicado no Brasil pela Companhias das Letras

(via Publish News)




Em 1948, Charles Chaplin escreveu o seu único romance, que quatro anos mais tarde serviu de inspiração para o filme Luzes da ribalta. Esse livro – intitulado Footlights - nunca chegou ao público. Quando morreu e seu arquivo foi transferido para a Cineteca di Bologna (Itália), o livro ficou esquecido até que, nesse ano, Footlights foi publicado na Itália. Além da história nostálgica e sombria de Calvero, o palhaço alcoólatra e decadente que salva uma jovem bailarina que acabara de tentar o suicídio, o livro traz fotos e documentos inéditos. Aqui no Brasil, a Companhia das Letras comprou os direitos de publicação do livro, mas ainda não tem previsão de quando os leitores brasileiros terão acesso ao título.

Lançamentos: Companhia das Letras

Confira os principais lançamentos da Companhia das Letras para essa semana, incluindo Contos da Seleção de Kiara Cass e Doze anos de escravidão, obra que inspirou o filme vencedor do Oscar. 



O mundo é plano – uma breve história do século XXI, de Thomas L Friedman (Tradução de Cristina Serra, Sergio Duarte, Nruno Casotti, Cristina Cavalcanti)

Elogiado pela crítica e sucesso mundial de vendas, O mundo é plano tornou-se já referência na história das relações internacionais. Thomas Friedman, um dos principais articulistas do New York Times e vencedor de três prêmios Pulitzer, foi pioneiro em enxergar e definir a “nova globalização”, era em que os avanços da tecnologia e da comunicação permitiram que os indivíduos se conectassem como nunca antes, transformando as noções conhecidas de distância, tempo e trabalho. Momento este, defende o autor, que se mostrou positivo para os países emergentes, seus negócios e meio ambiente, ao contrário da era da “velha” globalização, que só beneficiava quem já detinha capital. Através da ideia de achatamento do mundo, Friedman descreve como as pessoas passaram a colaborar umas com as outras e também competir em um mundo de forças mais igualitárias, e procura assim explicar a ascensão de novos players mundiais, como Índia e China. Leitura indispensável para a compreensão do novo jogo de forças do capitalismo social. 

Entre amigos, de Amós Oz (Tradução do hebraico e notas: Paulo Geiger) 
Nas oito histórias interligadas que compõem Entre amigos, Amós Oz recria com precisão a realidade de um kibutz. Inicia com o solitário Tzvi Provizor, que se ocupa diligentemente de seus jardins, mas no tempo livre espalha com especial prazer as notícias de tragédias e calamidades que escuta no rádio. A narrativa final retrata os últimos dias do velho sobrevivente do Holocausto, Martin Vanderbeg, que acredita na abolição de todos os estados nacionais e numa fraternidade mundial e pacifista, coroada pelo uso do esperanto como idioma comum a todas as pessoas. No arco que compreende essas duas histórias, outras passagens da vida no kibutz trazem caos de amor e traição, inveja, orgulho e abandono. Partindo dos males do mundo que Tzvi espalha de seu rádio para chegar à esperança do velho Martin no futuro, Amós Oz cria uma pequena comédia humana, que dá conta de dramas universais sem sair do kibutz Ikhat. 

A cabeça do santo, de Socorro Acioli 
Sob o sol torturante do sertão do Ceará, Samuel empreende uma viagem a pé para encontrar o pai que nunca conheceu. Ele vai contrariado, apenas para cumprir o último pedido que a mãe lhe fez antes de morrer. Quando chega à cidade quase fantasma de Candeira, encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Coisas extraordinárias começam a acontecer depois que Samuel descobre ter o dom de ouvir as preces e os segredos do coração das mulheres das redondezas, que não param de reverberar dentro da cabeça do santo. 

Doze anos de escravidão, de Solomon Northup (Tradução de Caroline Chang) 
Doze anos de escravidão narra a história real de Solomon Northup, negro americano nascido livre que, por conta de uma proposta de emprego, abandona a segurança do Norte e acaba sendo sequestrado e vendido como escravo. Durante os doze anos que se seguirem ele foi submetido a trabalhos forçados em diversas fazendas na Louisiana. Este relato autobiográfico, publicado depois da libertação de Northup, em 1853, logo se tornou um best-seller, e hoje é reconhecido como a melhor narrativa sobre um dos períodos mais nebulosos da história dos Estados Unidos. Verdadeiro elogio à liberdade, esta obra apresenta o olhar raro de um homem que viveu na pele os horrores da escravidão. Leia aqui um trecho do livro. 

Orlando, de Virginia Woolf (Tradução de Jorio Dauster) 
Neste que é seu romance mais celebrado e popular, uma obra construída com exuberância estilística e imaginativa, Virginia Woolf (1822-1941) conebeu um dos personagens mais emblemáticos e paradoxais de toda a literatura universal. ascido no seio de uma família de boa posição em plena Inglaterra elisabetana, Orlando acorda com um corpo feminino durante uma viagem à Turquia. Como é dotado de imortalidade, sua trajetória então atravessa mais de três séculos, ultrapassando as fronteiras físicas e emocionais entre os gêneros masculino e feminino. Suas ambiguidades, temores, esperanças, reflexões – tudo é observado com inteligência e sensibilidade nesta narrativa que, publicada originalmente em 1928, permanece como uma das mais fecundas discussões sobre a sexualidade humana. Esta edição inclui introdução e notas de Sandra M. Gilbert, especialista em estudos de gênero e literatura inglesa, e uma brilhante crônica-ensaio de Paulo Mendes Campos, um dos grandes leitores brasileiros da obra de Virginia Woolf. 

Goya à sombra das luzes, de Tzvetan Todoroy (Tradução de Joana Angélica d’Avila Melo) 
Mais da metade da produção de Francisco José de Goya y Lucientes (1746-1828) – cerca de mil desenhos e gravuras, além de várias pinturas destinadas à fruição privada do artista – se compõe de trabalhos que somente foram expostos ou publicados anos depois de sua morte. Nessas criações secretas, que coexistiram com as encomendas de cenas religiosas e retratos da nobreza que lhe cabiam como pintor oficial da corte espanhola, o artista visionário dos Desastres da guerra exorciza numerosos demônios particulares através de experimentos formais que antecipam o impressionismo e a arte moderna. Indiferente à opinião pública, Goya tematiza as principais questões filosóficas e políticas a Europa nos anos 1790-1820 soba influência das ideias iluministas, sem contudo negligeniar suas trágicas consequências na realidade histórica. Neste ensaio provocativo e esclarecedor, Tzvetan Todorov reconstitui a singular trajetória artística de Goya, desvendando as articulações ideológicas e estéticas de obras decisivas. 

Quando é dia de futebol, de Carlos Drummond de Andrade 
Nove Copas do Mundo, o auge de Pelé, o caráter mesmerizante de um esporte sobre todo um povo. É isso que Carlos Drummond de Andrade oferece – em prosa e poesia – nesta seleção de textos que tem o futebol como mote. São crônicas e poemas líricos, bem-humorados e meditativos escritos a partir de grandes jogos, lances geniais e episódios pitorescos do universo futebolístico. E não ficam apenas nisso: o poeta mineiro se vale do esporte bretão para tentar ler as inúmeras transformações pelas quais a realidade brasileira passou ao longo do século XX. 

O corpo no escuro, de Paulo Nunes 
Entre o lirismo e a observação lancinante sobre o ciclo da vida, a ausência de religião e a metafísica, um olhar inaugural e o manejo seguro da tradição da poesia em língua portuguesa, o mineiro Paulo Nunes faz de sua estreia em livro um desses momentos que devem ser saudados pelos leitores da nossa melhor lírica. O corpo no escuro é seu primeiro livro, mas reúne uma copiosa e consistente produção (conhecida apenas entre alguns leitores de revistas literárias) que cobre um período de mais ou menos vinte anos, o tempo que o autor, reservadíssimo e aplicado, levou para reuni-la nesta obra. Dividido em duas grandes seções, “Óbvni” e “Tempo das águas”, o volume traz, articuladas ao longo dos poemas, meditações, observações e tentativas do autor de perscrutar a realidade em praticamente todos os seus aspectos. De feição sóbria, ostentando uma voz algo clássica e falando de temas maiúsculos da poesia (como o amor, o desencanto, o tempo e a morte), o conjunto impressiona pela coerência. Prova disso são poemas como “Um astronauta” (reproduzido na quarta capa), “Parapeito” e “O vigia”, entre outros. Anotações líricas em que a solidão e o abandono do homem contemporâneo – esse “corpo no escuro” – recebe contornos clássicos, arrebatadores. Mas a lírica de Paulo Nunes também versa sobre alguns lados luminosos da vida, especialmente os afetos. São as paixões, as amizades e o encantamento pelo outro que parecem reorganizar a visão do poeta, convertendo os momentos mais difíceis em oportunidade de pleno entendimento das coisas: “pensar, sentir: a penumbra/ confunde seus habitantes/ quase os devora, mas/ por um triz a pele reluz”, anota o poeta. Eis em síntese, talvez, a fórmula de toda essa poesia. 

Editora Seguinte 

Contos da Seleção, de Kiera Cass (Tradução de Cristian Clemente) 
Antes de a Seleção começar… Aspen era o namorado secreto da America. E havia outra garota na vida do príncipe Maxon. Todo mundo já conhece as dúvidas e angústias de America quanto aos seus sentimentos, assim como as intrigas entre as Selecionadas. Mas alguém sabe o que se passa na cabeça dods dois homens que lutam pelo coração da garota? É exataemnte isso que será revelado em O príncipe e O guarda: os verdadeiros pensamentos e inquietações do misterioso Maxon, que precisa escolher uma esposa até o fim da disputa, e as ideias e emoções do jovem Aspen, ex-namorado de America que vai trabalhar como soldado no palácio durante o concurso. Leitura indispensável para os fãs da série, esta antologia inclui, ainda, um final estendido do conto O príncipe; bônus exclusivos, como uma entrevista com a autora e dados inéditos sobre os personagens; além dos três primeiros capítulos de A escolha, o aguardado desfecho da trilogia.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Quando Eu Era Vivo - Filme

Estou aqui para contar sobre um evento super legal que o Nosso Clube do Livro participou no último dia 27 de janeiro.
Nós fomos convidadas pela Cia. das Letras para assistir a pré-estréia do filme "Quando Eu Era Vivo" de Marco Dutra, com Sandy Leah vivendo o papel de Bruna, uma estudante de música e António Fagundes vivendo o papel de Sênior e Marat Descartes como Júnior. O longa é uma adaptação do livro "A Arte de Produzir Efeito Sem Causa" de Lourenço Mutarelli.
Confesso que fique com medo de assistir o longa, porque geralmente não gosto de filmes brasileiros, mas posso falar que esse filme me surpreendeu. Com um bom roteiro, uma boa fotografia e com bons atores. E para quem estiver pensando, sim, a Sandy esta atuando bem.
Um dos pontos mais comentados na coletiva foi que esse é o primeiro filme de terror/suspense que temos atualmente no cinema brasileiro (como eu não assisto filmes brasileiros, eu não posso dizer se isso é verdade ou não, mas pelo pouco que eu vejo de chamada dos filmes, isso é verdade) e sinceramente isso ajudou muito para que eu gostasse do filme - quem me conhece sabe que eu adoro um filme desse gênero.
Para as pessoas que tem medo desse tipo de filme, eu já vou falando: não vi muito susto e nada demais nesse filme. Para falar a verdade, esse roteiro tem a medida certa de susto e de suspense.
Vemos um Júnior depressivo em razão da separação de sua mulher, enquanto ele passa os dias na casa de seu pai, remoendo por causa disso e por estar desempregado, percebemos como ele vai mudando e como isso afeta as pessoas e o ambiente ao seu redor. Revisitando seu passado, ele acaba encontrando coisas de sua mãe e começa a mudar. A casa ,que antes era simplesmente branca sem nenhuma decoração, começa a ganhar cor e textura com os novos objetos, deixando a casa como ele se lembra quando morou lá com seu irmão e seus pais.
Essas mudanças de humor e fé que Junior realiza durante o filme, também devem-se ao sobrenatural, ao ocultismo e até mesmo a loucura (como a maioria dos atores comentou na coletiva, eles não viam o filme como apenas sobrenatural, mas sim como uma loucura de Junior). Minha opinião sobre a crença da mãe deles é que essa coisa dá medo, a loucura da mãe passou para Pedro e depois passou Júnior.
Voltando a coletiva, outro ponto que merece comentário é a Sandy. A maioria das perguntas foram para ela. Ao ser questionada se ela estudou sobre o sobrenatural/ocultismo enquanto se preparava e formava o papel de Bruna, esta foi a resposta : " Quando eu li o roteiro, preferi ir pelo ponto de vista do drama psicológico, da loucura, do que pelo caminho do sobrenatural. Depois do filme pronto, eu comprei a ideia do sobrenatural. Eu quis entrar para o filme com o mesmo conhecimento sobre ocultismo que a personagem tinha, ou seja, nenhum. Não era algo com o qual ela se relacionava”.
Comentamos também sobre o autor, Lourenço Mutarelli, que fez uma ponta no filme e que infelizmente não pode comparecer a coletiva, pois estava comprometido com outro filme. Marco comentou que Lourenço deixou eles trabalharem no roteiro tranquilamente e que a única vez que Lourenço viu o roteiro foi quando eles terminaram o roteiro e a resposta foi positiva do autor.
A coletiva foi super dinâmica e descontraída. Todos estavam sorridentes e super simpáticos.
Um evento diferente que estou acostumada a participar, porém eu gostei. Tanto de ter assistido o filme quanto ter ido a coletiva.
Fotos da coletiva de imprensa:





domingo, 5 de janeiro de 2014

[Resenha] Nu, de botas, por Antonio Prata

Foto do autor, Antonio Prata, que aparece na orelha de
Nu, de Botas.
Nu, de botas foi o livro que li na transição de 2013 para 2014. Que presente! Nele, seu autor, Antonio Prata resgata suas memórias de infância, com a experiência de um adulto e o olhar de uma criança. Esta forma de escrever prosa, que beira à poesia, faz com que o leitor sinta-se na varanda de casa, vendo o pôr-do-sol, enquanto conversa com um amigo.

Para quem nasceu nos anos 80 – ou antes – há um deleite um tanto assustador: perceber as mudanças no tempo e como tudo se transformou rapidamente. Prata nos faz lembrar alguns fatos já esquecidos por nós – ao menos por mim –, a exemplo de como ele andava praticamente deitado de ponta cabeça no banco de trás do carro, enquanto o seu pai dirigia estrada a fora (cinto de segurança para quê?) ou da expectativa que as crianças tinham para ligar e conseguir falar com o palhaço de TV, o Bozo.

O primeiro amor, as primeiras perdas, a chegada da irmã, a descoberta do sexo. Tudo é narrado de maneira tão bela; que, de certa forma, nos deixa com vontade de ser criança novamente. É impossível não resgatar o início da nossa própria vida, das nossas pequenas descobertas diárias, desbravando o mundo. Por isso, não há como não sorrir. É extremamente  bela a maneira como o autor apresenta a visão da criança e a sua tentativa de compreender o mundo dos adultos – que nas memórias é a sua visão e a sua tentativa de entendimento; mas que, quem convive com crianças sabe, são pontos de vista e questionamentos universais do contexto infantil.

Por que determinados assuntos pode ser conversado com naturalidade com os pais, mas não com outras pessoas? Por que as mães são diferentes? Como é possível as casas teoricamente iguais terem seus cômodos e móveis em outros lugares? Por que a mãe do meu amigo não o deixa ver certos programas de tv? Os contrastes do mundo e a forma de organiza-los são narrados de maneira deliciosa que nos desperta para o automatismo em que vivemos. Quantas vezes, conforme vamos crescemos, deixamos de refletir sobre a trivialidade da vida?

Nu, de botas é um livro que enche o nosso coração de alegria. Ele é reflexo da pureza de um olhar novo para o mundo. Retratando o medo, o receio, a felicidade, as dúvidas e todas as suas inquietações infantis, a obra de Antonio Prata serve de reflexo para a nossa própria existência.

Livro: Nu, de Botas
Autor: Antonio Prata
Páginas: 144
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Em Nu, de botas, Antonio Prata revisita as passagens mais marcantes de sua infância. As memórias são iluminações sobre os primeiros anos de vida do autor, narradas com a precisão e o humor a que seus milhares de leitores já se habituaram na Folha de S.Paulo, jornal em que Prata escreve semanalmente desde 2010. Aos 36 anos, Prata é o cronista de maior destaque de sua geração e um dos maiores do país. São de sua lavra alguns bordões que já se tornaram populares - como “meio intelectual, meio de esquerda”, título de seu livro anterior e de um seus textos mais célebres -, bem como algumas das passagens mais bem-humoradas da novela global Avenida Brasil, em que atuou como colaborador de João Emanuel Carneiro. Prata também é um dos integrantes da edição Os melhores jovens escritores brasileiros, da revista inglesa Granta. As primeiras lembranças no quintal de casa, os amigos da vila, as férias na praia, o divórcio dos pais, o cometa Halley, Bozo e os desenhos animados da tevê, a primeira paixão, o sexo descoberto nas revistas pornográficas - toda a educação sentimental de um paulistano de classe média nascido nos anos 1970 aparece em Nu, de botas. O que chama a atenção, contudo, é a peculiaridade do olhar. Os textos não são memórias do adulto que olha para trás e revê sua trajetória com nostalgia ou distanciamento. Ao contrário, o autor retrocede ao ponto de vista da criança, que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular - cômico, misterioso, lírico, encantado.
Clique aqui para ler trecho disponibilizado pela editora. | Veja o livro no Skoob.


Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no designdiPoesia

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

[Resenha] Manual do Mimimi - Lia Bock

Se tem um livro cujo titulo é a minha cara, é o “Manual do Mimimi”. Eu sou uma pessoa cheia de “mimimis” e assim que o vi nas opções, logo solicitei para fazer resenha. Já esperava algo bem alto-astral. Também com uma capa colorida desta, coisa triste que não seria!

Manual do Mimimi – do Casinho ao Casamento (ou vice-versa)” é um apanhado de textos publicadas no blog “Eu lia, tu lias”, da autora, jornalista e colunista da revista TPM, Lia Bock. Ele é recheado de crônicas divertidas que poderiam ser o relato da vida de qualquer mulher acima dos 20 e poucos anos. Comigo rolou uma identificação em alguns aspectos, e talvez esse seja o objetivo deste pequeno livro de 110 páginas. A identificação do leitor para com os textos e posso até arriscar que alguns “ensinamentos” tirados dele serão levados para a vida.


Quebrar a cara faz parte, mas depois de um tempo... dá uma preguiça. Dá vontade de antever os pormenores, acelerar a história um tempinho, só pra saber (assim, de leve, como quem não quer nada) se vale a pena regar aquele friozinho na barriga que começa a brotar ali.” (p.103).


É como se você estivesse tendo uma conversa com sua melhor amiga. Não preciso dizer que a leitura é tão rápida que em uma sentada você consegue “conversar” com Lia Bock tranquilamente. As ilustrações contidas no livro, todas produzidas por Zé Otávio, são um show a parte. Elas complementam os ditos da autora e até divertem o leitor às vezes.


Livro: Manual do Mimimi – do Casinho ao Casamento (ou vice-versa)
Autor: Lia Bock
Editora: Paralela
Páginas: 110


Sobre a Autora:
Suelen DiasSuelen Dias é formada em Marketing e se aventura diariamente em sua segunda graduação, Jornalismo. Colunista do site Up!Brasil, juntou-se com as amigas para colaborar neste blog. Adora um bom chick-lit, romance e às vezes um drama ou aventura. Super encara, ou melhor, devora livros de banca sem preconceito.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Editora sueca contrata autor para dar continuidade à trilogia Millennium


A criação da série Millennium foi interrompida na elaboração do quarto livro, devido à morte de seu autor, Stieg Larsson. Com três livros publicados - Os Homens que Não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar - a saga que conta a história do jornalista Mikael Blomqvist e da hacker Lisbeth Salander é sucesso de público e crítica, tendo suas narrativas adaptadas para o cinema não apenas na Suécia.

Agora, a editora sueca Norstedts contratou o autor David Lagercrantz, com o objetivo de dar continuidade à série. Segundo o comunicado da editora, a ideia é publicar o novo romance no segundo semestre de 2015, sendo que este livro não conterá partes da obra inacabada deixada por Larsson em 2004.

No Brasil, a trilogia Millennium foi publicada pela Companhia das Letras - que até o momento da redação desta notícia, não se pronunciou sobre o assunto.

Para saber mais sobre a trilogia, acesse o hotsite sobre os livros.

[Lançamentos] Novidades da Companhia das Letras

Nesta semana a Companhia das Letras está lançando duas obras. Confira!


Fabriqueta de ideias, de Katia Canton 
Com tantas novidades ligadas à tecnologia surgindo a cada dia, é difícil não se conectar a esse mundo que existe dentro das telas. Mas ainda é possível se divertir — e muito! — com papel, lápis e tesoura, ou mesmo só com a imaginação. Este livro traz mais de oitenta opções de brincadeiras e atividades criativas, que não saem de moda e não perdem em nada para os computadores, tablets e companhia. Além de serem superdivertidas, elas vêm acompanhadas de reflexões sobre arte, ecologia, cultura, história e literatura. Então aceite um convite especial: abra as portas desta pequena grande fábrica de ideias e explore novos jeitos de pensar e recriar o mundo. 

Medo: Histórias de terror, seleção de Hélène Montardre
(Tradução de Julia da Rosa Simões)
Por mais estranho que isto pareça, às vezes sentir medo pode ser bom. Principalmente quando temos certeza de que o perigo não é real e tem hora pra acabar: ele está dentro de um livro, de um filme ou em alguma história que ouvimos, e aí é só deixar a imaginação rolar e aproveitar o frio na barriga. Com esta coletânea, que reúne o que há de melhor em matéria de diabos, cemitérios, animais estranhos, casas abandonadas, assombrações e mortos-vivos — de autores clássicos e contemporâneos –, não vai ser difícil experimentar um nó na garganta, o coração disparado, tremores e calafrios.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

[Resenha] Eu sou Malala, de Malala Yousafzai com Christina Lamb

É impossível querer conhecer e entender a história de quem e a “garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã” sem passar por outros momentos que precedem o seu nascimento. A vida da Malala que emocionou o mundo começa muito antes, com o surgimento de seu país, com a luta de seu pai numa tentativa de abrir as portas educacionais às crianças paquistanesas. Logo, Eu sou Malala é um livro que intrinsecamente narra estas três histórias: a da formação do Paquistão, a da formação da família Yousafzai e a da própria Malala e seu atentado.

Logo no prólogo, temos uma breve descrição de como foi o momento em que Malala foi baleada e desde já, somos levados a várias reflexões. Dentre elas, nos perguntamos: de que vale a violência gratuita?

A obra é dividida em 5 partes. Na primeira, há uma descrição de como a família Yousafzai se constituiu e de como era a vida antes da chegada do Talibã ao vale do Swat. Esta parte é fundamental, pois ela apresenta ao leitor as crenças, os costumes, o modo de vida da comunidade do vale, além de ser uma justificativa das convicções de Malala. A menina cresceu vendo a luta de seu pai para ter e manter suas escolas abertas, além disso, sempre gostou de ouvir as conversas dos mais velhos sobre política.

A segunda parte retrata a chegada do Talibã ao vale, a destruição do patrimônio histórico-cultural da região, a resistência de Malala e seu pai à pressão sofrida para o fechamento da escola de meninas. A violência presente no dia a dia das pessoas passa a ser cada vez mais presente e intensa. Até que culmina no que vem descrito na parte três: o atentado sofrido pela Malala – não mais por ela frequentar a escola, mas sim por ela o fazer e discursar contra as ideias radicais e extremistas dos talibãs.

Até este ponto da leitura, o livro me deixou muito dividida: se por um lado eu admiro a força e a determinação de Malala e sua família, na luta pelos direitos básicos das pessoas do Swat (seja na questão educacional, seja dividindo a própria comida com quem não tinha um grão de arroz para se alimentar); por outro, a crueldade a troco de nada, a violência, a privação e a busca desenfreada por poder só me deixou abalada. Ver os rumos da nossa humanidade assusta em certos aspectos e Eu sou Malala nos mostra uma realidade tão cruel que é impossível não se sensibilizar e não temer tudo isso.

No meio do livro há fotos dos momentos mais marcantes da vida da Malala.
A quarta parte é que relata os momentos de desespero em que os pais da Malala não sabiam ao certo a gravidade de seu acidente. Nela vemos também como a falta de infraestrutura pode ser fator determinante para o fracasso de um tratamento médico – o que me fez traçar um paralelo e pensar na realidade brasileira e no quanto as pessoas pobres sofrem com isso. É nesta parte também que vemos com detalhes como a Malala viaja até a Inglaterra, para – na quinta e última parte – entendermos como ela e sua família se estabelecem em Birmingham.

A obra termina com um prólogo em que Malala faz um relato de como é a sua vida atualmente. Percebe-se então a importância da liberdade em nossas vidas. Uma coisa é mudarmos de país por opção própria; outra é ser forçado a fazê-lo da noite para o dia, sem ter uma perspectiva de retorno. Ainda que Malala viva em pleno conforto – e possa estudar em liberdade – seu maior desejo é ver as árvores do Swat novamente, fato que não há perspectiva de acontecer tão cedo.

Eu sou Malala é um livro simples e ao mesmo tempo profundo. Sua leitura é fácil; seus fatos complexos; suas palavras tocantes e transformadoras, capazes de mudar uma vida inteira. Não há como terminar esta leitura sendo a mesma pessoa que a iniciou. Malala é exemplo, é perseverança, é vida - mesmo com o mundo dizendo para que ela fosse contra a todos os seus princípios. 

“‘Que possamos pegar nossos livros e canetas’, eu disse. ‘São as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo’”. (Eu sou Malala, Malala Yousafzai – página 324).

Capa.
Livro: Eu sou Malala
Subtítulo: A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã
Autor: Malala Yousafzai - com Chirstina Lamb
Tradução: Caroline Chang, Denise Bottman, George Schlesinger, Luciano Vieira Machado
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 360
Sinopse: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. “Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo.

Clique aqui para ler o trecho disponibilizado pela editora.
Veja aqui o livro no skoob.

PS: No livro a Malala cita um documentário que o jornal The New York Times fez sobre ela e a violência no Vale do Swat, chamado Class Dismissed in Swat Valley. Como o vídeo está disponível no youtube, segue abaixo. Ele é em inglês, mas mesmo quem não sabe o idioma consegue ter a dimensão da crueldade por todos vivida. Só em ver as imagens também dá para perceber o quanto a Malala foi corajosa em discursar tantas vezes contra o Talibã.



Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no designdiPoesia

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

[Resenha] Vozes anoitecidas, de Mia Couto

           
Vozes Anoitecidas é o livro de estreia de Mia Couto na prosa. Até então – a obra data de 1987 – Couto era conhecido pelo seu trabalho como jornalista e intelectual que lutou na busca pela independência de seu país. E, embora este livro seja repleto de ficção, ele também é um reflexo desta realidade de seu autor.

As vozes que, aos poucos, vão anoitecendo nos apresentam um povo sofrido pelo pós-guerra, que sofre por medo da fome, dos campos minados e, em alguns casos, por medo da própria tradição. Estes relatos são feitos de maneira tão primorosa que muitas vezes não sabemos se estamos no campo do jornalismo, da prosa, da poesia, do sonho, da realidade... E, de certa forma, isso não faz muita diferença, uma vez que entender a alma de Moçambique acaba se tornando mais importante do que traçar os padrões estilísticos.

Um pedaço da África em que o menino sonha em ir à escola, em que o corvo ganha a voz humana – e seu dono tenta, de todas as formas, ter um pedaço de roupas novas para vestir –, em que o africano se apaixona por uma estrangeira sem história prévia. O boi explode? Ou seria a gente? No fim, cada ínfimo de fantástico tem sua face oposta da moeda na realidade dura de um país que estava tentando se formar como nação.

Este é um livro interessante não apenas pelo aspecto cultural apresentado, mas também porque ele nos leva a refletir sobre a condição humana. A princípio, da das personagens; depois, sobre a nossa própria condição e sobre os seres humanos que nos tornamos. Ao questionar uma cultura tão diferente da nossa, passamos a nos indagar sobre o que acreditamos, sobre o que vivemos e sobre as atitudes que tomamos.

É por todos estes motivos que Vozes Anoitecidas rendeu ao seu autor um Prêmio Camões neste ano. Sem dúvida, é uma obra que merece ser lida.

Livro: Vozes Anoitecidas
Autor: Mia Couto
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 152
Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1986, Vozes anoitecidas projetou o escritor moçambicano Mia Couto para o mundo. Conhecido até então por seu trabalho como jornalista e poeta, o autor - hoje tido como um dos mais influentes escritores da língua portuguesa - lançou aqui as bases daquela que viria a ser uma das principais características de sua obra ficcional: a reconstrução de laços entre registro oral e escrito. Em doze pequenos contos, um rol de personagens esfarrapados e alheios ao palco principal dos acontecimentos narra, de seu ponto de vista marginal, histórias que flertam com o mágico e com o absurdo sem, no entanto, desviarem-se completamente do plano factual. Em “As baleias de Quissico”, Jossias aguarda a chegada de um animal marinho de cuja boca, acredita, brotará “amendoim, carne, azeite de oliva e bacalhau”. Mas como saber se o animal existe, se ele jamais viu uma baleia? O enorme monstro que aporta sem ser visto pode ser tanto o misterioso “peixe grande” como um submarino carregado de armamentos ilegais. Jossias prefere acreditar no sonho e, como ele, outros personagens de Vozes anoitecidas encontram mais razão na fantasia que na lógica da guerra e da privação. Ao promover uma espécie de vertigem, sob efeito da qual não se pode afirmar se uma narrativa é absurda ou se absurda é a realidade de que ela trata, o autor apresenta a perplexidade como ponto de partida para o fazer literário. “Sem dúvida um dos escritores mais importantes da língua portuguesa.” - João Ubaldo Ribeiro
Trecho disponibilizado pela editora aqui. | Livro no skoob.

Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no designdiPoesia

terça-feira, 12 de novembro de 2013

[Lançamentos] Novidades da Companhia das Letras

A semana cento e setenta e oito trouxe 3 lançamentos na Companhia das Letras:


Ligue os pontos, de Gregorio Duvivier 
Um dos maiores responsáveis pelo sucesso do canal Porta dos Fundos, o ator e roteirista Gregorio Duvivier tem revelado grande habilidade em transformar a tragicomédia da vida contemporânea numa provocativa salada de gags que misturam absurdo e realidade. Ligue os pontos mostra que, para além da prosa humorística, o tratamento lúdico das palavras pode render poesia de qualidade. Refinada no curso de Letras da PUC-Rio – e elogiada por autoridades como Millôr Fernandes, Paulo Henriques Britto e Ferreira Gullar -, a escrita poética de Duvivier tem foco na importância descomunal dos momentos insignificantes do cotidiano. Flashes pungentes e irônicos da adolescência – o autor é um expoente da “geração do bug do milênio” -, o mistério da criação, as palavras e suas relações inusitadas, a experiência do amor vivido enfim como gente grande, a transitoriedade de tudo: tendo a geografia sentimental do Rio de Janeiro como pano de fundo, a constelação de poemas de Ligue os pontos revela uma dicção marcadamente individual, que flerta, contudo, com o melhor da tradição carioca nonchalante, e extrai do dia a dia compartilhado imagens de desconcertante beleza. 

Bullet Park, de John Cheever 
(Tradução de Pedro Sette-Câmara) 
Bem-vindo a Bullet Park, uma cidade em que até os burgueses mais engomadinhos conseguem se assustar com a sua própria imagem no espelho. Nesse ambiente exemplar, John Cheever retrata o fatídico encontro de dois homens: Eliot Nailles, um bom sujeito que ama sua esposa e seu filho de forma contente e um tanto alheia, e Paul Hammer, um bastardo cujo nome veio de um simples instrumento caseiro e que, após passar metade da vida a esmo, vai morar em Bullet Park com um objetivo – assassinar o filho de Nailles. Uma homenagem lírica, divertida e mordaz ao subúrbio americano – e a toda a (duvidosa) normalidade que ele representa – pelas mãos de um dos grandes nomes da literatura dos Estados Unidos. 

Portfolio-Penguin 

O mapa e o território, de Alan Greenspan 
(Tradução de André Fontenelle e Otacílio Nunes Jr.) 
O mapa e o território é um tratado minucioso sobre como atualizar a grade conceitual de que dispomos para fazer previsões. Integrando o mais recente trabalho de economistas comportamentais, a história das previsões econômicas e suas próprias memórias, Greenspan oferece ao leitor uma visão lúcida e fundamentada sobre o que podemos ou não prever acerca do futuro. O mapa e o território explora o modo como a cultura determina o destino dos países, além de apontar possíveis caminhos diante de alguns dos maiores desafios que se apresentam para a humanidade, da reforma do Estado do bem-estar social aos desastres naturais em uma era de aquecimento global. Nenhum mapa é o território, mas a abordagem de Alan Greenspan, amparada pelo rigor e perspicácia que lhe são peculiares, assegura que este mapa será de grande valia para traçar jornadas mais seguras em diferentes estradas, transitadas por indivíduos, empresas e pelo Estado.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

[Resenha] A Lista do Nunca - Quando A Ficção É Tão Assustadora Quanto A Realidade

Conhecemos Sarah e Jennifer, duas amigas de infância que sofrem um acidente de carro que ocasiona a morte da mãe de Jennifer.
A partir deste dia as meninas viram maníacas por controlar tudo em suas vidas. Fazendo listas e listas sobre acidentes de carro, avião, moto etc.

Podemos entender esse medo. Quem nunca teve medo de pegar um avião? De andar de moto? Mudar de cidade?

Essas duas amigas levam todos esses medos a um nível absurdo. A ponto de fazer com que você, leitor, comece a pensar bem sobre sair de casa à noite, de pegar um táxi, de andar de trem e metro. Medo de coisas simples da vida.

Chega a época de ir para a universidade e por incrível que parece, a nossa dupla dinâmica do medo, consegue ir morar no campus. Claro, antes elas foram conhecer tudo e não só escolheram o quarto mais próximo à saída, mas também conheceram o táxi local.

Tudo isso faz você pensar "bando de lunáticas", mas será que elas são tão lunáticas assim?

Com essa mudança, veio também uma lista de segurança, a conhecida Lista do Nunca, que elas penduraram atrás da porta, para que sempre possam ler.

Infelizmente essa segurança toda, não serviu para nada. Um dia elas deixaram o medo de lado e foram a uma festa do campus e, ao saírem, não olharam para ver se o taxista era o mesmo de sempre. Grande erro.

Nesse deslize, Sarah e Jennifer acabam sendo sequestradas por um professor de psicologia e, durante 3 anos, ele testou torturas absurdas com elas e mais outras duas meninas que estavam no porão da casa dele: Tracy e Christine.

O livro é uma narrativa e quem conta a história toda é Sarah, dez anos depois do ocorrido. Sarah vive em um apartamento todo branco em Nova York, isolada do mundo e de todos. Suas únicas companhias são o porteiro do prédio, o detetive Jim do FBI e às vezes a psicóloga.

Como o julgamento da condicional de Jack (o professor que as sequestrou) está para acontecer, Jim tem que colocar as três sobreviventes na corte, porém a única que está disposta a ajudar é Sarah, e olhe que a disposição apenas é para que ele continue lá, pois ele matou sua melhor amiga.

Vemos uma Sarah determinada em manter Jack preso e com a ajuda de Tracy, elas começam uma investigação sobre o passado do bandido, sobre o próprio passado de Tracy e Christine. Tudo para solucionar a morte de Jennifer e deixar Jack apodrecer na cadeia.

Com muita cena de ação e algumas reviravoltas, a autora nos leva para o mundo do Sadomasoquismo (S&M), do tráfico de pessoas e prostituição.

Um livro que recomendo lerem, menos as neuróticas, porque mania de perseguição, TOC e o grande e velho medo são meros problemas que podemos adquirir lendo esta obra.

Em suma, um ótimo livro, bem escrito e que nos rende uma reflexão no final. Nem sempre podemos contar/confiar em seu melhor amigo numa situação de perigo. Ele pode se virar contra você... Não entendeu? Bem, leia o livro.

Livro: A LISTA DO NUNCA - Quando a ficção é tão assustadora quanto a realidade
Autor: Koethi Zan
Tradução: Elvira Serapicos
Editora: Companhia das Letras
Lançamento: 2013
Sinopse: Depois de um acidente de carro que sofreram quando ainda tinham dez anos, Sarah e Jennifer, amigas inseparáveis, passaram anos escrevendo o que chamaram de Lista do Nunca: uma lista de ações e atitudes que deveriam ser evitadas, a qualquer custo, para que se mantivessem sãs e salvas.

Numa noite, no entanto, ao entrarem em um táxi, o destino das duas garotas as levou a um lugar que certamente não considerariam nem um pouco seguro. Sequestradas por um homem frio e adepto do sadismo, elas ficam acorrentadas em um porão com mais duas garotas por três anos.

Dez anos depois de conseguir fugir, Sarah ainda tenta levar uma vida normal. Seu contato com pessoas se limita ao porteiro que diariamente entrega o que ela precisa para sobreviver e à sua psicóloga, que tenta ajudá-la a enfrentar cada novo dia.

Seu sequestrador, porém, está prestes a conseguir uma condicional e, mais do que preparar um belo discurso de vítima, Sarah sente que este é o momento de agir. Para isso, vai enfrentar seus terríveis traumas em busca de uma história que nunca fora revelada.

Sobre a Autora:
Camila CompariniCamila Comparini é Farmacêutica e Bioquímica formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Adora ler, adora Literatura de Fantasia e Romance Policial e defende com unhas e dentes esse tipo de literatura. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

[Resenha] A confissão da Leoa, de Mia Couto

"Escrever é perigosa vaidade. Dá medo aos outros". 
(A Confissão da Leoa, de Mia Couto, página 88)

Certa vez ouvi um crítico literário dizendo que a África de Mia Couto é inventada e quem vai a sua procura se frusta por não encontrá-la. Se ele estava certo, não sei; contudo, ao ler A Confissão da Leoa, percebi que existe uma África cheia de mistério e magia dentro de todos nós, basta que queiramos descobri-la.

A obra nos apresenta o seguinte panorama: os moradores da aldeia Kulumani estão aflitos pois suas mulheres estão sendo atacadas por leões. Eles veem na figura de Arcanjo Baleiro a única possibilidade de fim deste tormento: o homem é um caçador renomado e vai até lá para se livrar das feras.

A narrativa em primeira pessoa é alternada entre dois personagens: Baleiro, que tem uma perspectiva do homem que veio da cidade, ainda que preserve de uma forma ou de outra suas origens, e Mariamar, uma das residentes da aldeia. É justamente nesta alternância de falas e pontos de vista que os leitores são conduzidos pelos fatos e, ao mesmo tempo, levados a sérias provocações relativas ao direito de voz, ao papel das tradições e das mulheres na sociedade.

Embora os assuntos intrínsecos sejam fortes e duros, Mia Couto mantém sua forma doce, poética e carregada de um realismo fantástico que nos acalenta o coração. A metalinguagem também é um dos recursos extremamente bem empregado que dá um toque de encantamento à obra. 

Se destacarmos os interesses políticos do administrador - que envia o caçador à aldeia com a pura intenção de arrecadar votos para a sua campanha -, veremos que, de certo modo, o tal continente do escritor moçambicano é aqui também. Se observarmos a opressão feminina, a influência do que dita "a moral e os bons costumes", também não nos sentiremos afastados dos africanos. Realismo fantástico? Até que ponto estas questões são apenas ficção?!

Doce, intenso e reflexivo, definitivamente este livro me cativou e me fez admirar ainda mais a literatura nascida do Mia Couto. Uma leitura de deleite puro e de profundidade intensa, na certa!



Livro: A confissão da Leoa
Autor: Mia Couto
Páginas: 256
Sinopse: Em 2008, quando Mia Couto participava da expedição de uma equipe de estudos ambientais ao norte de Moçambique, começaram a ocorrer na região ataques de leões a pessoas. Essa experiência inspirou o autor a escrever este romance singular. Em A confissão da leoa, uma aldeia moçambicana é alvo de ataques mortais de leões provenientes da savana. O alarme chega à capital do país e um experimentado caçador, Arcanjo Baleiro, é enviado à região. Chegando lá, porém, ele se vê emaranhado numa teia de relações complexas e enigmáticas, em que os fatos, as lendas e os mitos se misturam. Uma habitante da aldeia, Mariamar, em permanente desacordo com a família e os vizinhos, tem suas próprias teorias sobre a origem e a natureza dos ataques das feras. A irmã dela, Silência, foi a vítima mais recente. O livro é narrado alternadamente pelos dois, Arcanjo e Mariamar, sempre em primeira pessoa. Ao longo das páginas, o leitor fica sabendo que eles já tiveram um primeiro encontro muitos anos atrás, quando Mariamar era adolescente e o caçador visitou a aldeia. O confronto com as feras leva os personagens a um enfrentamento consigo mesmos, com seus fantasmas e culpas. A situação de crise põe a nu as contradições da comunidade, suas relações de poder, bem como a força, por vezes libertadora, por vezes opressiva, de suas tradições e mitos. 
Sobre a Autora:
Fernanda RodriguesFernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no designdiPoesia

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

[Lançamentos] Confira as novidades da Companhia das Letras e da Editora Seguinte

Confira os lançamentos da Companhia das letras e da Seguinte, para esta semana:


Vida, de Paulo Leminski 
Nessa reunião de biografias sui generis (Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trótski), lançadas na Coleção Encanto Radical ao longo da década de 1980, Paulo Leminski presta homenagem a quatro de seus heróis de lírica e de luta, revelando lados inusitados de figuras aparentemente desconexas que, sob o olhar apaixonado de um mesmo admirador, se aproximam e enriquecem. Ao fim destas quatro minibiografias heterodoxas e aliciantes, o que emerge é o retrato apurado de um Leminski múltiplo, como seus biografados, e uma gênese das principais influências do poeta que segue como referência para as novas gerações.

Poemas, de W.H. Auden 
(Tradução de João Moura Jr. e José Paulo Paes) 
Esta edição bilíngue traz cinquenta dos principais poemas de Wynstan Hugh Auden, reconhecido como um dos mais importantes autores ingleses do século XX. O amor, a guerra, os acontecimentos sociais e o poder encantatório da literatura ganham ressonância nesse conjunto de textos fundamentais de lírica moderna. Criteriosamente selecionados e traduzidos, há desde poemas escritos em 1927, quando o autor definiu publicamente suas posições estéticas no que ficou conhecido como “O Manifesto de Oxford Poetry”, até aqueles que datam de 1973, ano de sua morte. O volume “abarca, na medida do possível, as várias fases da obra poética de W. H. Auden, que foi um poeta prolífero”, conforme declara João Moura Jr., o responsável pela seleção dos textos e que divide a tradução com o poeta José Paulo Paes. 

Eu me pergunto, de Jostein Gaarder 
(Ilustrações de Akin Duzakin, Tradução de Mell Brites) 
Enquanto caminha para longe de casa, um garoto pensa e repensa: “de onde vem o mundo?”, “será que tudo surgiu do nada?”. A cada nova paisagem que conhece, relembra histórias de seu passado e descobre novas questões: “os fantasmas existem?”, “o que tenho mais medo de perder?”. Cheio de indagações mas sem respostas imediatas, ele anda sem rumo — e se aproxima cada vez mais de seu próprio entendimento do mundo. 

Histórias de Xingu, de Cláudio e Orlando Villas Bôas 
Cláudio e Orlando Villas Bôas dedicaram suas vidas aos índios brasileiros. Em 1943 abandonaram a cidade grande para participar de uma grande aventura: se juntaram à Expedição Roncador-Xingu, que tinha como objetivo desbravar parte da Amazônia, e entraram em contato com indígenas que viviam isolados até então. Depois desse primeiro encontro, resolveram lutar pela preservação dessas populações, de suas terras e costumes. Criaram laços de amizade com mais de vinte povos, e em 1961 ajudaram a fundar o Parque Nacional do Xingu. Cláudio e Orlando conheceram mais do que ninguém a cultura dos xinguanos, e narram aqui nove histórias assim como as ouviram. São contos que falam do imaginário desses grupos e de suas crenças; que nos apresentam a Mavutsinin, o criador dos índios; ao Kuarup, cerimônia de homenagem aos mortos; e ao Morená, lugar mítico onde três rios se encontram para formar o Xingu. 

Saudade, de Claudio Hochman 
Algumas palavras são difíceis de definir — principalmente aquelas que são fáceis de sentir. Como explicar, por exemplo, a saudade, palavra que nem mesmo existe em muitas línguas? É o que vai tentar fazer o Rei desta história, o mais sábio que já habitou a terra. 

(Tradução de Eduardo Brandão) 
As narrativas populares viajam misteriosamente através do tempo e do espaço, sofrendo transformações a cada lugar por onde passam. O caso de A Bela e a Fera não é diferente: essa história sobre um pai, uma filha e um pretendente quase repulsivo possui algumas versões conhecidas e outras tão antigas que nem sabemos precisar sua origem. Aqui, além da versão mais difundida no Ocidente, estão reunidas as interpretações chinesa e chilena, tão semelhantes quanto diferentes entre si. 

Editora Seguinte 

(Tradução de André Czarnobai) 
Frankie Landau-Banks, aos 14 anos: a princesinha da família. Gosta de ler e participar do Clube de Debates. Uma garota comum frequentando uma escola tradicional. Frankie Landau-Banks, aos 15 anos: Um corpo cheio de curvas. Uma língua afiada. Namorada de Matthew Livingston, o cara mais popular do colégio. A transformação física de Frankie Landau-Banks veio acompanhada de uma mudança de atitude: ela já não aceita um “não” como resposta. Principalmente quando esse “não” significa que ela não pode participar da sociedade secreta da qual seu namorado faz parte só porque é menina. Usando todas as suas habilidades (e alguns conhecimentos adquiridos nas aulas), Frankie criará artimanhas para provar que pode ser ainda mais genial que os membros da Leal Ordem dos Bassês. E a escola logo se tornará palco de pegadinhas até então inimagináveis.
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