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segunda-feira, 28 de julho de 2014

[Resenha] Um nome escrito em sangue, de Matt Rees

Davi com a cabeça de Golias.
(Michelangelo Merise da Caravaggio)
Óleo sobre tela. Galeria Borghese, Roma, Itália.
A cabeça do Golias é um autorretrato de Caravaggio.
Michelangelo Merisi da Caravaggio é o principal nome da pintura Barroca italiana. Segundo os registros históricos; o pintor, além de talentosíssimo, detinha uma personalidade forte, envolvendo-se em amores e brigas que lhe custaram a vida. Como e onde morreu? Bem, este é um mistério que Um nome escrito em sangue: a história de Caravaggio, de Matt Rees, tenta responder.

O romance-histórico está dividido em três partes e guia o leitor ela vida do pintor conforme ele elabora a sua obra. Cada criação marca um conflito e as relações amorosas do artista. Para escrever o seu livro, Rees fez pesquisas pelos lugares em que Caravaggio viveu, além de aprender esgrima e pintura. Isso fez que com ele captasse parte da percepção que Caravaggio tinha da vida.

Muito bem escrita, a narrativa desperta sensações em seus leitores. Sentimos a maldade dos becos de Roma, a escuridão do bairro Espanhol da Sicília, a tensão dos diálogos travados entre o pintor e o Inquisidor da igreja católica. É impossível não sentir o nosso próprio sangue ferver quando Caravaggio é provocado ou não se consternar com o amor que ele encontra no Jardim do Mal. Definitivamente, Matt Rees nos transporta para o século XVII de maneira clara e prazerosa.

A linguagem empregada é simples e direta. Como forma de trazer o leitor para o mundo das personagens, muitas vezes encontramos inscrições em itálico com cada pensamento delas. Isto nos leva a indagar sobre a forma como nós reagiríamos a determinado fato ocorrido. Iríamos tão longe por nossa arte (ou por algo que realmente acreditamos) ou por nossa honra?! O Caravaggio foi. E quanto mais nos debruçamos sobre as páginas de Um nome escrito em sangue, mais desejamos saber até aonde suas atitudes o levarão.

Caravaggio foi o grande difusor do chiaroscuro, nos mostrando que é possível chegar à luz através da sombra. O romance-histórico de Rees nos reitera isso. Sem dúvida é uma excelente leitura tanto para os amantes das artes, quanto aos que se deleitam com uma grande história.

Livro: Um nome escrito em sangue: a história de Caravaggio
Título original: A name in blood
Autor: Matt Rees
Tradução: Valter Lellis Siqueira
Editora: Novo Século
Sinopse:  Gênio da arte, mestre do barroco, ou um boêmio, violento e blasfemo? Michelangelo de Merisi da Caravaggio foi, ao longo dos séculos, pintado com as mais diversas cores, julgado e idolatrado por sua rebeldia e por seu incrível talento. O grande artista foi capaz de chocar a sociedade italiana ao pintar figuras elevadas (papas, santos ou mesmo a Virgem) tendo como modelos personagens do cotidiano (camponeses, mendigos ou prostitutas) e, ao mesmo tempo, de deslumbrar os homens mais poderosos de seu tempo com obras de incontestável beleza. Em 'Caravaggio - Um nome escrito em sangue', o autor Matt Rees apresenta sua versão dessa história, em um jogo de luz e sombras que certamente encantará os fãs de arte e de um bom romance.

Ouça as duas músicas que Matt Rees fez para a obra/sobre o Caravaggio:





Sobre a Autora:

Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e licenciada no curso de Formação de Professores da USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações e no Teoria, Prática e Aprendizado.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

[Resenha] Poemas Escolhidos de Gregório de Matos

Capa
Quando me deparei com Poemas Escolhidos de Gregório de Matos, pensei: “Uau! Quanta coragem!”, isso porque José Miguel Wisnik, responsável pela seleção e prefácio do livro, teve em suas mãos um desafio que não é seria vencido por qual quer um. Falando assim pode parecer um exagero, mas não o é. Gregório de Matos é considerado um dos maiores poetas Barroco das Américas. Além disso, nem todos os poemas atribuídos ao Boca do Inferno foram realmente escritos por ele. Logo, a proeza de Wisnik é plenamente justificável. 

O “Prefácio” dividi-se em três partes. Na primeira delas, “Esboço biográfico”, o leitor passa a conhecer quem foi Gregório de Matos e Guerra, nascido em Salvador (1633 ou 36) e morto no Recife (1696), arcebispo, marido, advogado – doutor in utroque jure*, pela Universidade de Coimbra -, poeta na Bahia colonial e dono de uma biografia cheia de aventuras, amigos e inimigos. A segunda, por sua vez, é um “Estudo Crítico” que apresenta as características do período vivido pelo poeta e como elas influenciaram em sua escrita: o embate entre a mentalidade jesuítica e a Contrarreforma, somadas à sua “consciência dividida entre a moral pública, ascética, e a prática sensual, privada”. A seguir temos, então, explicações sobre a poesia satírica – que registrou e criticou as transformações socioeconômicas vividas no política colonial –; sobre a poesia lírica-amorosa e seus confrontos entre asceticismo e sensualidade, corpo e alma – levando muitas vezes a oximoros preciosos – e sobre a poesia religiosa, em que “a dualidade matéria / espírito projeta-se na dualidade culpa / perdão”. Por fim, mas não menos importante, José Miguel Wisnik explica como foi o processo de seleção dos poemas e como a obra está organizada. 

Findada a leitura do “Prefácio”, o leitor encontra uma lista de uma pequena “Bibliografia”, também dividida em três partes: “Do autor”, “Antologias anotadas”, “Sobre o autor”. Os livros ali mencionados podem servir para quem, após a leitura, quiser aprofundar seus conhecimentos acerca de Gregório de Matos. E, em continuidade, temos os poemas organizados em: 

• Poesia de Circunstância (I - satírica e II – encomiástica) 
• Poesia Amorosa (I – lírica e II – erótico-irônica) 
• Religiosa 

O que dizer deles?! A força sonora (rimas, aliterações, assonâncias**) embala o leitor, tornando a leitura prazerosa. Os jogos de ideias, a ironia e zombaria das sátiras nos fazem gargalhar e ao mesmo tempo refletir (muitas das mazelas que li sendo alvo de críticas do Boca do Inferno nos tempos coloniais me fizeram recordar o que ainda hoje é vivido no Brasil). As intertextualidades com as figuras mitológicas provocam o leitor a querer saber mais sobre Baco, Apolo, Cupido, Janos, Saturno e tantos outros personagens clássicos. O vocabulário surpreende, já que muitos dos termos – alguns de baixo calão – ainda se mantém atual. Em suma, o livro é um deleite para apaixonados por poesia e/ou pelo Barroco. Ademais, as notas de rodapé ajudam o leitor a esclarecer o significado dos vocabulários em desuso e a entender quem são as pessoas e personagens citados nos poemas – fato que ajuda na interpretação do que é lido. 


Livro: Poemas Escolhidos de Gregório de Matos 
Autor: Gregório de Matos 
Seleção e prefácio: José Miguel Wisnik 
Ano: 2010 
Páginas: 360 
Coleção: Listrada 

_______________________
*in utroque jure = em ambos os direitos. Ou seja, no civil e no canônico. (Definição do site Revisões e Revisões
**Aliterações = repetição ritmada de um som de consoantes idênticas ou semelhantes em um verso. || Assonância = repetição ritmada de vogais idênticas ou semelhantes em um verso.


Sobre a Autora:
Fernanda Rodrigues Fernanda Rodrigues é bacharela em Letras (Português e Inglês) e estudante do curso de Formação de Professores na USJT. Além de ser professora de Língua Inglesa, é louca por assuntos que envolvam a Literatura, as demais artes e o processo de ensino e aprendizagem. Escreve no Algumas Observações, no Escritos Humanos, no Teoria, Prática e Aprendizado e no Barbie Nerd
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